Presidente do BC nega atraso no ritmo de corte de juros |

Brasília - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, durante reunião no Ministério da Fazenda (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O Banco Central (BC) não atrasou os cortes de juros mesmo com a queda da inflação, disse hoje (10) o presidente do órgão, Ilan Goldfajn. Segundo ele, foi justamente a cautela no ritmo de redução da taxa Selic (juros básicos da economia) que ajudou a segurar a inflação em 2017 ao influenciar as expectativas dos agentes econômicos e derrubar os preços dos serviços, que resistiam em cair em anos anteriores.

“Há uma crítica de que, se a inflação ficou baixa, [o BC] poderia reduzir o juro mais cedo. Nossa visão é outra. Nossa atuação no começo [do ciclo de corte de juros] é que propiciou a inflação mais baixa. Estou falando de expectativas, isso reduziu preços de serviços. Nossa visão não é que houve atraso, mas aquilo é que permitiu a inflação ficar baixa”, disse Goldfajn em entrevista coletiva para explicar por que a inflação oficial em 2017 ficou abaixo do piso da meta.

No ano passado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 2,95%, inferior ao valor mínimo de 3% estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Em 2015, o CMN tinha fixado a meta de inflação para 2017 em 4,5%, com 1,5 ponto percentual de tolerância, o que permitiria o índice ficar entre 3% e 6%.

A inflação começou a cair no segundo semestre de 2016, atingindo 2,46% no acumulado de 12 meses em agosto de 2017, o menor nível da história. A partir de setembro, o IPCA voltou a subir lentamente até encerrar o ano passado em 2,95%. Paralelamente, o BC começou a cortar a Selic, que passou de 14,25% ao ano em outubro de 2016 para 7% ao ano no mês passado, no menor nível da história. Os juros básicos são o principal instrumento de controle da inflação pela autoridade monetária e só são reduzidos se a autoridade monetária tiver segurança de que o barateamento do crédito não vai gerar aumentos de preços.

Expectativas

Assim como na carta divulgada pelo BC, Goldfajn reiterou que a inflação voltará a subir um pouco em 2018, devendo encerrar o ano próxima do centro da meta, de 4,5%. A última edição do Relatório de Inflação, divulgada pelo órgão em dezembro, projeta IPCA de 4,2% para 2018 e 2019. Para Goldfajn, a alta da inflação não representa uma ameaça ao poder de compra porque está relacionada à retomada da economia e ao crescimento do emprego.

“O benéfico para a população de a inflação ficar na meta [em torno de 4,5% em 2018] é que isso está associado à retomada do crescimento, à volta do emprego, do poder de compra. O crescimento [do PIB] neste ano é maior, se imagina, de 2,5%”, ressaltou. Ele acrescentou que alguns analistas preveem crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos) de 3%, embora essa projeção ainda não esteja incorporada às estimativas oficiais do BC.

Mesmo com a leve alta na inflação projetada para este ano, o presidente do BC assegurou que a autoridade monetária continuará trabalhando para manter os índices em níveis baixos. “Para a população, a inflação caiu, e é como perder peso. Nosso objetivo é manter o peso menor. Vamos comemorar a queda e vamos trabalhar para manter a inflação baixa”, comentou.

Sobre a possibilidade de a inflação subir por causa de uma alta do dólar motivada pelas tensões eleitorais, Goldfajn afirmou que o BC está preparado para agir por meio da venda de divisas no mercado futuro, em operações conhecidas como swaps cambiais, para segurar a cotação no caso de turbulências no mercado financeiro. Ele, no entanto, disse que o câmbio não é o principal instrumento de controle da inflação, mas sim, os juros básicos.

 

Edição: Fernando Fraga

Fonte Oficial: EBC.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!