Ex-executivo da Embraer se declara culpado nos EUA por pagamento de propina – Jornal do Comércio

Um ex-executivo de vendas da Embraer se declarou culpado na Justiça dos Estados Unidos na quinta-feira (21), por um esquema de pagamento de propina a um funcionário de alto escalão do governo da Arábia Saudita. Os pagamentos seriam em troca de ajuda para garantir a venda de aeronaves da Embraer para a Saudi Aramco, petrolífera estatal da Arábia Saudita.

O britânico Colin Steven, de 61 anos, se declarou culpado de todas as acusações, que incluem violação a Lei sobre Práticas de Corrupção no Exterior (FCPA, na sigla em inglês), fraude, lavagem de dinheiro e falso testemunho.

A data para a leitura da sentença ainda não foi definida. As informações constam do site do Departamento de Justiça dos EUA.

Em outubro do ano passado, a Saudi Aramco confirmou ter provas de um caso de corrupção envolvendo um de seus funcionários e a Embraer.

Steven, ex-vice-presidente de Vendas e Marketing na divisão de Jatos Executivos da Embraer, admitiu que pagou propina em troca de ajuda para que a companhia conseguisse um contrato de venda de aeronaves, que ficou com uma comissão como parte do esquema e que mentiu para autoridades sobre essa comissão. Segundo Steven, o funcionário saudita garantiria que a Embraer conseguiria o contrato e que o contrato envolveria aeronaves novas e não usadas. Em troca, receberia aproximadamente US$ 1,5 milhão em propina.

No começo de 2010, a estatal de petróleo da Arábia Saudita encomendou três novas aeronaves da Embraer, avaliadas em aproximadamente US$ 93 milhões. De acordo com as informações do processo, ele disfarçou as propinas como comissões para uma empresa sul-africana que tinha como sócios amigos de Steven. A empresa sul-africana transferiu a maior parte da propina para o intermediário do funcionário saudita, mas, por orientação de Steven, pagou uma parcela da propina para Steven.

No ano passado, a Embraer foi multada em US$ 205,5 milhões por autoridades dos EUA e do Brasil, por irregularidades semelhantes reveladas numa investigação que se estendeu por seis anos.

Na quinta-feira, Boeing e Embraer anunciaram que estudam uma “potencial combinação”, sem deixar claro que tipo negócio seria esse. Em nota conjunta, as duas empresas informaram que as bases de um potencial acordo ainda estão em discussão e ressaltaram que “qualquer transação estaria sujeita à aprovação do governo brasileiro”, que é proprietário de uma ação especial.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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