Planalto descarta votar Previdência após fevereiro – Jornal do Comércio

Para o governo Michel Temer, não há “a mínima cogitação” de adiar a votação da reforma da Previdência para depois de fevereiro, segundo o ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo). Sem querer especificar números, ele admite que o governo “não tem o suficiente” para passar a reforma na Câmara, “mas teremos em 19 de fevereiro”, data prevista para o tema ir a plenário, onde precisa garantir o apoio de 308 de 513 deputados.

O ministro se reuniu ontem com o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf. Conversar com líderes empresariais e também evangélicos, segundo Marun, é um ponto crucial para dar fôlego à reforma.

O presidente Temer recebe nesta semana algumas das principais lideranças evangélicas, como o apóstolo Valdemiro Santiago (Igreja Mundial do Poder de Deus) e José Wellington Bezerra da Costa (Assembleia de Deus Belém), em Brasília. Com outras igrejas, foi Marun quem fez o meio de campo, entrando em contato, por exemplo, com o deputado Sóstenes Cavalcante, aliado de Silas Malafaia.

O trabalho de convencer deputados diretamente foi prejudicado pelo recesso parlamentar, já que a maioria está distante do Congresso. Para Marun, o retorno aos redutos eleitorais pode ajudar, pois a população começa a entender que o tema é prioritário. “Posso lhe garantir que vivemos hoje um momento muito melhor do que e dezembro (quando a votação para a reforma foi a pique por falta de votos). Esta conversa corrobora meu pensamento de que Temer é o melhor presidente da história do Brasil por hora de mandato, se considerar a produtividade. Não houve quem tenha feito tanto em tão pouco tempo”, disse Marun.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fez fortes críticas ontem a membros do poder público, em especial do judiciário, por criticarem a reforma da Previdência a fim de “defenderem seus benefícios”.

Para Maia, eles agem de forma “desconectada da realidade” e propagam mentiras por quererem manter aposentadorias de R$ 20 mil, entre outros benefícios. “Estamos enfrentando uma corporação também”, afirmou, durante viagem oficial a Washington.

Maia fez especial menção a uma entrevista recente de Roberto Veloso, presidente da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), em que o juiz criticava a reforma e a chamava de “reforma da não aposentadoria”. Veloso citou o exemplo de um motorista de ônibus que, aos 65 anos e mesmo tendo contribuído com a previdência por 15 anos, teria redução de 60% em seu benefício, segundo ele.

Maia afirmou que a aprovação da reforma “não é uma votação simples” e que não tem “nenhum tipo de otimismo”. Ele ressaltou que a base do governo na Câmara diminuiu desde a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, e que é preciso reorganizá-la e trabalhar na comunicação sobre a reforma. Para ele, se o governo não conseguir votar a reforma em fevereiro, “não conseguirá votar mais.”

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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