Antigo bar da Arquitetura da Ufrgs reabre na ‘Esquina Maldita’ em Porto Alegre – Jornal do Comércio

Os frequentadores do Campus Central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) que estavam ‘órfãos’ do antigo ‘bar da Arquitetura’ já podem reencontrar o tradicional restaurante em novo local. Mais do que a volta à ativa do extinto Villandry, o agora batizado Bendita Esquina renova o encontro das avenidas Sarmento Leite e Osvaldo Aranha, ponto clássico da rota universitária na Capital e conhecido como a “Esquina Maldita”.

Antes da nova casa, o restaurante funcionou por duas décadas no Campus Central da Ufrgs, no espaço que abriga o café da Faculdade de Arquitetura, menos de 200 metros do novo endereço. Na última licitação, no entanto, a proprietária Maria Helena Ravasio perdeu a disputa e teve de encerrar as atividades em dezembro de 2016.

Maria Helena conta que os próprios clientes pediam pela volta do estabelecimento. “Quando viemos para a Ufrgs, colocamos o primeiro restaurante com bufê na universidade. E ficamos 20 anos ali. O pessoal estava acostumado comigo e perguntava quando eu ia voltar”, narra a ex-concessionária. Foi então que comprou o ponto e, com ajuda de uma arquiteta, cliente e ex-aluna da Arquitetura, planejou a retomada.

Há cerca de um mês no novo endereço, o nome diferente não parece ser problema para os antigos clientes, que logo reconhecem o mesmo o cardápio e os mesmos funcionários, inclusive com o uniforme característico. “Mesmo sendo janeiro, o movimento já está bem melhor do que era na Ufrgs nesta época, porque atinge a um público que não é somente da universidade, como moradores da região e outros frequentadores”, avalia.

O ponto é antigo na história porto-alegrense, sobretudo pela efervescência política e cultural que deu vida ao local. Quatro estabelecimentos na curva das avenidas formavam a “Esquina Maldita”: o Bar Estudantil, o Copa 70, o Alaska e o Mariu’s, este último em atividade até hoje.

O jornalista e escritor Paulo César Teixeira, autor de livro que conta a história da esquina, lembra que o local era um point boêmio da juventude durante os anos de 1960 e 1970. “A esquina era frequentada por dois públicos: uma parte por estudantes da Ufrgs, quando ainda não exista o Campus de Vale, e outra parcela de hippies, que questionavam comportamentos e costumes da época”, descreve o escritor.

A proximidade com o campus, principalmente da Arquitetura e dos cursos de Humanas, criou um ponto de aglutinação de artistas, intelectuais e jornalistas. “Muita coisa surgiu ali em termos de música, teatro, cinema e cultura de Porto Alegre”, recorda Teixeira, ponderando que a retomada do ponto não significa a volta ao que o local representava.

“A coisa fica na homenagem. Os tempos não voltam e as circunstâncias que criaram a ‘Esquina’ não existem mais. A juventude é outra e os tempos são outros, mas é bonita a homenagem de ocupar um espaço e respeitar a história do lugar.”

No Bendita Esquina, além do nome, a memória está presente também em encartes depositados nas mesas que trazem trechos do livro de Teixeira para contar a história aos clientes que não viveram a época. “De início eu não sabia muito da história, mas tivemos a preocupação de preservar e, para mim, é uma grande felicidade estar aqui”, conta Maria Helena.

“A princípio eu queria manter o nome, mas já que vamos mudar, tem de ser um nome diferente, pensei”, acrescenta. “Esquina Maldita” não é um nome que pega muito bem para alimento, então encontramos em “Bendita Esquina” uma solução. O local oferece cafés, tortas, lanches e almoço e abre das 7h às 20h de segunda à sexta-feira.

> Confira na galeria de fotos como ficou o novo espaço:

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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