Em dia de giro baixo, Ibovespa volta a subir – Valor

SÃO PAULO  –  Numa sessão de baixa liquidez por causa do feriado americano do Dia de Martin Luther King, comemorado nesta segunda-feira (15), a bolsa encontrou motivos para voltar a subir. Dados positivos de atividade e notícias corporativas dão fôlego às ações, embora operadores digam que a expectativa por uma agenda importante nos próximos dias inspire alguma cautela.

Às 13h30, o Ibovespa subia 0,37% para 79.654 pontos. Na máxima, tocou os 79.847 pontos. 

Nesse horário, a maior alta era CPFL Energia ON (4,36%), em reação à expectativa de que a chinesa State Grid, controladora da companhia, terá que fazer uma nova oferta pública de aquisição de ações (OPA) para tirar a empresa do Novo Mercado. 

As varejistas também mostram vigor. Iguatemi tem alta de 2,32%, puxada pelo resultado mais forte do que o esperado do IBC-Br, prévia do Produto Interno Bruto (PIB) mensal calculado pelo Banco Central, referente a novembro. O indicador subiu 0,49%, ante estimativa média de 0,44% colhida pelo Valor Data.

Para Fernando Barroso, head de mercado de capitais da CM Capital Market, embora a bolsa esteja operando em alta, há um sentimento de cautela permeando o mercado, que aguarda pelo julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Um placar dividido, de dois a um, poderia gerar uma correção da bolsa”, afirma. Ele também chama a atenção para o risco de novos rebaixamentos por outras agências de rating, depois que a S&P cortou a nota do Brasil, de BB para BB-.

Hoje, a Moody’s afirmou, em relatório, que o Brasil não deve conseguir cumprir a chamada “regra de ouro”, o que pressionará o rating do país.

Entre as maiores quedas do horário estão Estácio (-0,85%) e Bradespar (-0,95%).

Câmbio

O cenário externo abre caminho para nova queda do dólar nesta segunda-feira. A moeda opera ao redor de R$ 3,20, angariando a quarta sessão consecutiva de queda.

Num dia de baixo volume de negócios por causa do feriado nos EUA, o bom humor no exterior dita o tom dos negócios no mercado local. Numa lista de 33 divisas globais, apenas seis perdem terreno ante o dólar. Os destaques positivos são o desempenho do peso mexicano e do dólar da Austrália, pares do real brasileiro.

Por volta das 13h40, o dólar comercial recuava 0,25%, a R$ 3,2055. O contrato futuro para fevereiro, por sua vez, cedia 0,22%, a R$ 3,1986. 

O ambiente externo é favorável a ativos de risco, como os brasileiros. O cenário é caracterizado por sinais de crescimento sincronizado das principais economias globais, ao mesmo tempo em que os juros globais seguem baixos. Por outro lado, os especialistas apontam que a tendência do dólar é para cima.

Para o estrategista-chefe no Banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno, é uma questão de tempo para a inflação nos EUA começar a ganhar força e o Federal Reserve (Fed) apertar a política monetária. “E internamente, a chance de aprovação da reforma da Previdência é baixa e isso se soma à incerteza com as eleições”, diz o especialista.

A importância dos eventos políticos daqui para frente, principalmente aqueles que afetam o cenário eleitoral, tornam as apostas para os ativos menos claras. O estrategista da Coinvalores, Paulo Nepomuceno, estima que o dólar terminará 2018 entre R$ 3,30 e R$ 3,40. Ainda assim, deve ser observada grande volatilidade no meio do caminho.

Juros

Em dia de baixíssima liquidez, os juros futuros apontam para baixo. Os agentes financeiros aproveitam o feriado nos EUA e ausência de grandes catalisadores na cena local – que limitam o volume de negócios – para executar alguns ajustes ao longo da curva.

Os negócios se concentram em vencimentos curtos e intermediários, cujas taxas também mostram as quedas mais claras. Nas taxas curtas, o ajuste se dá após terem sido pressionadas pela reversão de apostas num ciclo de corte de juros mais extenso.

O DI janeiro de 2019 projeta taxa de 6,895%, ante 6,925% no ajuste anterior. Já o DI janeiro de 2020 recua a 7,990% ante 8,060% na mesma base de comparação.

O movimento é beneficiado pela queda global do dólar e a consequente valorização da moeda brasileira. “A apreciação do câmbio ajuda a consolidar a aposta de corte de juros em fevereiro, mesmo que uma queda mais agressiva da Selic já tenha sido descartada”, diz o estrategista-chefe do banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno.

O cenário lá fora é caracterizado por sinais de crescimento sincronizado das principais economias globais, ao mesmo tempo em que os juros globais seguem baixos. “A inflação baixa dá subsídio para o Fed não precisar subir tão rapidamente os juros, mesmo com a nova política fiscal americana”, diz o estrategista da Coinvalores, Paulo Nepomuceno.

Entre outros vencimentos, o DI janeiro/2021 cai a 8,830% (8,890% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2023 recua a 9,610% (9,640% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!