Dólar vai à mínima em 12 semanas com exterior se sobrepondo a S&P – Valor

SÃO PAULO  –  Os investidores do mercado de câmbio virtualmente ignoraram o rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela S&P, anunciado na noite da quinta-feira (11). O dólar fechou em queda pelo terceiro pregão seguido, nesta sexta-feira (12), perdendo por um momento o suporte de R$ 3,20 e fechando no menor patamar em 12 semanas.

A cotação negociada no mercado interbancário cedeu 0,37%, a R$ 3,2058. É o menor nível desde 20 de outubro do ano passado (R$ 3,1887).

Durante os negócios, a moeda desceu a R$ 3,1998, abaixo de R$ 3,20 pela primeira vez desde 23 de outubro de 2017, dia em que chegou a marcar R$ 3,1899.

Das nove sessões deste ano, o dólar caiu em sete. No acumulado das duas primeiras semanas de 2018, a divisa cede 3,25%, o que deixa o real no posto de quarta moeda com melhor desempenho no período. Apenas o peso colombiano (4,28%), a coroa norueguesa (3,46%) e o peso mexicano (3,41%) têm performance melhor que o real, considerando uma lista de 33 pares do dólar.

Dessa lista, 30 moedas ganham contra o dólar neste ano. Portanto, o movimento não é exclusivo do Brasil. Analistas citam a confiança no crescimento sincronizado da economia mundial e a valorização das commodities como gatilhos principais para a queda da moeda americana, frente a divisas emergentes, cenário que reflete a busca por ativos considerados mais arriscados, mas também com maior retorno.

O índice CRB de matérias-primas caminha para fechar esta sexta-feira no maior patamar desde novembro de 2015. O ICE U.S. Dollar Index – que mede a variação do dólar em relação a uma cesta de seis divisas – bateu, durante os negócios, o nível mais baixo desde dezembro de 2014. E o WisdomTree Emerging Currency Strategy Fund – ETF, que mede os retornos de investimentos em uma lista de moedas emergentes – operava nas máximas desde outubro de 2014.

Efeito Lula

O pano de fundo global ajuda a explicar por que o câmbio doméstico conseguiu desviar dos efeitos negativos vindos do novo corte do “rating” brasileiro, desta vez pela S&P. A fraqueza das contas públicas e as dúvidas sobre potenciais candidatos à eleição de outubro ficam em segundo plano quando confrontadas com a expectativa de que o ex-presidente Lula seja impedido de concorrer ao pleito, decisão que pode vir no dia 24, data prevista para o julgamento do presidente pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4).

“Se a condenação for confirmada, o dólar pode testar os patamares de R$ 3,10”, diz Joaquim Kokudai, sócio-gestor da JPP Capital.

A incerteza com as eleições, por ora, não leva investidores a prever de forma consensual taxas extremas para o dólar, embora alguns analistas não descartem que a moeda possa alcançar R$ 3,70 mais perto de outubro. O Bank of America Merrill Lynch, por exemplo, ainda projeta dólar de R$ 3,35 em setembro, mas nem por isso deixa de fazer ressalvas sobre os riscos à frente.

A instituição, inclusive, reduziu sua avaliação para o real de “otimista” para “neutra”, citando a fraqueza das contas fiscais, os desdobramentos em torno da reforma da Previdência e a esperada volatilidade ligada à eleição presidencial. Gabriel Tenorio, estrategista de câmbio e renda fixa do BofA, cita a possibilidade de o ex-presidente Lula concorrer à eleição como um fator a trazer volatilidade para o câmbio. Tenorio diz que a potencial vitória do petista poderia representar o desmonte da atual política pró-mercado do governo.

“Qualquer aumento nas preocupações sobre como a situação fiscal será resolvida pode ser negativo. E uma correção generalizada nos ativos de emergentes na esteira de juros mais altos no mundo e de um dólar mais forte também pode enfraquecer o real”, acrescenta Tenorio.

Fonte Oficial: Valor.

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