Ibovespa tem pregão lento e dólar vai a máxima em uma semana – Valor

SÃO PAULO  –  Depois de um desempenho estrondoso ontem, o Ibovespa aproveitou a liquidez bastante reduzida de hoje para realizar um movimento de acomodação e fechar praticamente estável, mas ainda sustentando o patamar dos 75 mil pontos e uma valorização em uma semana de ritmo lento.

O Ibovespa encerrou com leve alta de 0,07%, aos 75.187 pontos, depois tocar os 74.623 pontos na mínima do dia e renovar a máxima em 75.227 pontos. Na semana, o índice acumula alta de 3,55%; no mês, sobe 4,47% e, no ano, avança 24,84%.

O giro financeiro do dia, porém, foi de R$ 4,07 bilhões, bastante fraco. Segundo operadores, isso mostra que não houve grande participação na montagem de posições do investidor hoje, que já está fora do mercado pelo fim do ano — uma tendência que deve se acentuar na semana que vem, com o Natal.

Durante o pregão, a Embraer chegou a ensaiar um novo dia de ganhos. Conforme previsto por analistas, porém, o papel enfrenta importante instabilidade em meio às informações sobre a possível combinação de negócios com a Boeing. Depois de iniciar as operações em queda e, em seguida, inverter o movimento e atingir o pico em R$ 27,10, a ação da fabricante brasileira de jatos terminou o dia em queda de 1,44%, a R$ 19,91.

No entanto, o volume financeiro da ação, de R$ 512,5 milhões, superou o de outras blue chips, como Petrobras PN (-0,69%, a R$ 15,75), Vale ON (+1,06%, a R$ 38,79) e Itaú Unibanco (-0,47%, a R$ 42,53). O giro da Embraer ON no dia ficou, inclusive, 67% acima do negociado ontem, em R$ 341,8 milhões.

“Embraer ainda vai ficar em destaque até que novos detalhes sobre essa operação com a Boeing saiam. Como é um papel já com boa liquidez e boa demanda, a volatilidade deve ser forte, com os investidores aproveitando o giro para conseguir capturar algum valor no intradia mesmo”, afirma Ari Santos, gerente da mesa de operações da H. Commcor.

No destaque de altas, a Eletrobras acabou tomando força perto do fechamento, com a ON subindo 4,33%, a R$ 18,78, enquanto a PNB avançou 6,40%, a R$ 22,29. Segundo operadores, a empresa já vem despertando a atenção daqueles que não querem perder a oportunidade de se posicionarem no papel, de olho na possibilidade de que a privatização avance a qualquer momento.

O movimento do mercado no geral, porém, foi fraco não apenas pela falta de notícias no ambiente doméstico e pelo fim de ano, como também pelo exterior, onde as bolsas americanas caminham para ter a quinta semana de alta, mas com oscilação hoje mais perto da estabilidade.

Dólar

O dólar voltou a ganhar terreno ante o real nesta sexta-feira, terminando na casa de R$ 3,33 e reaproximando-se de máximas não vistas desde junho. A taxa do casado – espécie de cupom cambial de curtíssimo prazo e que reflete condições de liquidez no mercado à vista – tornou a subir, alimentando expectativas de que o Banco Central possa voltar a realizar leilões de linha de dólar na semana que vem, a última do ano.

Neste mês, o BC já colocou em três leilões um total de US$ 6 bilhões via linhas.

A baixa liquidez típica deste período do ano acaba potencializando o efeito de eventuais saídas de recursos, também comuns para o fim de dezembro, quando empresas e investidores remetem lucros para o exterior.

O real de novo esteve entre as moedas que mais perdeu frente ao dólar no dia. A divisa brasileira só teve desempenho melhor que o peso mexicano, que opera nas mínimas em nove meses afetado por riscos de mais altas de juros nos EUA e de ganho de popularidade de candidatos de esquerda na eleição presidencial a ocorrer em 2018 no México.

O dólar comercial fechou em alta de 0,74%, a R$ 3,3345. É o maior patamar desde o último dia 14 (R$ 3,3357). Na semana, a moeda ganhou 0,82%, elevando a valorização no mês a 1,95%. Em 2017, o dólar se aprecia 2,58%.

O real amarga a terceira pior colocação na semana, no mês e no ano, considerando as principais divisas globais.

Juros

No mercado de juros, a B3 operou nesta sexta-feira antes do Natal com um dos menores volumes do ano, após uma pequena recuperação ontem. Com menos de 585 mil contratos negociados até o momento, o giro desta sessão caminha para o ser o sétimo menor de 2017.

A agenda foi leve, e investidores fizeram basicamente operações de “day trade” – compra e venda no mesmo dia. A expectativa é que esse perfil de negociação seja o predominante até pelo menos o fim da semana que vem, período em que o mercado deve evitar assumir posições estruturais devido à aproximação do encerramento do ano.

Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro/2019 operava estável, a 6,920% ao ano. O DI janeiro/2020 subia 1 ponto-base, para 8,200%. O DI janeiro/2021 avançava 1 ponto-base, para 9,220%. E o DI janeiro/2023 caía 1 ponto-base, a 10,160%.

O prêmio de risco segue elevado, sobretudo devido às incertezas eleitorais do ano que vem. A Selic média embutida pelos contratos de DI para o primeiro trimestre de 2019 está em 8,33% ao ano, 5 pontos-base menor que ontem, mas ainda assim 133 pontos acima da Selic atual, de 7%.

Fonte Oficial: Valor.

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