Tema fiscal imprime tom negativo ao mercado; dólar oscila – Valor

SÃO PAULO  –  A bolsa tem uma sessão de ritmo bastante lento, seguindo a redução de liquidez que também se observa no mercado internacional. Mas acabou preservando o sinal negativo, mostrando que a cautela vinda da questão fiscal permanece.

Às 13h20, o Ibovespa caía 0,63%, aos 72.655 pontos, perto da mínima do dia (72.629 pontos). Chegou a arriscar uma recuperação mais cedo, ao tocar os 73.139 pontos, mas o movimento foi rapidamente revertido.

Pesa sobre os negócios a decisão do ministro do STF, Ricardo Lewandowski de derrubar a MP 805, que adiava para 2019 o reajuste do funcionalismo público.

Em entrevista mais cedo, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que é difícil reverter a decisão. Mas que o governo vai pensar em “alternativas” para compensá-la.

O mercado também continua de olho no risco de o Brasil ser rebaixado mais uma vez. Na quinta-feira, Meirelles fará teleconferência com representantes das agências para tentar impedir que haja alguma decisão agora, antes da data esperada para a votação da reforma, em meados de fevereiro.

Diante desses fatores, profissionais consideram que a bolsa deve seguir operando com baixo volume de sem uma tendência clara até o fim do ano. “Vejo os mercados de modo geral mais propensos a realização de lucros do que a novas alocações”, diz um gestor. “O mercado deve ficar em banho-maria até janeiro.”

Entre as maiores altas, está JBS ON (+1,89%), que recupera parte das perdas da véspera. Usiminas PNA vem em seguida, com ganho de 1,89%.

Entre as blue chips, Vale ON registra queda de 0,16%. Já Petrobras ON cai 0,63% e Petrobras PN recua 0,59%.

Entre os bancos, Bradesco ON perde 0,99%, Bradesco PN recua 1,15% e Itaú tem queda de 0,71%.

Dólar

O dólar, que operava em queda pela manhã, virou e sobe 0,06%, a R$ 3,2996.

O contrato futuro para janeiro, por sua vez, sobe 0,06%, a R$ 3,2975.

O sinal positivo do câmbio brasileiro é observado apesar da decisão de Lewandowski sobre reajuste aos servidores. 

O impacto da decisão, concedida em caráter liminar em uma ação de inconstitucionalidade movida pelo PSOL, é estimado em R$ 6,6 bilhões. Embora o valor não seja desprezível, o operador Cleber Alessie Machado Neto, da H.Commcor, aponta que poderia ser compensado pelo aumento da arrecadação ou mesmo a aprovação da reforma da Previdência.

A sazonalidade também tem efeito sobre as operações de mercado. Com aproximação do fim do ano e a diminuição gradual da liquidez, os investidores evitam grandes mudanças de posição mesmo com o cenário de incertezas pela frente.

No exterior, o dólar opera em direções mistas ante as principais divisas globais. A moeda sobe ante o peso mexicano enquanto os investidores aguardam novidades sobre a tramitação da reforma tributária de Donald Trump nos EUA. Ainda assim, outras emergentes como o rublo russo e o rand sul-africano se mantém perto da estabilidade.

Juros

Os juros futuros operam em viés de alta no início da tarde desta terça-feira. A direção, entretanto, ainda mostra pouca firmeza apesar de novos riscos a medidas de ajuste fiscal.

O DI janeiro de 2021, por exemplo, já não se encontra nos picos do mês de dezembro, mas opera quase 0,50 ponto percentual acima dos valores do começo de outubro quando o debate sobre a Previdência não havia se intensificado. A taxa era negociada em 9,320%, ante 9,300% no ajuste anterior.

A ponta longa da curva de juros é um dos segmentos mais afetados pelos riscos fiscais. Hoje, observa-se um leve aumento da diferença desse trecho para os mais curtos. A inclinação da curva, medida pelo DI janeiro de 2023 e o DI janeiro de 2019, avança para nova máxima histórica de 3,42 pontos percentuais, ante 3,37 pontos no fechamento de ontem.

Fonte Oficial: Valor.

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