Moody’s: alta chance de descumprimento da regra de ouro é negativa para rating – Jornal do Comércio

A agência de classificação de risco Moody’s Investors Service alerta nesta segunda-feira (15) que a “alta probabilidade” de o governo brasileiro não conseguir cumprir a chamada regra de ouro em 2019 é negativa para o rating do País. A avaliação dos analistas da instituição é que o Planalto vai acabar sendo forçado a pedir “uma exceção à regra”, fixada pela Constituição e que impede o governo de aumentar o endividamento para financiar gastos correntes.

A Moody’s avalia que é “improvável” que o Brasil consiga prosseguir com a regra de ouro, na medida em que as pressões fiscais aumentam. Este ano, repasses do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao Tesouro devem garantir o cumprimento da regra, mas em 2019 a situação está mais complicada, ressalta relatório da agência de classificação de risco.

“As discussões para suspender ou eliminar a regra de ouro surgiram nos meses recentes, porque o crescimento das despesas obrigatórias deve superar a arrecadação, implicando que a regra será descumprida em 2019, se não antes”, alerta a Moody’s em relatório assinado pelas analistas Anna Snyder e Samar Maziad. Na semana passada, relatório da agência mostrou que o Brasil é o país da América Latina com maior porcentual de gastos rígidos (na casa dos 90%), ou seja, atrelados a leis, no Orçamento, o que dificulta o ajuste fiscal.

As discussões sobre a suspensão da regra de ouro, avalia a Moody’s, vieram em conjunto com os atrasos na votação da reforma da Previdência, que deveria ocorrer em dezembro e foi adiada para fevereiro deste ano. Na semana passada, o governo anunciou que não ia discutir por enquanto as mudanças na regra, que ficariam para depois da votação da reforma. A Moody’s avalia que esse adiamento pode favorecer as discussões no Congresso sobre as mudanças na aposentadoria. Ao mesmo tempo, os analistas se mostram “céticos” de que o adiamento da votação da reforma do ano passado para este vai aumentar significativamente a probabilidade de aprovar uma reforma significativa no governo de Michel Temer.

Mesmo com a melhora do cenário econômico, que ajuda a melhorar a arrecadação do governo, a Moody’s avalia que o Planalto pode ser forçado a pedir uma exceção à regra de ouro, o que é negativo para avaliação do risco de crédito do País. O Brasil vai enfrentar nos próximos anos “deterioração fiscal persistente e necessidade elevada de financiamento”, alerta a instituição.

Para melhorar a trajetória da dívida pública, é essencial a aprovação de uma reforma significativa da Previdência, alerta a Moody’s. Sem a reforma, os gastos obrigatórios vão continuar em expansão, ocupando ainda mais espaço no Orçamento e se tornando insustentáveis.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!