Ilan rebate tese de que recessão fez cair inflação em 2017 – Valor

BRASÍLIA  –  O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse que alimentos e gasolina pressionaram a inflação de dezembro, que ficou acima das expectativas do mercado e do que o BC projetava no seu último relatório. Para ele, daqui para frente a tendência é que a inflação seja mais volátil, mas ressaltou que é preciso olhar a tendência do índice de preços.

Ilan rebateu a ideia de que a inflação teria caído por conta da recessão. Para ele, o que houve foi que a recessão começou a ser revertida a partir da melhora nas expectativas inflacionárias. “Não é que a recessão gerou inflação baixa, mas sim que a mudança na inflação que nos ajudou a sair da recessão”, disse.

A inflação baixa é boa, não tem nada de errado com o IPCA de 2017, afirmou Ilan. Segundo ele, com a inflação baixa, a discussão técnica se ela está ou não dentro dos limites do regime de metas é secundária. “O objetivo é manter a inflação baixa neste e nos próximos anos”, disse, após ser questionado por qual motivo inflação abaixo de 3% teria uma conotação negativa.

Alimentos

Ele ainda reiterou a forte queda no preço dos alimentos. “A razão principal de ter [o IPCA] ficado abaixo da meta é item que está fora do controle do BC, que é a inflação de alimentos, que teve deflação de 4,85%”, afirmou.

“Isto é uma boa notícia para a população. Ela teve a maior queda da série histórica do IPCA. Isso fez a inflação ficar abaixo da meta de 4,5% e explica quase tudo do desvio da meta”, acrescentou. Segundo ele, a deflação de alimentos não deveria ser combatida pela política monetária. “Bons princípios da política monetária significam deixar essa queda de alimentos se revelar para a população”, afirmou.

Alta da inflação

Ilan reiterou a mensagem da carta aberta enviada ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de que a inflação já entrou em trajetória de alta. “Sabemos que a inflação em algum momento já chegou em valor menor e agora está em fase de subida”, disse, acrescentando que ela continuará em alta em 2018, indo gradativamente em direção à meta.

Ele reiterou a projeção de alta de 4,2% para o IPCA de 2018, próximo à meta de 4,5%.

“O BC tem calibrado a política monetária com vistas à meta”, afirmou, ressaltando que o BC também tem atuado para atingir os objetivos de 2019 e 2020.

Segundo ele, o processo de flexibilização monetária depende do balanço de riscos, atividade, projeções e expectativas. “O BC vai continuar trabalhando para que 2018 seja tão positivo quanto 2017 do ponto de vista macroeconômico”, disse Ilan, que antes havia destacado que o juro chegou à mínima histórica de 7%, o IPCA ficou abaixo de 3% e o crescimento deve ficar em torno de 1%, o dobro do que se esperava.

Câmbio

Durante a coletiva, o presidente do BC afirmou que a taxa de câmbio não é instrumento para o controle da inflação. “Para controlar a inflação temos a taxa básica de juros que segue como nosso instrumento principal”, disse ao ser questionado sobre eventual preocupação com a relação dólar/real em 2018. “O câmbio é flutuante e temos posição confortável.”

Segundo Ilan, a taxa de câmbio é uma variável relevante para a inflação, mas que não foi importante em 2017. “A inflação foi mais baixa em 2017 por causa das expectativas, inflação de alimentos e não tanto pelo câmbio”, disse.

Para frente, disse, “o câmbio sempre pode ser algo”, mas lembrou que a taxa é flutuante e que o país está com um balanço de pagamentos muito confortável, com elevado fluxo de capital via Investimento Direto no País (IDP), reservas internacionais de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) e menor estoque de contratos de swap cambial.

Fonte Oficial: Valor.

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