Criptomoedas: especulação ou valor? | EXAME – Exame

Existe farto material sobre criptomoedas à disposição dos interessados. De autores geeks a influentes economistas e financistas. E, até o momento, não consegui encontrar fundamento na literatura sobre o assunto que sustente  o valor que o mercado vem atribuindo às criptomoedas.

Certamente é um terreno propício à especulação desenfreada e tudo indica que se trata de um movimento de manada – para não falar em bolha – para aqueles que enxergam nessas criptomoedas o seu “Eldorado”. Se essa percepção se tornar popular, é bastante possível que essa suposta bolha estoure, com prejuízos irrecuperáveis para os mais lentos em zerar suas posições.

Não questiono o avanço conquistado pela tecnologia do blockchain com seus smart contracts entre outras funcionalidades. Entretanto, acredito que esse avanço se restrinja à área dos meios de pagamentos, sua cadeia e grau de segurança – como uma alternativa àquela já existente. Extrapolar isso para outras áreas e, até, acreditar na ruptura do atual sistema monetário, me parece exagero.

A questão é entender qual valor essas criptomoedas trazem à economia e aos seus possuidores. De início, elas não são a razão de ser da tecnologia do blockchain, ao contrário; são apenas um subproduto dessa tecnologia. Sem o blockchain elas não existiriam com as características que lhes são atribuídas; estando, portanto, ligadas a ela de maneira intrínseca.

Ao analisar um ICO (Initial Coin Offerimg) frente a um IPO (Initial Public Offering), poderia se afirmar que, excetuando-se algumas diferenças em termos de estruturação e regulação, ambas operações se prestam à mesma finalidade: levantar fundos para um projeto/empresa. No entanto, enquanto o preço das ações compradas em um IPO estará atrelado ao lucro/resultado obtido no projeto realizado pela empresa, no ICO o preço da criptomoeda estará atrelada a o que?

Dessa forma, se faz necessário que as criptomoedas tenham seus preços atrelados aos resultados que produzem, caso queiram ser entendidas como ativos; ou funcionem como reserva de valor e possuam certa estabilidade – o que não quer dizer que não estariam atreladas a alguma coisa, como no caso das moedas tradicionais, cujo valor está atrelado à saúde econômica do país emissor -, além de funcionar como meio de troca, caso se candidatem à posição de moedas digitais propriamente ditas.

Cabe uma pergunta aos entusiastas das criptomoedas: estariam eles dispostos a fazer a poupança de suas aposentadorias ou, mesmo, a poupança de seus filhos nessas criptomoedas?

Por fim, será que o Bitcoin e suas altercoins não poderiam ser substituídos (ou ao menos complementados) por criptodólares, criptoeuros e até, quem sabe, por criptoreais?

Por que moedas tradicionais como essas, que já cumprem (bem ou mal) com todas as funções de uma moeda, não poderiam possuir suas altermoedas digitais? Não poderia ser esse avanço o suficiente para o estágio atual dos meios de pagamentos correntes?!?!?

Fontes utilizadas

http://aswathdamodaran.blogspot.com.br/2017/08/the-crypto-currency-debate-future-of.html

https://blockgeeks.com/guides/what-is-cryptocurrency/

https://blockgeeks.com/guides/smart-contracts/

https://masterthecrypto.com/differences-between-cryptocurrency-coins-and-tokens/

https://masterthecrypto.com/crypto-ico-vs-stock-ipo/

Fonte Oficial: Exame.

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