Brasil deve crescer 2% e impulsionar América Latina, diz Cepal – Exame

São Paulo – O Brasil deve crescer 2% em 2018 e vai ajudar a melhorar o Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina, prevê a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) em relatório de previsões para a região.

Este ano, a economia brasileira deve avançar 0,9%, pondo fim aos dois anos de recessão que marcaram 2015 e 2016.

“O resultado regional em 2018 será explicado em parte pelo maior dinamismo que apresentará o crescimento econômico do Brasil”, destaca o relatório da Cepal, que prevê alta de 2,2% para o PIB da América Latina no ano que vem, acima do patamar de 1,3% previsto para 2017.

A avaliação da Cepal é que a economia brasileira está melhorando, depois da severa crise dos últimos dois anos, mas em 2017 os indicadores de demanda e produção “ainda não mostram um quadro de recuperação sustentável”.

O consumo, ressalta o documento, foi beneficiado por medidas pontuais, como os saques das contas inativas do FGTS. No começo do ano, a visão da Cepal era de que o PIB brasileiro não fosse crescer mais de 0,4% em 2017.

Apesar do esforço do governo de Michel Temer para ajustar as contas públicas, a Cepal ressalta que o déficit público segue elevado e a dívida do governo mantém sua trajetória de crescimento.

Dados divulgados nesta quinta-feira, 28, pelo Banco Central mostram que a relação dívida bruta/Produto Interno Bruto (PIB), um dos principais indicadores de solvência de um país, ficou em 74,4% em novembro ante 69,9% do final de 2016.

“A agenda fiscal segue formando parte principal do enfoque da política econômica”, ressalta o relatório da Cepal.

Em meio à tentativa de melhorar as contas públicas, a instituição ressalta que o Brasil não tem condições de usar a política fiscal para estimular a economia. “A estabilização da dívida requer uma recuperação do crescimento”, ressalta o documento.

A queda das taxas de juros, que este mês recuaram para a mínima histórica, deve ajudar a impulsionar o crédito e o investimento fixo, de acordo com o relatório.

Se os preços das commodities continuarem favoráveis e não ocorrerem movimentos especulativos nos fluxos internacionais de capital, por conta de tensões políticas, o PIB do Brasil deve crescer mais em 2018, ressalta a Cepal.

Além do Brasil, maior economia da região, outros países da América Latina devem ter PIB maior em 2018, segundo as previsões da Cepal: o Chile deve avançar 2,8% ante 1,5% em 2017; a Colômbia deve ter expansão de 2,6% ante 1,8% e o Peru pode crescer 3,5% ante 2,5%.

O Panamá é a economia da região que deve ter maior crescimento, de 5,5%, seguida da República Dominicana (5,1%) e Nicarágua (5,0%).

Já a Venezuela deve encolher 5,5%, menos que os 9,5% de 2017. A expansão das principais economias da América Latina deve continuar sendo puxada pela demanda doméstica.

Ao mesmo tempo, a expectativa é que aumente a contribuição do investimento para a expansão do PIB da região.

Para a Cepal, o ambiente externo deve seguir favorável em 2018. O PIB mundial deve crescer em torno de 3%, mesmo patamar de 2017, mas as economias emergentes devem mostrar maior dinamismo.

“No plano monetário será mantida uma situação de liquidez ampla e baixas taxas de juros internacionais.”

Riscos

Apesar do contexto internacional mais favorável, a Cepal alerta que “persistem alguns desafios e riscos latentes que podem afetar a consolidação do crescimento no médio prazo”.

Entre estes riscos, o documento cita as incertezas originadas pela normalização das condições monetárias pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão.

Além disso, a reforma tributária de Donald Trump pode “trazer consigo uma maior volatilidade financeira, produto do aumento dos fluxos de capitais em direção” aos EUA.

Fonte Oficial: Exame.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!