Petrobras adota nova política de revisão de preços do gás de cozinha – Jornal do Comércio

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, afirmou, nesta quinta-feira, que a alteração da política de reajuste de preços do gás de cozinha, anunciada pela manhã, não trará prejuízos ao consumidor nem à Petrobras. Pelo contrário. Segundo o comandante da estatal, como a revisão de preços passará a ser feita, a partir de agora, a cada três meses, e não mensalmente, e considerando a média das cotações internacionais e do câmbio para um período de 12 meses, a volatilidade de preços será suavizada.

A partir desta sexta-feira, o preço do GLP (gás liquefeito de petróleo) será reduzido em 5% nas refinarias, com base nos novos critérios definidos pela Petrobras. A estatal estima que o preço médio de GLP residencial sem tributos comercializado nas refinarias será equivalente a R$ 23,16 por botijão.

Diante da política de reajustes adotada no ano passado, o preço do gás avançou 16% em 2017, ano em que a inflação geral – medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – foi bem menor (2,95%) e a mais baixa em quase 20 anos. Variações acima de 10% – para cima ou para baixo – precisarão de autorização do grupo executivo de mercado e preços, formado pelo presidente da Petrobras e por diretores da companhia. Nestes casos, a data de aplicação dos ajustes (dia 5 de cada novo trimestre) pode ser modificada. Caso o índice de reajuste seja muito elevado, poderá ser decidido não aplicá-lo integralmente, ficando a diferença para compensação futura.

“Se nós mantivéssemos a política anterior, os preços continuariam a ser submetidos a essa enorme variação de preços, que é fruto dessa sazonalidade. Na medida que, em vez de trabalhar com a curva, trabalho com a média em 12 meses, isso suaviza essa volatilidade. E, onde poderia dar problema com essas diferenças, introduzimos o mecanismo de compensação, que garante que nem a Petrobras, nem o consumidor sejam onerados. Esse mecanismo de compensação é a chave desse ajuste para que ninguém tenha prejuízos”, garante Parente.

Esse mecanismo de compensação permitirá comparar os preços praticados com a nova política e os preços que seriam praticados de acordo com a política anterior. Se o reajuste não for passado integralmente, as diferenças acumuladas em um ano serão ajustadas pela taxa de juros e compensadas por meio de uma parcela fixa acrescida ou deduzida aos preços praticados no ano seguinte.

O novo preço será definido a partir da média das cotações internacionais e do câmbio a partir de um período maior: a política estabelecida em junho, e que foi interrompida em dezembro, usava a média mensal. Agora, haverá uma regra de transição: inicialmente de um período menor para, até o fim de 2018, ser considerado o prazo de 12 meses anteriores.

Parente garantiu que a decisão de alterar essa política foi puramente empresarial. “Essa volatilidade causava impactos como uso de substitutos ao gás, inclusive com certo risco à saúde das pessoas. Me preocupa o risco de uso de substitutos que tragam risco à integridade física dos consumidores e produtos substitutos competidores do gás. A certeza que temos é de que não haverá prejuízo para a Petrobras nem para o consumidor”, reforçou.

A diferença entre o preço do GLP Residencial e o GLP Industrial ficará ainda maior depois que a Petrobras anunciou uma nova política de preços para o primeiro produto, alertou o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), Sérgio Bandeira de Mello. Ele reivindica que a Petrobras crie também uma política de preços para o GLP Industrial, que, segundo ele, é vendido pela Petrobras com ágio de 28% em relação ao preço internacional para a indústria e o comércio.

“Depois desse anúncio, o GLP Industrial deve estar uns 40% mais caro que o GLP Residencial, e é a mesma molécula, não faz sentido isso”, disse Mello. “Isso reduz a competitividade da indústria brasileira, queremos uma política transparente para o GLP Industrial”, completou.

Ele informou que, apesar da alta de preços, o consumo do GLP Residencial subiu 1,77% nos últimos 12 meses encerrados em novembro de 2017, enquanto o GLP Industrial teve queda de 1,44% no mesmo período, o que demonstra que as indústrias e o comércio estão buscando outras fontes de geração de energia.

Ao contrário dos demais combustíveis vendidos pela Petrobras, o GLP Residencial é protegido por resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), de 2005, que reconhece como de interesse para a política energética nacional a prática de preços diferenciados para o GLP destinado ao uso doméstico, devido ao seu elevado impacto social. O GLP Residencial, ou gás de botijão de 13 kg, afeta a parcela da população brasileira de menor poder aquisitivo.

Mello não soube avaliar o impacto para o setor da mudança feita pela Petrobras, que passou o ajuste do GLP Residencial de mensal para trimestral, e reduziu o preço em 5% nas refinarias a partir desta sexta-feira.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!