BNDES puxa segundo ano de retração na carteira dos bancos públicos – Valor

BRASÍLIA  –  A carteira de crédito dos bancos públicos vai marcar o segundo ano seguido de retração, algo que não acontecida desde o biênio 2000/2001. Essa queda é puxada pelo desempenho do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que acumula um recuo de 10,1% no seu saldo de crédito em 2017 até novembro, após retração histórica de 12,8% em 2016.

Tirando o banco de fomento da conta, a carteira dos bancos públicos apresenta leve crescimento de 0,6% em 2017 até novembro, vindo de elevação de 1,2% no ano passado. Considerando o BNDES, no entanto, o que se tem é uma queda de 2,8% neste ano após contração de 3,7% em 2016.

No auge das chamadas política anticíclicas e da nova matriz macroeconômica, a carteira dos bancos públicos crescia na faixa de 40%, puxada, justamente, pelo BNDES que teve picos de crescimento de quase 50% no seu saldo de crédito.

Depois de somar um recorde de R$ 633,368 bilhões em dezembro de 2015, a carteira do BNDES perdeu R$ 137 bilhões, fechando novembro em R$ 496,444 bilhões. Em março de 2007, início da série disponibilizada pelo BC, a carteira do BNDES era de R$ 118,257 bilhões, enquanto os demais bancos públicos tinham R$ 159,312 bilhões.

Os dados evidenciam a mudança de política com relação ao uso dos bancos públicos como motor do crescimento, algo que começou no governo Dilma Rousseff, no fim de 2013, e se acentuou na gestão de Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, que acabou com os repasses do Tesouro à instituição. Essa reorientação se acentuou em 2016 em função da crise econômica e da saída do mercado de grandes empresas que caíram junto com o avanço da Operação Lava-Jato.

Além disso, o banco de fomento já devolveu ao Tesouro, desde 2015, R$ 179 bilhões e agora em 2018 terá uma nova taxa de juros, a Taxa de Longo Prazo (TLP), que será baseada no custo de captação do Tesouro. Isso limita a capacidade do governo de plantão de usar a instituição como motor de políticas fiscais sem a necessidade de registro no Orçamento.

Fonte Oficial: Valor.

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