Migração para TV digital movimenta negócios – Jornal do Comércio

Tecnologia


Notícia da edição impressa de 08/01/2018.
Alterada em 07/01 às 22h25min

Migração para TV digital movimenta negócios

Lourdes conta que na Severo Roth são vendidos até 250 kits por dia

FREDY VIEIRA/JC

Thiago Copetti

O fim das transmissões de televisão pelo sistema analógico em 107 cidades do Rio Grande do Sul, no dia 31 de janeiro, está movimentando diferentes setores da economia e mudando a rotina de cerca de 6 milhões de gaúchos que vivem na parte Leste do Estado (em regiões como a Metropolitana, o Litoral e a Serra). No comércio, a busca por antenas e conversores de sinais – necessários para quem tem televisores mais antigos – se acelerou principalmente em dezembro. No mercado de trabalho, instaladores de antena estão com agenda cheia e chegam a recusar trabalho por falta de tempo para atender a tantos clientes. Com isso, até entidades formadoras de mão de obra, como Senai-RS, se adaptaram ao avanço da tecnologia e criaram turmas para treinamento de instaladores de antenas – os chamados antenistas.

Diretora da Severo Roth, uma das mais tradicionais lojas de eletrônica e informática de Porto Alegre, Lourdes Dallacort conta estar vendendo entre 200 e 250 kits necessários para receber o sinal digital em televisões analógicas por dia. Na última semana de dezembro de 2017, Lourdes precisou reforçar os estoques. Encomendou e recebeu 10 mil conversores para abastecer os estoques da loja localizada desde 1963 na avenida Alberto Bins, Centro de Porto Alegre. Os kits de adaptação (conversor e antena) representaram cerca de 10% do faturamento da empresa nas últimas semanas, e vem crescendo.

“Nunca imaginei que ainda havia tanta televisão antiga e de tubo sendo usada. Fomos pioneiros na venda de conversores para sinal digital na cidade, há mais de dois anos. Os dois primeiros que compramos eram enormes, do tamanho de aparelho de DVD, custavam mais de R$ 900,00. Foi quando a primeira emissora passou a transmitir digitalmente”, conta Lourdes, que calcula já ter vendido 23 mil conversores desde então.

Quem também está lucrando com a mudança são profissionais como Júlio César Araújo, que tem instalado entre duas e três antenas por dia, e até recusado trabalho. Araújo, que já atuava com sistemas de TV a cabo e antes tinha cerca de três clientes por semana, nos últimos dias tem agenda cheia e faturamento médio ampliando em 50%, pelo menos. Com tanta demanda ele acaba repassando trabalho para outros profissionais por não conseguir dar conta dos pedidos. “Tenho muito chamado que nem atendo por falta de tempo. Os pedidos para prédio e condomínios, que são mais complexos, por exemplo, encaminho para outros colegas”, conta o antenista.

O fim do sistema analógico mexe, ainda, com outro setor: o de TV por assinatura. Ao longo dos últimos dias, Araújo identificou que parte dos clientes que pedia instalação do equipamento para recepção do sinal digital estava suspendendo os serviços de TV por assinatura, para economizar sem perder qualidade de imagem, mesmo abrindo mão da diversidade de canais. “Mas também há quem, no lugar de comprar o novo equipamento, que teria custo de compra e instalação, opte por colocar um ponto a mais do cabo dentro de casa e siga utilizando o aparelho antigo”, conta o profissional autônomo.

Alessandro Maluf, diretor de produtos de vídeo da NET, avalia que, entre desistência de clientes com a melhora da qualidade da TV aberta e adesão de novos clientes ao sistema pago nas regiões onde a analógico foi desativado, o saldo é positivo. Maluf conta que, em estados onde a mudança já teve início, cresce a procura pela TV paga cerca de duas semanas antes do encerramento do sinal analógico. “E vale ressaltar que, para quem já é assinante, nada muda”, destaca o executivo da operadora.

No Brasil, diz o diretor regional da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Régis Haubert, existem cerca de 25 fabricantes de antenas e conversores de sinal analógico para digital que tiveram suas produções ampliadas em até 40% para atender o mercado neste ano. Nenhuma delas, porém, no Rio Grande do Sul. “O desligamento do sinal analógico vai liberar a faixa de 700Mhz para ampliar a oferta de internet 4G após o desligamento do sistema”, comenta Haubert.

