Real tem melhor início de ano desde 2009 – Valor

SÃO PAULO  –  Além de ter perdido fôlego nesta sexta-feira (5), o dólar fechou em baixa em todas as sessões deste começo de ano. A divisa americana acumulou queda de 2,44% na semana, sendo cotada, nesta sexta, a R$ 3,2327 ante os R$ 3,3135 no fim de 2017. A sequência de quedas garantiu a 2018 o melhor início de ano para o câmbio brasileiro desde 2009. Considerando apenas as quatro sessões iniciais de cada período, o recuo mais recente do dólar só é superado pela baixa de 4,02% de nove anos atrás.

Diante da queda do dólar, o desempenho da moeda brasileira também foi positivo na comparação com as demais divisas globais. O ganho do real na semana – de cerca de 2,50% ante o dólar – levou o mercado local à segunda melhor colocação numa lista de 33 moedas, ficando atrás apenas do peso colombiano, que se valorizou 2,60%. Outros emergentes, como o peso mexicano (+2,47%), vieram na sequência.

O que ditou o bom humor nos mercados nos últimos dias foi a busca global por rentabilidade diante de sinais de melhora da atividade nas economias desenvolvidas. Hoje, o dado que concentrou as atenções foi o payroll dos Estados Unidos, que mostrou um resultado mais fraco do que o esperado. Foram geradas 148 mil novas vagas de trablho em dezembro, ante estimativa de 180 mil. A reação dos ativos, no entanto, foi pontual, mostrando que não há uma mudança na leitura, ainda benigna, do quadro de atividade, a despeito do resultado.

Por aqui, a recomposição das carteiras de investimentos, após um fim de ano mais defensivo, também acentuou o bom humor do mercado, de acordo com operadores. Por outro lado, o ritmo mais lento desta sexta-feira e algumas métricas já indicam que o espaço para quedas adicionais do dólar é limitado. Hoje, tendo oscilado entre perdas e ganhos, o dólar fechou em queda de apenas 0,01% ante o fechamento de quinta-feira (4).

Os riscos locais, de acordo com operadores, saíram do foco neste começo de ano. Isso porque, com o recesso parlamentar, o noticiário político deu uma trégua aos investidores. Por outro lado, alguns pontos de alerta continuam rondando as discussões nas mesas de operação. O julgamento em segunda instância do ex-presidente Lula, no final de janeiro, está entre os destaques, uma vez que pode definir as chances de o petista disputar a Presidência.

Do lado fiscal, o debate sobre a reforma da Previdência também deve ganhar força. O cronograma do governo é votar a medida em fevereiro. Nesta sexta-feira, o que chamou a atenção foi a notícia de que o governo planeja emenda para descumprir a “regra de ouro”. Atualmente, só é permitido ao ente público se endividar para fazer investimentos ou refinanciar a própria dívida (despesa de capital). “A mudança de regras gera desconfiança, mas enquanto ainda não ganha corpo teve pouco efeito no mercado”, diz o estrategista de uma corretora local.

A tendência positiva volta a ser testada na semana que vem. Na próxima sexta-feira (12), será conhecido o dado americano de inflação, que deve indicar novos sinais sobre o futuro da política monetária dos EUA. No Brasil, os destaques ficam por conta da divulgação dos dados das vendas no varejo, na terça-feira (9), e de inflação, na quarta-feira (10).

Fonte Oficial: Valor.

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