Ibovespa testa alta com bancos; dólar recua apesar do risco ao rating – Valor

SÃO PAULO  –  O mercado local de bolsa começa a semana mais curta dando sinais de esgotamento com a baixa liquidez, tentando, por um lado, sustentar-se no campo positivo com o movimento favorável dos bancos, enquanto sente o peso do desempenho da Vale, ainda na maior baixa do dia.

Às 13h20, o Ibovespa subia 0,41%, aos 75.491 pontos, depois de tocar uma máxima intradia nos 75.702 pontos. O giro financeiro, porém, ainda é bastante fraco e atinge cerca de R$ 1,2 bilhão, depois da abertura das bolsas americanas.

O sinal negativo na abertura em Wall Street colabora para a perda de força no começo desta tarde da bolsa brasileira. O dia também conta com empecilhos para novos ganhos pelo movimento das ações da Vale, que ficam no campo negativo desde a abertura.

Outro aspecto relevante é o receio com o possível rebaixamento do Brasil. Na semana passada, em conversa com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a S&P teria informado que soltaria relatório sobre o rating soberano nesta semana — e o mercado aguarda com receio qual poderia ser a nova decisão da agência de risco.

Apesar da cautela, um viés de alta para a bolsa não está descartado e acompanha a oportunidade de ajustes dos investidores e busca por um reposicionamento antes do fechamento do ano, que traz ganhos para alguns ativos da renda variável local. “Alguns investidores acabam preferindo puxar mais o índice para cima”, diz um operador.

Entre os destaques, a Vale ON, ativo de maior giro do Ibovespa nesta tarde, cai 1,06%, a R$ 39,37, enquanto a Bradespar, no mesmo sentido, recua 1,08%, a R$ 28,08. Na liderança das baixas, a Eletrobras PNB cede 1,93%, a R$ 21,86, enquanto a ON da estatal perde 1,06%, a R$ 18,58.

Na ponta positiva, o segundo maior volume fica com a Petrobras PN, que tem leve ganho de 0,13%, a R$ 15,77; a ON cai 0,06%, a R$ 16,58. Já o Itaú Unibanco, terceiro maior giro do dia, acompanha os ganhos do setor bancário e valoriza 0,56%, a R$ 42,77; o Banco do Brasil sobe 1,28%, a R$ 31,70, também contribuindo para impulsionar o Ibovespa.

Quem também volta ao foco hoje é a Embraer (+1,80%, a R$ 20,19), que sustenta ganhos nesta tarde e volta a apresentar boa liquidez — as ONs da companhia são o quarto maior giro do Ibovespa. O movimento se deve ao fato de que o mercado segue de olho na combinação de operações estudada pela empresa e pela Boeing, noticiada na semana passada e que continua estimulando o interesse do investidor que não quer perder a oportunidade de ganho de valor que a fabricante brasileira terá, independentemente das características do negócio.

Dólar

Apesar do risco de rebaixamento do rating do Brasil, o dólar opera em baixa desde o início dos negócios desta segunda-feira. O movimento se intensificou no final da manhã, influenciado pelo tom positivo das moedas emergentes.

Na mínima do dia, a cotação da divisa americana tocou R$ 3,3113 quando recuava 0,70%. O nível apenas representa uma descompressão frente às máximas recentes, tendo avançado até R$ 3,33 na última sessão. Ainda assim, em termos percentuais, é a maior queda em uma semana.

Com o recuo do dólar, o real registra hoje o segundo melhor desempenho dentre as principais divisas locais. O sinal só não é melhor que do peso mexicano, que puxa o bloco dos emergentes após ampliação do programa de hedge cambial pelo banco central do país.

A direção do mercado brasileiro, por ora, também é respaldada por uma aparente trégua no noticiário econômico-político. No entanto, a situação fiscal do país continua pesando no cenário dos agentes financeiros.

Com o adiamento da votação da reforma da Previdência para 2018, a apreensão nas mesas de operação vem do risco de rebaixamento no Brasil. O anúncio da S&P Global Rating é esperado para esta semana, o que já teria sido relatado ao governo, embora o conteúdo da decisão não esteja confirmado.

Há um aparente consenso no mercado de que – em menor ou maior grau – o downgrade teria impacto negativo nos ativos. Por outro lado, alguns profissionais comentam que o estresse seria limitado. “Pode trazer um susto inicial e uma alta pontual, mas o que trouxe para o dólar os níveis atuais foi a postergação da reforma”, diz o operador Cleber Alessie Machado Neto, da H.Commcor. “Em termos de fundamento, não é isso que vai deteriorar o nível dos ativos”, acrescenta.

Caso o receio sobre o rating não se concretize, alguns profissionais enxergam inclusive algum potencial de melhora nos preços de mercado. “O cenário não é muito positivo e o evento da S&P é preocupante, porque indica que o governo não está conseguindo avançar na reforma”, diz o sócio e gestor na Leme Investimentos, Paulo Petrassi. “Mas se não houver o rebaixamento da S&P, o mercado pode até dar uma melhorada e volta a focar no cenário de eleição”, acrescenta.

Por volta das 13h20, o dólar comercial caía 0,46%, a R$ 3,3190. O contrato futuro para janeiro, por sua vez, recua 0,68%, a R$ 3,3176.

Juros

A menos de uma semana para o fim do ano, os juros futuros de curto prazo voltam a se beneficiar do cenário de inflação baixa. O novo ajuste de expectativas para o IPCA e para a Selic, trazido pelo Boletim Focus, respaldam a leitura no mercado de que há espaço para continuidade do ciclo de corte de juros em 2018. No entanto, ainda faltam catalisadores mais claros para amparar apostas mais agressivas.

Sinal de que boa parte do foco está na política monetária, o maior volume de negócios no dia se concentra no contrato de DI com vencimento em abril de 2018, que engloba as primeiras decisões do Copom no ano que vem. A taxa opera em leve queda a 6,76%, ante 6,77% no ajuste anterior.

O contrato para janeiro de 2019 – que reflete apostas para o atual ciclo – cai a 6,890% ante 6,910% no ajuste anterior. Vale destacar, no entanto, que a liquidez já é reduzida por causa da proximidade do fim do ano.

O DI janeiro de 2021 recua a 9,130%, ante 9,210% no ajuste anterior, sendo beneficiado também pela queda do dólar.

Fonte Oficial: Valor.

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