Petrobras, Vale e exterior levam Ibovespa de volta aos 80 mil pontos – Valor

SÃO PAULO  –  A persistente alta das bolsas americanas e boas notícias envolvendo grandes empresas locais, como Petrobras e Vale, colocam o Ibovespa mais uma vez na rota de altas e acima dos 80 mil pontos. Como tem ocorrido em outras sessões, a bolsa local já iniciou o dia em alta, mas tocou a máxima assim que os negócios em Wall Street começaram, momento em que o volume de negócios por aqui também ganha corpo.

Às 13h40, o Ibovespa subia 0,79%, aos 80.466 pontos, a máxima pontuação já alcançada.

O grande destaque do dia é, sem dúvida, Petrobras, que renovou hoje sua máxima intradia em pelo menos um ano. Às 13h02, o papel PN subia 1,93% para R$ 17,99, mas chegou a tocar R$ 18,02. Já o papel ON ganhava 1,60%, para R$ 19,08, com máxima em R$ 19,10.

A perspectiva de que o imbróglio envolvendo a cessão onerosa seja resolvida em poucos meses – com provável pagamento para a petroleira – justifica o movimento positivo, que se traduz no forte giro de negócios: Petrobras ON movimentou nesta manhã R$ 363 milhões, o maior volume da bolsa.

A perspectiva de que a cessão onerosa seja resolvida em breve anima os investidores, porque trata-se de uma questão que pode garantir uma melhora importante na precificação da ação. “A empresa continua executando tudo muito bem — desinvestimentos, política de preços, agora cessão onerosa”, observa um gestor. “Quando sair o risco político, esse papel vai voar novamente.”

Outra ação que está dando sustentação ao Ibovespa hoje é Vale. A despeito da queda do minério de ferro no exterior, que ontem foi argumento para uma correção dessa ação, a mineradora reage aos cenários traçados pela companhia durante reunião da Apimec nesta manhã. Segundo o diretor de relações com investidores, André Figueiredo, no pior cenário para commodities (com minério a US$ 55,00 a tonelada), o caixa livre da empresa pode chegar a US$ 6 bilhões em 2020. A empresa informou ainda que pode elevar Ebitda em US$ 1,2 bilhão a US$ 2 bilhões até 2020.

Às 13h40, Vale ON subia 1,65% para R$ 43,00.

Mas a ação que lidera as altas do índice hoje é Sabesp (3,43%). A ação reage à decisão da Arsesp, agência reguladora de serviços de saneamento de São Paulo, de publicar ontem nota técnica preliminar sobre a fase final do processo de revisão tarifária. Na primeira fase do processo, encerrada em outubro, o aumento autorizado pela agência foi de 7,9%. A segunda fase tem previsão de conclusão para abril de 2018. Na noite de ontem, a Arsesp anunciou o início do processo de consulta pública da atual fase da revisão juntamente com a nota técnica.

Dólar

O entusiasmo do mercado neste começo de ano se traduziu em entrada de recursos pela conta financeira, contribuindo assim para o bom comportamento do dólar. O fluxo cambial da última semana confirma que o país tem sido destino de investimento estrangeiro. Nesta quarta-feira, entretanto, a tendência positiva para o câmbio já não mostra tanta força e o dólar opera estável, enquanto os investidores aguardam novidades da cena política ou da configuração econômica no exterior para operações mais agressivas.

A sessão conta com a recuperação da moeda americana contra as principais divisas globais. O câmbio brasileiro não escapa do ajuste, mas sinaliza resiliência com variação apenas marginal. Por volta das 13h40, o dólar comercial operava em leve alta de R$ 3,2311, tendo acumulado queda de 2,5% desde dezembro.

A queda do dólar neste começo de ano coincide com a entrada de recursos no país. O fluxo cambial voltou a ficar positivo na segunda semana de janeiro, entre os dias 8 e 12, após ter registrado leve saldo negativo nos primeiros dias do ano.

Os ingressos superam as saídas em US$ 1,934 bilhão nesse período, o que fez com que o saldo no mês, até o dia 12, ficasse superavitário em US$ 1,863 bilhão. E foi justamente a conta financeira a que justifica o resultado positivo desde o começo do ano. Ingressaram por essa via US$ 2,647 bilhões na semana passada, elevando o saldo acumulado no mês para US$ 3,194 bilhões.

Hoje, o dólar ganha terreno pela terceira sessão consecutiva nesta quarta-feira. De acordo com operadores de câmbio, este não é o caso de uma reversão de tendência, até porque o movimento é bem moderado, mas o mercado executa alguns ajustes enquanto a valorização de commodities desacelera o ritmo.

“A busca frenética por ativos de risco está se acomodando, ainda se consolida, mas não vemos motivo para nova rodada de animação por enquanto”, diz o operador Cleber Alessie Machado Neto, da H.Commcor. “A alta do petróleo está enfrentando uma pausa e os dados europeus, apesar de positivos, não superaram as expectativas”, acrescenta.

Nesta quarta-feira, o mercado ainda tem uma agenda mais carregada nos EUA, abrindo espaço para alguma movimentação adicional. A sessão conta com o Livro Bege do Federal Reserve e uma série de discursos de dirigentes do banco central americano.

Um dos riscos lá fora seria um aperto monetário mais duro nos EUA. O presidente do Federal Reserve de Dallas, Robert Kaplan, disse hoje esperar que o BC dos EUA eleve em três ocasiões a taxa de juros de referência este ano, e talvez mais, para evitar que a economia tenha um aquecimento excessivo.

Para o economista-chefe Cristiano Oliveira, a economia dos EUA dá sinais de expansão moderada com fortalecimento do mercado de trabalho e possível redução da taxa de desemprego para abaixo do patamar neutro. São esperadas assim o “reaparecimento de pressões inflacionárias em breve”. O cenário base no Fibra é de, pelo menos, três movimentos do Fed ao longo de 2018 e sinalização de mais três aumentos para 2019. Com isso, a leitura é de que o dólar deve ficar em R$ 3,50 no fim deste ano, ante o nível atual de R$ 3,23.

Por outro lado, o mercado futuro de juros nos EUA precifica apenas uma única alta de 0,25 ponto percentual na taxa básica. Caso este caminho seja seguido, é pouco provável que o processo de desvalorização do dólar seja interrompido. “O risco de esse processo não ser interrompido em algum momento nos próximos meses é o aparecimento de bolhas de preços de ativos no mercado financeiro global”, diz Oliveira.

Juros

O mercado de juros futuros toma uma pausa da tendência positiva que permeia os ativos financeiros neste começo de ano. As taxas oscilam bem próximas da estabilidade nesta quarta-feira, resultando em ligeiros ajustes no prêmio cobrado ao longo curva.

Embora o ambiente ainda seja positivo para emergentes, em geral, o entusiasmo dá lugar, pelo menos por ora, a alguma acomodação.

O movimento pode ser exemplificado pelo contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021. A taxa projetada pelo ativo ronda 8,890% nesta quarta-feira, mesmo valor do ajuste passado, depois de ter caído quase 1,90 ponto percentual em janeiro.

Fonte Oficial: Valor.

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