Quem entrou, quem saiu e quem continuou na crise em 2017 – Exame

São Paulo – A renda do brasileiro cresceu mais do que os seus gastos pela primeira vez em 3 anos, de acordo com pesquisa divulgada nesta segunda-feira (18) pela Nielsen.

O levantamento, feito desde 2013, foi realizado em junho em uma amostra de 8.400 lares que refletem a realidade de 49 milhões de famílias.

Os números mostraram crescimento da renda de 11% contra crescimento de apenas 1% nos gastos, deixando um saldo positivo de 9,9% no bolso dos trabalhadores.

É uma reversão forte do cenário dos últimos anos. De 2014 para 2015, o brasileiro perdeu mais renda do que conseguiu cortar no seu orçamento, fazendo a relação gasto/renda cair 4,4%.

De 2015 para 2016, por exemplo, houve um equilíbrio no ritmo de queda na renda (que foi de R$ 3.559 para R$ 3.118) e nos gastos (de R$ 3.772 para R$ 3.118).

Agora, a renda cresce mais que o gasto, fruto de uma conjunção de fatores positivos. Um deles é a queda da inflação, que após atingir dois dígitos em 2015 está girando abaixo do piso da meta do governo (3%), impactada por uma desinflação intensa dos alimentos ao longo do ano.

Outro fator é a queda do desemprego, que começou a recuar já na metade do ano, ainda que impulsionado majoritariamente pelo emprego informal.

Os números do ano também refletem o saque das contas inativas do FGTS. 27,2% das famílias monitoradas se beneficiaram e quase metade (46,6%) usaram o recurso adicional para quitar dívidas.

Depois de guardar ou investir, 11,6% usaram o dinheiro para fazer compras, com destaque para itens como cervejas, refrigerantes, fraldas descartáveis e escova de dentes.

O estudo da Nielsen permite ver o impacto da crise brasileira, uma das maiores da história moderna do país, sobre os diferentes grupos sociais.

A melhora é desigual entre as regiões. A Grande São Paulo, por exemplo, viu a renda crescer 10% contra 3% de alta do gasto em 2017. A Grande Rio de Janeiro tem cenário oposto: os gastos crescem 19% e a renda apenas 11%.

Um dos fatores apontados para isso foi uma alta de 24% nos gastos com saúde das famílias cariocas, possivelmente um reflexo do colapso da saúde pública na região.

Quem nunca entrou na crise

Em 2017, quase metade (48,2%) dos lares brasileiros ficaram relativamente preservados da crise: sem acumular dívida e sem perder o emprego. Dentro deste grupo estão aqueles que nunca viram a crise de perto em nenhum momento (26%).

Os que nunca foram impactados são em sua maioria das classes AB (30%) e DE (32%), sem crianças (62%), com famílias de até dois membros (51,2%) e do estado de São Paulo (32,6%).

São portanto famílias menores, de regiões mais ricas, que sempre tiveram condições melhores e que gastam mais na média, mas com cautela, segundo a Nielsen.

Quem entrou e conseguiu sair

Há também aqueles que entraram na crise no ano anterior mas conseguiram sair (22,2%). O fator de recuperação foi recuperação do emprego para 80,4% e quitação de dívidas para 19,6%.

Este grupo dos que se recuperaram são em sua maioria da classe C (54,4%), sem crianças (50,2%), com famílias de três a quatro membros (49,1%) e mais presentes no Nordeste, Minas Gerais, interior do Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Esse é um grupo que controla bastante a conta, gastando bem menos que a renda especialmente em lazer, colocando como prioridade sempre ter as contas em dia.

Quem entrou (ou ficou) na crise

Metade (51,8%) dos lares brasileiros ainda são impactados pela crise, dividido entre aqueles que estão nessa situação desde o ano passado (37,4%) e os que entraram na crise neste ano (14,4%).

Esse grupo é representado predominantemente pela classe C (52%), com crianças de 6 a 11 anos (12,4%) e famílias de cinco ou mais componentes (24,5%).

Nestes grupos, chama a atenção a troca por marcas mais baratas e a preocupação de ganhar ou manter emprego.

As alternativas para conseguir uma renda extra incluem trabalhar como diaristas, babá e pet walkers (24%) e aplicativos de táxi (4%), assim como fazer venda direta (18%) e bolos caseiros salgados (12%).

2018

E em 2018, se a economia ajudar, o que deve acontecer com o consumidor? A Nielsen aponta que deve aumentar o consumo com supérfluos, mas sem descontrole.

“Com a crise, ele aprendeu a planejar suas compras, economizar por meio do gerenciamento de seus gastos, fazer opções inteligentes quanto à escolha de produtos e canais”, diz Ricardo.

Os consumidores também destacam que sua prioridade é voltar a comprar marcas mais caras, que foram deixadas de lado no momento de crise.

Fonte Oficial: Exame.

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