ANÁLISE: Com equilíbrio, China muda de novo cálculo da taxa de câmbio – Valor

SÃO PAULO  –  O Banco Central da China (PBoC, ou People’s Bank of China) suspendeu ontem (9) o uso de um mecanismo usado para dar suporte à taxa de câmbio (USD/CNY) e conter a fuga de capitais do país. Aparentemente, a medida reflete uma maior confiança da autoridade de que os riscos de depreciação desordenada desapareceram.

O PBoC suspendeu o uso de um “fator de ajuste anticíclico” para calcular sua orientação diária para a taxa de câmbio do renminbi, informou a agência Bloomberg. 

Esse mecanismo foi adotado em maio de 2016, mais de um ano depois de o banco central ter mudado a forma com que calculava o “preço médio” (ou taxa de paridade central)  para a moeda chinesa em relação ao dólar.

Naquele momento, em agosto de 2015, o PBoC operava a determinação do câmbio (“peg”) em uma banda de flutuação de dois pontos percentuais ao dia. Ocorre que, em muitas situações, a autoridade ignorava as forças de mercado (oferta versus demanda) quando definia a taxa, por exemplo, valorizando (ou o contrário) a moeda quando o mercado via força oposta.

Então o BC mudou a forma de atuação, passando a usar, ao invés de um mecanismo fixo centralizado na relação dólar/yuan, as cotações colhidas dos “primary dealers” com base no fechamento do interbancário do dia anterior. O objetivo era tornar a taxa de câmbio mais orientada para o mercado ou, num espectro mais amplo, incorporá-la de forma mais forte ao sistema financeiro global e torná-la elegível a compor a cesta de moedas que integram o SDR, ou direitos de saques especiais, do Fundo Monetário Internacional (FMI), que é um ativo de reserva global.

Já em maio de 2016, houve nova mudança: o PBoC acrescentou o “fator de ajuste anticíclico”, descrito pela instituição como uma forma de evitar mudanças “irracionais” dos movimentos do mercado e reduzir a volatilidade cambial. A adoção do fator foi vista como um retrocesso na campanha do PBoC para aumentar a flexibilidade cambial e acabou levando a uma imposição de controles de capital.

Com a mudança de hoje, a leitura dos agentes é que as autoridades chinesas estão mais confiantes de que as pressões de depreciação da moeda do país diminuíram. Para o Nomura, “o fim do fator anticlíco pode resultar em preocupações de curto prazo de que as autoridades poderiam permitir a depreciação cambial”. Mas acrescenta que não acredita “que este seja o objetivo” [do BC], vendo “a mudança como provavelmente relacionada com a permissão pelas autoridades de uma maior flexibilidade do câmbio”.

O banco diz que a realidade é que o cenário global de fluxos na China tornou-se muito mais equilibrado nos últimos meses. De agosto a dezembro, as reservas internacionais ajustadas aumentaram US$ 2,2 bilhões, depois de diminuírem US$ 215 bilhões nos 12 meses encerrados em junho de 2017 (o saldo atual é de US$ US$ 3,14 trilhões). 

No mais, a perspectiva é de um fluxo ainda equilibrado no futuro próximo. “O ambiente parece definido para um cenário de crescimento local ainda relativamente forte, condições externas favoráveis, expectativas externas positivas para o  renminbi, aumento das entradas de carteira por estrangeiros e remessas de câmbio mais fortes dos exportadores”, pontua o Nomura.

Fonte Oficial: Valor.

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