Taxa de desemprego fica em 12,6% na RMPA – Jornal do Comércio

Três de cada quatro novos desempregados que a Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) gerou em novembro residem na capital gaúcha. Nove mil das 12 mil pessoas que reforçaram as fileiras de quem buscava oportunidade de trabalho em novembro residiam em Porto Alegre, ou 75% do contingente. O dado foi destacado na Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), divulgada ontem, que registrou o segundo mês consecutivo de aumento da desocupação, que passou de 12%, em outubro, para 12,6% em novembro. É a maior taxa desde maio de 2009.  

E, mais uma vez, o comportamento do mercado de trabalho surpreendeu até mesmo os técnicos, que buscam explicações para o recrudescimento do indicador, justamente em períodos que costumam ser de queda do desemprego e quando se indicava uma melhora de cenário em julho a setembro. “Até que vinha melhorando (aumento da ocupação), mas a casa caiu em outubro”, reagiu a economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE) Cecília Hoff, lembrando que houve oferta de 42 mil postos a mais em setembro, mas em outubro se perderam 46 mil vagas, e mais 10 mil em novembro, recuo de 0,6%.

O número total de desempregados chegou a 234 mil pessoas no mês passado. A taxa registrada no mês passado é a maior desde novembro de 2006, que ficou em 13,7%. Frente a novembro de 2016, são 81 mil ocupações a menos. Outra marca que se firma em mais uma rodada da PED é que o setor assalariado, e principalmente com carteira assinada, é o que mais perde espaço. Foram 19 mil assalariados a menos, 17 mil deles tinham carteira assinada no mês passado.

“O que a gente tem de diferente neste mês é a taxa de desemprego de Porto Alegre, que foi maior que os demais municípios, e tradicionalmente ocorria o inverso”, comenta a coordenadora da PED pela FEE, Iracema Castelo Branco. “Esse desemprego em novembro está mais associado à queda na Capital”, conclui Iracema. Em Porto Alegre, setores da construção e o comércio são os mais afetados, além de trabalhadores com carteira assinada. Na RMPA, a indústria de transformação fechou 7 mil postos, e construção, outros 4 mil. Já serviços abriram 4 mil oportunidades, e o comércio, mil posições.

Cecília lembrou que o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre no Estado, que teve zero de crescimento, segundo a FEE, mostrou indústria e serviços como os setores com desempenho negativo e que acabaram travando uma escalada de elevação que se verificava no primeiro semestre. “Vinha melhorando, mas voltou a piorar. É uma recuperação errática”, define a economista da FEE. Um sintoma disso é o próprio tempo de busca de trabalho, que passou de 39 semanas para 41 semanas entre outubro e novembro.

Já outra tendência é o avanço de postos de autônomos. Este segmento, que engloba desde o ambulante que se multiplica nas ruas da Capital até microempreendedores e prestadores de serviços terceirizados, teve alta de 16 mil vagas em novembro, alta de 6,8%. A desempregada da indústria Carmen Hermann, 44 anos, é um exemplo. Ela perdeu o emprego há quatro meses, já terminou o seguro-desemprego e agora vende panos de prato em uma calçada no Centro de Porto Alegre. Próximo ao ponto onde ela fica com sua banquinha, ocorreu o protesto na quarta-feira de ambulantes que reagiram à fiscalização contra comércio de itens ilegais. “Já deixei currículo em muitos locais, mas não tem trabalho. Vou me preparar para 2018”, foca Carmen, que nunca havia ficado mais de três meses desempregada.  

Iracema adotou cautela sobre as hipóteses que explicam esse comportamento do mercado, voltou a cogitar alguma relação com a reforma trabalhista e também a terceirização, mas pode ser ajuste do mercado. Na tendência para futuro, sob efeito dos últimos 12 meses, as variáveis ficaram todas em vermelho na tela da apresentação da PED na sede da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (Fgtas), parceira da pesquisa. “A tendência indica redução na ocupação e aumento da taxa de desemprego, além da redução dos rendimentos para ocupados, autônomos e assalariados”, elenca Cláudia Algayer, pesquisadora da Fgtas.

Desemprego: 12,6%, maior taxa desde maio de 2009 e maior para novembro desde 2006

Desempregados: 234 mil, 12 mil a mais que em outubro, que somou 222 mil. Indústria e construção civil lideraram, comércio e serviços abriram mais vagas que fecharam

Porto Alegre: onde residem 75% dos novos desempregados do mês 

Ocupados: 1,622 milhão de pessoas, ante 1,632 milhão de outubro

População Economicamente Ativa (PEA): 1,856 milhão, ante 1,854 milhão de outubro 

Ocupação: 10 mil postos a menos, queda de 0,6% 

Assalariados: corte de 19 mil vagas, com maior redução em carteira assinada (-17 mil)

Autônomos: 16 mil postos a mais, alta de 6,8%

Tempo de procura por trabalho: 41 semanas. Era de 39 semanas em outubro

Fonte: PED/FEE/FGTAS/Dieese

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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