BC não prevê reação “vigorosa” do investimento no curto prazo – Valor

BRASÍLIA  –  Na avaliação do Banco Central (BC), a recuperação dos investimentos no terceiro trimestre de 2017 repercutiu o movimento ascendente na importação e na produção de bens de capital, tendência disseminada entre as principais categorias. Mas não é esperada uma reação forte do investimento no curto prazo por causa do ainda elevado grau de ociosidade na economia.

No Relatório de Inflação (RI) divulgado nesta quinta-feira (21), o BC ressaltou ainda que a evolução recente da produção de insumos de construção civil e de bens de capital associados ao setor sugere que este segmento “começa a reagir após expressivo ciclo de retração nos anos anteriores”. O setor responde por mais da metade do investimento total na economia.

O BC também reiterou que a recuperação efetiva do investimento está condicionada, em parte, pelo ritmo do processo de desalavancagem das empresas não financeiras, que tende a ser favorecido, nos próximos trimestres, pelo ciclo de redução das taxas de juros. Segundo a autoridade monetária, concorrem no mesmo sentido a consolidação do processo da recuperação da atividade econômica e a evolução favorável dos indicadores financeiros e de risco.

“Ressalte-se, no entanto que, mesmo nesse contexto, não se projeta, pelo menos no curto prazo, reação mais vigorosa do investimento, de forma contrária ao ocorrido em outros períodos de retomada da economia após ciclos recessivos”, apontou o documento.

Segundo o Copom, essa perspectiva se fundamenta, em parte, no nível de incertezas na economia e no impacto da ociosidade dos fatores de produção, expressa no nível reduzido da utilização da capacidade da indústria e no patamar elevado da taxa de desocupação.

Trabalhista

Para o BC, a recuperação da atividade econômica e as mudanças recentes na legislação trabalhista “tendem a exercer impacto positivo sobre o processo de retomada de emprego em curso, favorecendo reduções adicionais da taxa de desocupação”.

Por outro lado, segundo o BC, parece haver espaço para a recuperação cíclica da produtividade do trabalho, com tendência a arrefecer o ritmo de crescimento da população ocupada e, consequentemente, a velocidade de declínio da taxa de desocupação.

Na análise de conjuntura, o BC afirmou que, embora a redução da taxa de desocupação reflita aumento de ocupados em categorias informais, “houve reversão expressiva na dinâmica de criação de empregos no mercado formal”.

Ainda no documento, a autoridade monetária observou que o aumento de ocupados está relacionado à elevação do fluxo líquido de indivíduos da categoria de desocupados para a categoria de ocupados ao longo do segundo e terceiro trimestres de 2017 e de redução do fluxo líquido de pessoas de fora da força de trabalho para a desocupação.

“Ou seja, mesmo associado a categorias mais informais, a redução da taxa de desocupação recente evidencia melhora nas condições de empregabilidade dos indivíduos”, apontou o documento.

Ajustes fiscais

No RTI, a instituição insiste no discurso de necessidade de aprovação de reformas e outros ajustes no âmbito da gestão fiscal para reverter a trajetória ascendente da dívida pública e impedir que uma frustração dessa expectativa afete os prêmios de risco e eleve a inflação no “horizonte relevante para a política monetária”.

A mensagem, já presente em relatórios anteriores, é reforçada em um momento em que a chance de aprovação da reforma da Previdência Social é menor com a decisão do adiamento da votação da matéria em um ano eleitoral. O governo insiste na necessidade da reforma para evitar que a dívida líquida supere a marca dos 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021 mas, por enquanto, continua enfrentando grande resistência dos deputados.

Mesmo com o discurso de que a reforma reduz privilégios e garante o pagamento das aposentadorias no futuro, o governo ainda não tem os 308 votos necessários para aprovação da matéria. Por isso, o adiamento da votação deste mês para fevereiro.

Na avaliação do BC, o risco da falta de reforma e ajustes na gestão fiscal afetar prêmios de risco e a inflação se intensifica no caso de reversão do corrente cenário externo atualmente favorável para economias emergentes. “Não obstante, a economia brasileira apresenta maior capacidade de absorver eventual revés no cenário internacional, devido à situação robusta de seu balanço de pagamentos e ao ambiente com inflação baixa, expectativas ancoradas e perspectiva de recuperação econômica”, destaca o relatório.

Segundo o RTI, “o avanço do processo de reformas e de outros ajustes necessários no âmbito da gestão fiscal permanecem sendo fundamentais para reversão da trajetória ascendente da dívida pública. Em outubro, a dívida líquida do setor público representou 50,7% do PIB e a bruta chegou a 74,4% do PIB.

Retomada

O Comitê de Política Monetária (Copom) reafirmou sua avaliação de que a atividade econômica do país continua em trajetória de retomada gradual, evidenciada por três aumentos trimestrais consecutivos do PIB na margem.

No documento, o BC destacou a contribuição consistente do consumo das famílias, que cresceu 1,2% após expansão em igual magnitude no trimestre anterior, quando se encontrava sob maior influência das liberações extraordinárias de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

“A evolução do consumo na margem evidencia tanto o aumento do poder de compra das famílias, impulsionado pela redução da inflação, quanto o efeito de condições mais favoráveis nos mercados de trabalho e de crédito”, apontou o documento.

Mas após dois trimestres de crescimento expressivo do consumo, espera-se dinâmica mais moderada no quarto trimestre, disse a autoridade monetária. Para justificar tal avaliação, o BC citou a desaceleração nas vendas do comércio ampliado.

Para o BC, a retomada do setor industrial no ano se mostra consistente com uma recuperação cíclica da atividade econômica, sustentada, majoritariamente, pelo dinamismo do mercado interno. Além disso, indicadores qualitativos sinalizam estoques ajustados e confiança em recuperação, condições favoráveis para continuação do ciclo de crescimento da atividade fabril.

Fonte Oficial: Valor.

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