Hyderabad, o Vale do Silício na Ásia – Jornal do Comércio

Quando se pensa na Índia, logo vem à cabeça a imagem do Taj Mahal, famoso mausoléu classificado pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. As fotos passam paz de espírito e calma. Mas quem visita o país a negócios, normalmente, acaba indo à cidade de Hyderabad, capital do estado de Telangana e considerada o Vale do Silício da Ásia. E, ali, tranquilidade passa longe.

Com uma população de quase 7 milhões de pessoas, Hyderabad gera um misto de encanto e choque. O que se vê nos filmes e vídeos do YouTube antes de fazer as malas é real: mulheres de burca, tuk tuks barulhentos, os trajes típicos cheios de pedrarias (sáris) sendo vendidos a preços de banana, famílias inteiras (com até quatro pessoas) andando na mesma moto, um oásis de pulseiras e muitas pérolas. Há cores vibrantes nas vestimentas e produtos, mas o céu tem um azul fosco. O motivo é a poluição gerada pelos veículos, que fazem suas próprias leis de trânsito, com pouquíssimos semáforos pelas ruas e ausência de calçadas para pedestres.

“Dói a garganta, os olhos lacrimejam, há muito pó e ruído. Mas assim é a Índia e Hyderabad”, descreve a jornalista de Buenos Aires, na Argentina, Gabriela Ensinck. Depois de passar uma semana na região a trabalho, ela pretende voltar com mais calma um dia para explorar a cultura – tão diferente da América do Sul.

Os blogs de viagem avisam que é preciso ficar alerta com a água e os alimentos, já que os cuidados de higiene na Índia diferem dos tomados em outros países. Por isso a importância de aplicar vacinas contra hepatite, febre amarela e febre tifoide antes de ir. 

Falando em comida, um prato típico é razão de orgulho nacional. O Biryani, feito com arroz e frango (ou outra carne), conquistou Ivanka Trump, filha de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, durante sua visita a Hyderabad, em novembro. “É maravilhoso estar nesta cidade cheia de transformações tecnológicas. Agora, seus centros modernos podem até brilhar mais que o famoso Biryani”, brincou ela, na abertura do evento de empreendedorismo Global Entrepreneurship Summit (GES).

Um dos pontos turísticos mais famosos de Hyderabad é o Charminar. Construído em 1591 por Mohammad Quli Qutub Shah, originalmente era uma enorme estrutura em madeira que representava o túmulo do muçulmano Imam Hussain. Hoje, é possível pagar ingresso para ir até o segundo andar do prédio e fazer belas fotos e vídeos da multidão que se acotovela nas ruas do bairro Cidade Antiga. Ao redor do local, por várias quadras, há lojas com itens tradicionais. Não é raro que ocidentais sejam parados na rua para  selfies com os nativos. 

Só não espere chegar à cidade e encontrar facilidade para quem é de fora. Empresas de ônibus de turismo, comuns na maioria dos destinos pelo mundo, não operam. Afinal, os meios de transporte precisam ser pequenos (como tuk tuks) para passar nas frestas.

Hyderabad, sete horas à frente do Brasil, é uma opção para quem quer sair da zona de conforto e ver como um país que produz soluções para o mundo inteiro, com mão de obra barata (principalmente na área de tecnologia da informação), não se beneficia disso. Internet Wi-Fi, por exemplo, é escassa. Na volta, devido às buzinas intermitentes, fica ainda mais claro o poder do silêncio para o equilíbrio mental.

*O jornalista viajou a convite do consulados dos EUA de Porto Alegre para cobrir a Global Entrepreneurship Summit (GES) 

 

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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