Gastamos muito e gastamos mal, diz secretária do Tesouro – Exame

“Vimos quanto dinheiro foi desperdiçado em projetos que não faziam o menor sentido”, diz Ana Paula Vescovi em entrevista da Um Brasil antecipada para EXAME

access_time 18 jan 2018, 11h43 – Publicado em 18 jan 2018, 11h38

São Paulo – “O investimento público por si só não é uma panaceia. Vimos recentemente no Brasil quanto dinheiro foi desperdiçado em projetos que não faziam o menor sentido”.

A frase é Ana Paula Vescovi, secretária do Tesouro Nacional desde junho de 2016, em entrevista da UM Brasil antecipada com exclusividade para o site EXAME.

Ela diz que 2018 será um marco na gestão fiscal do Brasil pois estarão dados os novos limites do teto de gastos e a meta do déficit primário:

“Vamos cumprir as metas e temos os instrumentos para isso”, mas reconhece que o atual cenário só prevê equilíbrio entre receitas e despesas em 2021.

“Mas não basta equilibrar, temos que ter algum superávit nessa conta para também equilibrar as despesas financeiras e a dívida pública”, além de abrir margem para investimento público – o que vai depender também de uma reforma da Previdência.

A entrevista com a jornalista Thais Heredia foi gravada em dezembro, quando ela participou do Fórum “A Mudança do Papel do Estado – Estratégias para o Crescimento”, realizado pela UM BRASIL.

A plataforma é uma parceria da Fecomercio SP com o Columbia Global Centers do Rio de Janeiro, um braço da Universidade Columbia, de Nova York.

Gasto público

“Quando nós falamos em gasto público no Brasil, existe um imaginário e um inconsciente na sociedade de que gasto público por si só é bom, é algo positivo pois traz serviços à população”, diz Ana Paula.

“E eu acho que a realidade recente começa a mostra que isso não necessariamente é verdade. O gasto público também passa por desperdícios, ineficiência, sem dizer quando há processos de corrupção”.

Ela afirma que uma das prioridades atuais do Tesouro Nacional é dar elementos para avaliar o gasto público de forma mais consistente e profissional para ver que políticas estão funcionando ou não: “Temos um gasto elevadíssimo e gastamos mal”.

Um exemplo de como o Estado brasileiro atua para reproduzir a desigualdade aparece na diferença de salários entre setor publico e privado, a mais alta do mundo em uma comparação internacional divulgada recentemente pelo Banco Mundial.

Ela diz que será preciso flexibilizar as amarras do gasto público, “o mais engessado do mundo”, e definir escolhas e prioridades claras.

Para isso há uma necessidade de convencimento, pois a decisão final de alocar os recursos é política, mas a boa notícia é que a crise foi tão aguda que está forçando esta discussão.

“Eu vejo sim crescendo esse debate no Congresso, na sociedade, nos meios acadêmicos. Acho que isso não tem volta”, diz ela.

Ana Paula Vescovi atuou por dez anos na Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, onde foi secretária-adjunta de Macroeconomia entre 1997 e 2007.

Ela foi diretora-presidente do Instituto de Pesquisa do Governo do Estado do Espírito Santo e também atuou como assessora econômica do Senador Ricardo Ferraço entre 2011 a 2014.

Veja a entrevista na íntegra:

Fonte Oficial: Exame.

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