Deputados aprovam ‘segunda sem carne’ em órgãos estaduais de São Paulo – Jornal do Comércio

Os deputados estaduais de São Paulo aprovaram, no dia 27, uma lei instituindo a “segunda sem carne” no estado paulista. O projeto depende, ainda, de sanção do governador, Geraldo Alckmin (PSDB), para entrar em vigor. Caso seja sancionado, escolas da rede pública e estabelecimentos que fornecem refeições aos órgãos públicos ficam proibidos de fornecer carnes e derivados às segundas-feiras.

O autor do projeto é o deputado Feliciano Filho (PEN). Em suas redes sociais, ele afirma que a lei “dará à população de São Paulo um dia por semana para pensar sobre a aflição dos animais nos abatedouros”.

O projeto determina, também, que estes estabelecimentos devem ter um cardápio vegetariano nos demais dias da semana, e exclui da lei hospitais públicos e demais unidades de saúde pública. A multa pelo descumprimento da lei seria de 300 unidades fiscais do estado de São Paulo, o que corresponde, hoje, a mais de R$ 7 mil.

A “segunda sem carne” é adotada em diversas cidades pelo mundo. Em outubro de 2017, o prefeito de Nova Iorque, Bill de Blasio, anunciou que 15 escolas públicas da cidade iriam aderir à ideia.

As cidades Ghent, na Bélgica, e São Francisco, na Califórnia, também têm programas para reduzir o consumo de carne às segundas-feiras, justificados por argumentos de saúde e ambientais. Em São Paulo, há unidades de restaurantes do Bom Prato que participam da “segunda sem carne” há mais de dois anos.

O deputado Feliciano Filho também é autor da lei que proíbe testes de cosméticos em animais, aprovada em 2014, e da lei que criou a Delegacia Eletrônica de Proteção Animal (Depa) para denunciar maus-tratos. Ele é vegetariano há 17 anos. “Alguns deputados reclamaram, mas, quando explicamos que era só na rede do Estado, que tinha cidades na Europa que já faziam e que Paul McCartney apoiava, eles entenderam”, disse.

“Se a pessoa não quiser comida vegetariana, ela pode ir até um restaurante do outro lado da rua. É direito dela, da mesma forma que não entro em uma churrascaria nem amarrado. A lei é importante porque as crianças vão ter oportunidade de conhecer um cardápio diferenciado.”

A lei se aplicaria também às penitenciárias, maior consumidor de carne in natura provida pelo Estado, diz o deputado. “Algumas, inclusive, já têm essa prática. Quem está achando ruim é porque não entendeu. Espero que o deputado tenha sensibilidade e sancione a lei”, diz.

Procuradas, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) não foram encontradas. A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) disse, em nota, considerar a proposta “uma interferência direta à liberdade de consumo e de escolha individual do cidadão. A medida, se sancionada, fere também a ordem econômica de mercado, regida pelo direito de produção, compra e venda de produtos lícitos no País”.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!