Governo estuda proposta de empréstimo do FGTS à Caixa, diz Meirelles – Valor

SÃO PAULO  –  O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou nesta quinta-feira que o governo estuda a viabilidade de um empréstimo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) à Caixa Econômica Federal, mas existem propostas discutidas no conselho do banco estatal que permitem a recapitalização da Caixa sem uso do FGTS. “Teremos a discussão disso nos próximos dias”, disse Meirelles, após gravar entrevista para o programa Canal Livre, da TV Bandeirantes.

Segundo Meirelles, uma das alternativas seria a cessão de carteiras da Caixa para outras instituições, o que abriria espaço para que o banco invista mais em moradias, e outras medidas “nesta mesma linha”. Como exemplo, citou a distribuição de dividendos da União. “Vamos viabilizar a recapitalização da Caixa. A capacidade da Caixa deve ser preservada para seguir emprestando onde deve”, afirmou. “Isso [a discussão] está indo bem e talvez não seja necessário entrar nessa discussão do FGTS”, reforçou.

De acordo com o ministro. se os recursos do FGTS forem usados, não haverá risco para os trabalhadores. “O dinheiro tem que ser aplicado em algo que dê retorno e seja garantido”, disse, acrescentando que o governo está discutindo fórmulas que garantam “rendimento mínimo” aos recursos. “Esse assunto está sendo tratado tecnicamente”.

Para Meirelles, o afastamento de quatro vice-presidentes da CEF não tem potencial para afetar o apoio de partidos à reforma da Previdência. “Estamos apenas seguindo estritamente a lei de governança das estatais. Essa questão não se coloca”.

Previdência

Meirelles afirmou que não pode apontar qual seria o prazo limite para a votação da reforma da Previdência na Câmara, mas que, quanto mais cedo a medida for votada, melhor para o país. Segundo Meirelles, se a proposta de mudança nas regras de aposentadorias ficar para o ano que vem, uma das consequências seria o aumento da incerteza, o que é negativo para a economia. 

“A reforma é fundamental e deve ser votada tão logo quando possível, mas o ‘quando possível’ é decisão do comando do Congresso”, disse o ministro. “Conversei com todas as bancadas e partidos, mas é evidente que o processo de votação, contagem de votos, se pauta ou não pauta, isso é decisão do Congresso”.

O adiamento da votação seria ruim também para a camada mais pobre da população, acrescentou, que dificilmente consegue trabalhar por 35 anos com carteira assinada e por isso, acaba se aposentando por idade, com benefícios reduzidos. “Quem se aposenta agora com 53, 54, 55 anos é a camada de renda mais elevada. Essa distorção seria corrigida com a reforma”.

Segundo Meirelles, a aprovação da reforma previdenciária é “apenas uma questão de tempo”, mas quanto mais cedo isso ocorrer, “melhor para o país e para os brasileiros”.

Fonte Oficial: Valor.

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