Aos 50 anos, Ibovespa ainda pode estar longe de seu nível máximo – Jornal do Comércio

Calculado desde 2 de janeiro de 1968, o Ibovespa, principal índice da B3, completou 50 anos no melhor estilo. No primeiro pregão de 2018, na última terça-feira, dia 2, o índice bateu seu recorde nominal histórico, chegando aos 77.891 pontos. Desde lá, a marca já foi superada outras três vezes (o recorde atual é o fechamento da sexta-feira, dia 5 com 79.071 pontos). Apesar disso, analisando a série histórica com ajustes de inflação e dólar, consultores ainda veem uma defasagem entre os níveis atuais e o apogeu do indicador.

Estudo da consultoria Economatica sobre o meio século de fechamentos do Ibovespa mostra que, quando deflacionada a série, o máximo histórico do índice seria o resultado de 124.269 apurado em 20 de maio de 2008. Segundo o gerente de Relacionamento Institucional da empresa, Einar Rivero, o índice de inflação utilizado pela Economatica para o cálculo é o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), por um motivo bastante simples: é o único entre os principais medidores de inflação que já era apurado no fim da década de 1960.

Na semana passada, pelo mesmo cálculo, o índice, que fechou 2017 em torno dos 76 mil pontos, chegou a ultrapassar os 78 mil pontos. O resultado é praticamente o dobro do pior resultado da década, visto há menos de dois anos – os 39.728 pontos de 26 de janeiro de 2016 -, mas, mesmo assim, ainda segue longe do apogeu visto em 2018. “Se olharmos o índice com lentes mais apuradas, como a série ajustada pela inflação, vemos que está muito defasado”, comenta Rivero, que justifica a importância da série deflacionada, e não a nominal, como instrumento de comparação.

Outra forma de avaliação, que é a performance do Ibovespa medida em dólares, mostra um cenário parecido. O cálculo leva em conta os fechamentos nominais divididos pela cotação da moeda norte-americana, e teve o seu ápice um dia antes do visto na série deflacionada, em 19 de maio de 2008, com 44.616 pontos. Na semana passada, o índice chegou aos 24 mil pontos, pouco mais da metade do máximo, portanto. “Em dólares, também está ainda bem abaixo do que deveria. Na visão do investidor estrangeiro, temos muito a crescer”, diz Rivero.

Com os ajustes, os resultados anuais do principal índice da B3 também mostram um quadro diferente do usualmente considerado. Enquanto, nominalmente, o Ibovespa acumula apenas 11 de seus 50 anos com resultados negativos, em dólares os anos negativos chegam a 21. Na série deflacionada, a situação é de empate: 25 anos acima e 25 anos abaixo do zero. Ambas as séries coincidem, porém, em seus extremos, consolidando, de certa forma, o ano de 1990 como o pior da história da bolsa brasileira. Naquele ano, mesmo com retorno nominal de 308,3%, a carteira teórica resultou em perdas de 74% no cálculo deflacionado (o IGP-DI foi de 1476,7% no ano), e de 72,7% na série considerando o câmbio.

Já o melhor período de ambas foi logo o ano seguinte. Em 1991, com um retorno nominal de 2.315,9%, o Ibovespa teve ganhos de 287,89% no ajuste pelo dólar, e ainda maior, de 316,38%, na série que utiliza a inflação.

Uma das máximas do mercado de capitais, que diz que no longo prazo a bolsa de valores sempre é positiva, também parece se confirmar. Em relação a outros investimentos, o Ibovespa apresenta maiores rendimentos médios anuais em todas as séries, segundo a Economatica. No nominal, a variação média nos 50 anos da bolsa foi de 101,54%, contra 83,85% da poupança e 77,25% do dólar. Na série deflacionada pelo IGP-DI, a rentabilidade média anual da bolsa foi de 6,88%, contra 0,99% da poupança e -4,23% do dólar. Já na série cambial, a valorização média anual do Ibovespa seria de 11,74%, contra 5,32% da poupança.

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Criado a partir de metodologia utilizada, à época, também na extinta Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, o Ibovespa é uma carteira teórica formada por ações negociadas na B3, sendo o principal balizador do mercado brasileiro – quando se afirma que “a bolsa subiu” ou “a bolsa caiu”, é sobre o resultado do índice que se está falando.

Por mais de 45 anos, o índice seguiu as mesmas diretrizes, com adequações apenas na forma de divulgação e diversas divisões nas pontuações. A principal porta de entrada para o cálculo da carteira era o número de negócios com a ação. O método, porém, chegou a uma encruzilhada em 2013, principalmente por conta da derrocada das empresas de Eike Batista, como a petrolífera OGX, que, em curto espaço de tempo, viram seu valor se reduzir a centavos. Como continuavam a ter liquidez, porém, causavam grande distorção na apuração do índice.

A partir de setembro daquele ano, uma nova metodologia passou a ser utilizada, levando em conta outros fatores para a composição da carteira, como um limite de participação por empresa e a exclusão das chamadas “penny stocks”, ações que valem menos de R$ 1,00. Em janeiro, maio e setembro, a B3 divulga as ações que integrarão a carteira nos quatro meses subsequentes. A atual composição, válida desde o início do mês, leva em conta 64 ações de 61 empresas. Os ativos que apresentam o maior peso na composição do índice são Itaú Unibanco PN (10,510%), Vale ON (9,993%), Bradesco PN (7,830%), Ambev S.A. ON (6,875%) e Petrobras PN (5,240%).

 

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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