Com ajustes, juros futuros voltam a subir – Valor

SÃO PAULO  –  Os juros futuros terminaram a última sessão da semana, nesta sexta-feira (5), em leve alta. O movimento foi direcionado por alguns ajustes nas taxas após um começo de ano marcado pela busca de ativos mais rentáveis. 

A taxa projetada pelo contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 subiu para 8,880% nesta sexta-feira, ante 8,830% no ajuste anterior. Ainda assim, acumulou queda de 0,190 pontos nas quatro primeiras sessões de 2018, considerando o valor de fechamento de 2017.

O alívio também se evidenciou em vencimentos mais longos. O contrato de DI para janeiro de 2023 terminou com taxa de 9,780%, ante 9,760% no ajuste da véspera. O ativo deixou de operar em dois dígitos e voltou para os patamares de outubro de 2017.

Os riscos locais, de acordo com operadores, saíram do foco neste começo de ano. Isso porque, com o recesso parlamentar, o noticiário político deu uma trégua aos investidores. Por outro lado, alguns pontos de alerta continuam rondando as discussões nas mesas de operação. O julgamento em segunda instância do ex-presidente Lula, no final de janeiro, está entre os destaques, uma vez que pode definir as chances de o petista disputar a presidência.

Do lado fiscal, o debate sobre a reforma da Previdência também deve ganhar força. O cronograma do governo é votar a medida em fevereiro. Nesta sexta-feira, o que chamou a atenção foi a notícia de que o governo planeja emenda para descumprir a “regra de ouro”. Atualmente, só é permitido ao ente público se endividar para fazer investimentos ou refinanciar a própria dívida (despesa de capital). “A mudança de regras gera desconfiança, mas enquanto ainda não ganha corpo teve pouco efeito no mercado”, diz o estrategista de uma corretora local.

O que ditou o bom humor nos mercados nos últimos dias foi a busca global por rentabilidade diante de sinais de melhora da atividade nas economias desenvolvidas, o que beneficiou tanto moedas emergentes quanto as bolsas. Hoje, o dado que concentrou as atenções foi o payroll dos Estados Unidos, que mostrou um resultado mais fraco do que o esperado. Foram geradas 148 mil novas vagas em dezembro, ante estimativa de 180 mil. A reação dos ativos, no entanto, foi pontual, mostrando que não há uma mudança na leitura ainda benigna do quadro de atividade, a despeito do resultado.

A tendência positiva volta a ser testada na semana que vem. Na próxima sexta-feira (12), será conhecido o dado americano de inflação, que deve trazer novos sinais sobre o futuro da política monetária do país. No Brasil, os destaques ficam por conta da divulgação dos dados das vendas no varejo, na terça-feira (9), e de inflação, na quarta-feira (10).

Nos vértices mais curtos, o DI janeiro/2019 terminou a sessão regular a 6,975% (6,770% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2020, a 7,980% (7,930% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

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