Juros tendem a fechar em baixa e em níveis bem menores que os de um ano atrás – Jornal do Comércio

Os juros futuros caminham para fechar a última sessão do ano em baixa e em níveis bem menores do que no último pregão do ano passado, em meio ao processo de afrouxamento monetário, ainda em curso. A taxa para janeiro de 2019, por exemplo, fechou há um ano em 11,05% e, às 12h15 desta quinta-feira (28) estava em 6,87%, na mínima, de 6,88% no ajuste da véspera.

O DI para janeiro de 2021 estava em 9,05%, de 9,10% na véspera e de 11,37% no fechamento da sessão de 29 de dezembro de 2016. No radar, segue o risco de rebaixamento da nota de crédito soberano do Brasil após o adiamento da votação da reforma da Previdência para fevereiro. Os indicadores divulgados durante a manhã, entre eles a aceleração do IGP-M e o déficit do setor público consolidado, ficaram em segundo plano.

O viés negativo predomina desde a abertura dos negócios nesta quinta-feira, e com volume bem reduzido. No horário mencionado acima, o DI para janeiro de 2020 marcava 8,08%, de 8,11%, enquanto o DI para janeiro de 2023 exibia 10,00%, de 10,06% no ajuste anterior. “Hoje não tem nada pesando. É só fechamento de ano mesmo, com baixíssima liquidez e a percepção de que o downgrade não vai ser por agora”, comentou um operador de renda fixa.

Pela manhã foi revelado que o setor público consolidado (Governo Central, Estados, municípios e estatais, com exceção de Petrobras e Eletrobras) voltou a fechar as contas no vermelho no mês passado. Após resultado positivo em outubro, as contas de novembro terminaram com déficit primário de R$ 909 milhões em novembro, informou o Banco Central. Em outubro, havia sido registrado superávit de R$ 4,758 bilhões e, em novembro de 2016, déficit de R$ 39,141 bilhões.

O resultado primário consolidado do mês passado ficou dentro das estimativas de analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast, que iam de déficit de R$ 2,2 bilhões a superávit de R$ 3,069 bilhões. O resultado, porém, ficou bem abaixo da mediana que indicava expectativa de superávit de R$ 1 bilhão.

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), por sua vez, acelerou a alta para 0,89% em dezembro ante 0,52% em novembro. O resultado veio abaixo da mediana das estimativas de 0,92% calculada pelo Projeções Broadcast, mas dentro do intervalo de 0,72% a 1,05%.

Com isso, o indicador fechou 2017 com queda de 0,52%, a maior desde 2009 (-1,72%). Esse resultado também ficou abaixo da mediana, de -0,50%, mas dentro do intervalo que ia de deflação 0,69% a de 0,36%. Em 12 meses finalizados em novembro, o IGP-M acumulara queda de 0,86%, enquanto em 2016 a variação foi positiva em 7,17%.

Já a confiança da indústria, medida pela Fundação Getulio Vargas (FGV), avançou 1,3 ponto em dezembro ante novembro, atingindo 99,6 pontos. Esse é o maior nível do indicador desde janeiro de 2014 (100,1 pontos). A confiança da indústria também termina 2017 14,9 pontos acima do patamar do ano passado.

O mercado também segue atento na semana que vem à movimentação política em Brasília, após o mal-estar causado pela declaração do ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, ao dizer que empréstimos solicitados por governos estaduais à Caixa serão liberados em troca de apoio à reforma da Previdência.

Também trouxe surpresa nesta quarta-feira ao governo o pedido de demissão de Ronaldo Nogueira do Ministério do Trabalho. No lugar dele entrará o deputado Pedro Fernandes (PTB-MA), cuja posse está prevista para a quinta-feira da próxima semana.

A saída ocorreu seis horas depois de ele participar do anúncio dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrando o fechamento de 12.292 vagas de emprego formal, após uma sequência de sete meses de criação de postos.

Outro assunto que gera ruído é a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) enviada pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o decreto presidencial que concedeu indulto de Natal e comutação de penas a condenados de todo o País.

O decreto também reduziu o tempo necessário de cumprimento de pena para receber o benefício. O tempo mínimo passou de um quarto para um quinto da pena, no caso de não reincidentes, nos crimes sem violência – caso da corrupção.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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