Juro futuro de curto prazo tem maior alta em dois meses – Valor

SÃO PAULO  –  As taxas de DI de curto prazo tiveram, nesta quarta-feira (10), a maior alta em dois meses, enquanto a inclinação da curva caiu, após o IPCA de dezembro surpreender ao vir bem mais alto que o esperado e lançar dúvidas sobre o espaço para mais cortes da Selic após a redução já contratada para fevereiro.

Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro/2019 – que reflete apostas para o patamar da Selic ao fim de 2018 – estava em 6,860%, contra 6,81% no ajuste anterior – se a alta de 5 pontos-base for mantida até o fechamento, será o maior acréscimo desde 9 de novembro, quando essa taxa também avançou 5 pontos-base.

Entre a terça (9) e esta quarta, a probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual da Selic no encontro do Copom de março caiu de 42% para pouco menos de 18%. A precificação leva em conta um decréscimo de 0,25 ponto em fevereiro e tem como base o DI julho/2018.

O IPCA avançou 0,44% em dezembro, bem acima da previsão média de analistas consultados pelo Valor Data (0,31%). A inflação ficou em 2,95% em 2017 (2,80% era o esperado por analistas consultados pelo Valor Data).

A diferença na inflação realizada e projetada colocou em xeque a expectativa de juros muito mais baixos. O UBS ainda vê Selic de 6,75% ao fim de fevereiro, mas acredita que o BC finalizará aí o ciclo de distensão monetária.

“A recuperação econômica e a normalização da inflação à meta sugerem que o BC pausará o ciclo em 6,75%”, diz a casa em nota, na qual reitera estimativa de IPCA de 4% para 2018 – ainda, portanto, abaixo do centro da meta, de 4,5%.

O intenso ciclo de queda dos juros foi um dos argumentos mais citados para explicar o aumento da inclinação da curva – diferença entre taxas longas e curtas. Com o IPCA de hoje reforçando expectativa de fim do ciclo de afrouxamento monetário, as taxas dos vértices mais dilatados tiveram algum alívio (ou subiram menos), a despeito da pressão na curva de juros americana.

Dessa forma, a inclinação – uma medida de risco – cedeu. O spread entre os DIs janeiro/2021 e janeiro/2019 caiu 2 pontos-base, para 206 pontos-base.

“O noticiário doméstico teve mais peso hoje. Além do IPCA, as informações sobre equipes econômicas de pré-candidatos à Presidência também foram analisadas”, diz Luis Laudísio, operador da Renascença.

O DI janeiro/2021 ia a 8,920% (8,9% no ajuste de ontem) e o DI janeiro/2023 caía para 9,740% (9,78% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

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