Instituições que dão treinamento são procuradas para formação de antenistas

Maioria dos cursos de instalação tem carga de apenas oito horas

Maioria dos cursos de instalação tem carga de apenas oito horas

VISUAL HUNT/DIVULGAÇÃO/JC

Ainda que o conversor não seja necessário a todos os aparelhos – em geral os fabricados a partir de 2012 já tem ele instalado – a antena UHF externa é recomendada para todos, e o item chave do processo. É por isso que a demanda por instaladores de antenas domésticas e prediais está em alta como nunca antes. E essa mão de obra precisa ser treinada. Seja para colocar equipamento na própria casa ou como fonte de renda, a demanda acabou levando o Senai-RS a abrir turmas de qualificação específicas para isso.

De acordo com diretor regional do Senai-RS, Carlos Trein, já foram treinados pela entidade 550 pessoas. “E novas turmas devem ser abertas em janeiro, conforme a procura. O custo é de apenas R$ 70,00, com oito horas aulas, centradas em um único dia, já que a instalação é bastante simples”, diz Trein.

A mão de obra qualificada pelo Senai se soma, no Estado, aos mais de 900 jovens já treinados pelo Seja Digital. Criado por determinação da Anatel para auxiliar no processo de transição e adaptação digital, especialmente das comunidades mais carentes, o Seja Digital oferece treinamento no local de retirada dos kit gratuitos – para quem participa de programas sociais, por exemplo – e na Escola Técnica Mesquita, na zona Norte de Porto Alegre. O trabalho do Seja Digital, segundo a mobilizadora regional Iris Monteiro, se intensifica no Estado agora em janeiro, o que exigirá muito trabalho da equipe de mais de 900 pessoas que está percorrendo as principais cidades que terão o sistema alterado no dia 31, tirando dúvidas e também instalando antenas.

Transição no Estado deve ocorrer sem problemas

A aposentada Suzete Maria de Souza, 69 anos, moradora da Capital, tinha até o final de dezembro cinco aparelhos de televisão de tubo em casa, além do aparelho antigo que mantém na casa da praia. Apesar de ainda não ter comprado os kits digitais, Suzete garante que já não tinha mais dúvidas sobre o sistema. “Já me informei bastante e estou tranquila. Primeiro vou comprar kits para duas televisões”, conta Suzete. Mas antes mesmo da instalação dos kits nos aparelhos de tubo, ela adquiriu sua primeira TV digital, desejo antigo que foi concretizado com as novas exigências de transmissão.

Para o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, o movimento de compra de novos aparelhos não deve apresentar grandes variações em janeiro, mesmo se aproximando da data em que os equipamentos antigos deixarão de receber o sinal. Isso porque muitos clientes já teriam feito a compra de novos televisores no final do ano, com o 13º salário ou mesmo durante promoções como a Black Friday. “Além disto, a popularização dos televisores inteligentes (Smart TV) contribuiu para que boa parte da população já tenha adquirido ao menos um aparelho com esta tecnologia no período recente”, pondera.

Para Rafael André Baldo de Lima, gerente regional da Anatel no Estado, além do fato de muito gaúchos já terem aparelhos produzidos após 2012 (que dispensam qualquer adaptação), a ampla divulgação deve garantir um processo de mudança tranquilo em todo o Estado.

“Não temos registros de problemas ocorrendo em nenhum local onde a mudança já foi feita. Mas quem instalar apenas a antena interna pode ter problemas na recepção. É a externa que vai garantir a recepção do sinal”, afirma Lima. Ainda nova para muitos, a transmissão digital e sua high definition (HD) é uma tecnologia “ultrapassada” e sede lugar a outra geração de qualidade de imagem, a 4k, que tem quatro vezes mais definição do que o sistema HD, afirma o professor de comunicação e mídia da Pucrs, Eduardo Pellanda. Doutor e pesquisador na área de tecnologia e coordenador do Laboratório de Pesquisa em Mobilidade e Convergência Midiática (Ubilab), Pellanda acompanha o tema desde o início do projeto, há uma década, quando a Pucrs chegou, inclusive, a se envolver em parte do desenvolvimento da nova tecnologia. “O processo no Brasil foi muito lento e quando começamos a implantar o sinal digital ele já estava ultrapassado por outra tecnologia. O Brasil vai viver simultaneamente com três realidades distintas: o sinal analógico, o digital e o 4 k, que já existe em aparelhos mais modernos”, afirma.

