Dólar fecha no menor patamar em três meses – Valor

SÃO PAULO  –  O dólar fechou esta sexta-feira no menor patamar em três meses frente ao real, chegando a cair abaixo do suporte psicológico de R$ 3,20. No encerramento, a moeda cedeu 0,26%, a R$ 3,2005. Mas na semana a cotação teve queda bastante moderada, de apenas 0,17%, bem menor que a registrada ante outras divisas. Não por acaso, essa acomodação ocorreu ao mesmo tempo que uma forte demanda por proteção no mercado de opções de câmbio, a mais intensa desde a “crise Joesley”, de maio passado.

A busca por opções de câmbio – tanto na ponta de compra quanto na venda – é fruto da tentativa do mercado de se proteger (ou pelo menos minimizar perdas) após o resultado do julgamento que definirá se o ex-presidente Lula poderá concorrer às eleições deste ano.

O julgamento está previsto para a próxima quarta-feira, dia 24, e será realizado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), que tratará de recurso de Lula no caso do tríplex do Guarujá, litoral do Estado de São Paulo. Como a maioria do mercado trabalha com uma condenação unânime, alguns operadores preferiram montar posições mais defensivas, que minimizem perdas no caso de um cenário – para o mercado menos provável – de absolvição do ex-presidente ou de condenação por placar dividido.

Uma clara medida dessa demanda por proteção é a volatilidade implícita das opções de dólar. Essa medida indica o nível de risco atribuído a um ativo pelo mercado. Operadores relatam que a volatilidade implícita de um mês está hoje em torno de 15,5% ao ano. É o maior patamar desde o fim de maio do ano passado, quando flertou com 27%, logo após o estouro da crise política depois da delação premiada do empresário Joesley Batista, da JBS.

Chama ainda mais atenção a velocidade da alta da volatilidade. Na última segunda-feira, dia 15, essa medida estava em 11,13%.

Demanda por “hedge” em alta

Volatilidade implícita* em opções de dólar de 1 mês

Fonte: Mercado.

Observações: Em % ao ano.

“O nível de volatilidade revela um mercado que está bastante estressado, apesar dos preços do dólar spot não indicarem isso”, diz um gestor, segundo o qual algumas taxas de volatilidade na casa de 17%, 18% chegaram a ser comentadas no mercado.

A busca por proteção associada à baixa liquidez desse mercado não demorou para causar distorções de preço. O gestor diz que a volatilidade implícita da opção de dólar com vencimento no começo de fevereiro está mais alta que a exibida pelo vencimento março.

“O resultado disso é que já tem gente que não quer negociar volatilidade porque percebe que está assumindo muito risco e pode não ter como honrar”, afirma o profissional.

Outro gestor de um fundo multimercado diz ter reduzido “bastante” posição em NTN-B e trocado por opção de venda (“put”) de dólar. Essa estratégia ganha caso a moeda americana caia. Mas o profissional pondera que não se trata de uma aposta direcional otimista, já que a posição benigna estrutural (em NTN-B) sofreu corte expressivo. “Dessa forma, conseguimos ficar com exposição ‘otimista’ com Brasil, mas com perdas limitadas aos prêmios das opções”, explica.

Fonte Oficial: Valor.

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