 

Tire suas dúvidas sobre a mudança

O que acontecerá quando o sinal analógico de TV for desligado em minha cidade?

Assim que o sinal analógico de TV for desligado, toda a programação dos canais abertos transmitidos pelo sinal analógico deixará de ser exibida. A tela de sua TV exibirá uma mensagem informando que o sinal analógico foi desligado e que a programação continua sendo exibida pelo sinal digital.

Por que preciso de uma antena UHF?

Porque outros modelos de antena não captam o sinal digital de televisão. Sem uma antena UHF, os televisores não poderão exibir a programação dos canais abertos de televisão transmitidos pelo sinal digital.

Por que preciso de um conversor?

Só precisará de um conversor quem utiliza TVs de tubo ou TVs de tela plana que não tenham o conversor embutido. Para ter certeza se o televisor já tem o conversor embutido, consulte o manual do fabricante.

Preciso comprar uma televisão nova?

Não. Todas os televisores podem ser utilizados para assistir os canais abertos transmitidos pelo sinal digital. Porém, seu televisor pode precisar de adaptações. Se o aparelho for uma televisão de tubo, será necessário instalar um conversor de sinal. Se o televisor for de tela fina e não tiver o conversor embutido, também precisará de um conversor de sinal. Para ter certeza se o televisor já tem o conversor embutido, consulte o manual do fabricante. Cada televisor precisa de um conversor externo, desde que não tenha o conversor embutido.

Posso usar qualquer tipo de antena para captar o sinal digital?

Não. A antena deve ser UHF e, de preferência, externa, instalada no telhado de casa.

Posso usar o conversor com uma TV que já vem com um conversor embutido?

Não há necessidade, pois a TV com conversor embutido só precisará estar conectada a uma antena UHF para encontrar os canais transmitidos pelo sinal digital.

Qual o tipo de antena mais adequado?

Antena externa: Usada no telhado das casas. É a mais indicada para captar o sinal digital.

Antena interna: Pouco recomendada para captar o sinal digital, pois pode sofrer influência de barreiras, como paredes.

Antena coletiva: Indicada para captar o sinal digital em prédios ou condomínios. Fale com o seu síndico para saber se o seu prédio já possui essa antena.

Fonte: Seja Digital

Onde buscar mais informações

Cidades gaúchas que ficarão sem sinal analógico no dia 31 de janeiro

Alto Feliz, Alvorada, Araricá, Arroio do Meio, Arroio dos Ratos, Balneário Pinhal, Barão, Barão do Triunfo, Barra do Ribeiro, Bento Gonçalves, Boa Vista do Sul, Bom Retiro do Sul, Brochier, Butiá, Cachoeirinha, Campestre da Serra, Campo Bom, Canela, Canoas, Capela de Santana, Capivari do Sul, Carlos Barbosa, Caxias do Sul, Charqueadas, Cidreira, Colinas, Dois Irmãos, Eldorado do Sul, Estância Velha, Esteio, Estrela, Farroupilha, Fazenda Vilanova, Feliz, Flores da Cunha, Garibaldi, General Câmara, Glorinha, Gramado, Gravataí, Guaíba, Harmonia, Igrejinha, Imbé, Imigrante, Ivoti, Lajeado, Linha Nova, Monte Belo do Sul, Montenegro, Morro Reuter, Nova Petrópolis, Nova Roma do Sul, Nova Santa Rita, Novo Hamburgo, Osório, Palmares do Sul, Pareci Novo, Parobé, Paverama, Picada Café, Portão, Porto Alegre, Presidente Lucena, Rolante, Santo Antônio da Patrulha, São Francisco de Paula, São Jerônimo, São José do Hortêncio, São José do Sul, São Leopoldo, São Marcos, São Sebastião do Caí, Sapiranga, Sapucaia do Sul, Tabaí, Tapes, Taquara, Taquari, Teutônia, Tramandaí, Três Coroas, Triunfo, Tupandi, Vale Real, Veranópolis, Viamão, Westfália, Xangri-Lá, Bom Princípio, Marata, Mato Leitão, Minas do Leão, Nova Pádua, Salvador do Sul, Santa Clara do Sul, São Pedro da Serra, São Vendelino, Sentinela do Sul, Capitão, Cotiporã, Cruzeiro do Sul, Ipê, Lindolfo Collor, Nova Hartz, Pouso Novo, São Valentim do Sul.


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Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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