Chance de Reforma da Previdência agora é de 50%, diz Meirelles – Jornal do Comércio

Reforma da Previdência


Notícia da edição impressa de 23/01/2018.
Alterada em 22/01 às 21h00min

Chance de Reforma da Previdência agora é de 50%, diz Meirelles

Evolução das contas não é sustentável, destacou Henrique Meirelles

/FABIO RODRIGUES POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL/JC

A expectativa para a votação da reforma da Previdência é fevereiro, e não em novembro, conforme afirmou ontem o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a jornalistas em Londres. Pela manhã, ele teve encontro com investidores e representantes de fundos de pensão. Alguns participantes relataram à imprensa, após a reunião, que o ministro teria dito que as chances de aprovação agora seriam de 50% ou, então, apenas em novembro, passada a eleição.

“A expectativa é em fevereiro, e não em novembro”, afirmou, agora fazendo questão de mostrar firmeza em sua resposta. Meirelles relatou que, durante a reunião, foi incitado a colocar um percentual esperado para a aprovação, o que teria evitado por questões de precisão. “Então perguntaram: ‘mas, então, tem pelo menos 50%?’ Tem, tem sim, respondi”, detalhou, acrescentando aos jornalistas que “a nossa expectativa é muito maior do que essa”.

De acordo com o ministro, o mais importante é que a reforma seja aprovada, e o governo está trabalhando para isso. “O que se discute não é se haverá reforma, mas quando haverá a reforma. Idealmente, agora. Se não for agora, depois, mas que será feita uma reforma da Previdência no Brasil não tem dúvida”, argumentou, acrescentando que a situação atual da evolução das despesas e do déficit da Previdência não é sustentável. Não só a médio como a longo prazo.

Meirelles se encontrou mais cedo com o ministro das Finanças britânico, Philip Hammond, e partiu para Davos, na Suíça, ainda ontem, para participar do Fórum Econômico Mundial de Davos. Meirelles e Hammond tiveram “conversas iniciais” sobre um possível acordo de livre comércio com o Reino Unido, que pode ser efetivado apenas depois do Brexit, como é chamada a saída dos britânicos da União Europeia. “Mas as conversações já estão em andamento”, relatou Meirelles a jornalistas, após encontro com sua contraparte em Downing Street.

Apesar de Hammond ter mostrado claro interesse pelo Brasil, as negociações, conforme Meirelles, deverão ser feitas no âmbito do Mercosul, pois é algo mais abrangente. Hammond esteve no Brasil em julho do ano passado, quando se encontrou com Meirelles. Ele também teria interesse em outras questões, como bitributação. “Também recebeu muito bem a possibilidade de fundos de pensão brasileiros investirem nos mercados internacionais de acordo com retornos e equações de risco, e tendo em vista o interesse dos pensionistas, cotistas, trabalhadores”, explicou Meirelles.

Visão de investidor está mais positiva, afirma ministro

Em Londres, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que percebeu uma mudança muito clara dos investidores atualmente em relação a um ano atrás. Ele fez a avaliação após participar, pela manhã, de reuniões com representantes de fundos de pensão e de empresas de investimentos.

“É uma visão positiva. É uma mudança grande em relação a um ano atrás, principalmente em relação aos investidores, que, há um certo tempo, ainda tinham dúvidas em relação à evolução de toda a questão fiscal e das possibilidades reais de o Brasil voltar a crescer com este vigor que está voltando a crescer agora”, comparou.

Para o ministro, a situação agora é “completamente diferente”. “Está consolidado, e uma trajetória de crescimento.” Sobre o processo de rebaixamento da nota soberana do Brasil pela agência de classificação de risco S&P, Meirelles avaliou como “normal”. Segundo ele, a empresa deixou claramente indicada qual é a série de condições a cumprir para ter seu rating restaurado ou até melhorado. E é neste sentido, conforme o ministro, que o governo vem trabalhando, como no caso do crescimento econômico do País. “É uma questão apenas de isso ser consolidado pelos próximos números. O Brasil já está crescendo, e a nossa projeção é de crescimento de 3% neste ano”, reafirmou.

Em segundo lugar, Meirelles salientou que a S&P colocou ênfase na reforma da Previdência e demais medidas fiscais. “Estamos fazendo todo o trabalho nesse sentido, e nossa expectativa é de votação agora em fevereiro.”

“Vamos trabalhar nessa direção”, reforçou. Ele explicou que o governo não tem anunciado formalmente “planos B”, porque o foco, agora, é a votação. “Temos oportunidade de votar, e não vamos desviar a atenção. O importante é todo o esforço para votar”, afirmou.

Falas como a de Meirelles atrapalham aprovação, afirma Alexandre Baldy

O ministro das Cidades, Alexandre Baldy (sem partido-GO), afirmou ontem que declarações como a do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), a investidores em Londres atrapalham bastante a votação da reforma da Previdência. Para o ministro, os esforços precisam estar concentrados em votar as mudanças nas regras previdenciárias em fevereiro na Câmara, pois as chances de votá-las após as eleições são menores.

“Atrapalha bastante. Acredito que todos os esforços do governo estão e deverão estar concentrados em votar a reforma da Previdência em fevereiro. Não se discute outra possibilidade”, declarou Baldy, ao ser questionado sobre a declaração de Meirelles de que as chances de aprovar a reforma em fevereiro são de 50%.

Meirelles afirmou que, caso não seja apreciada até março, a reforma poderá voltar a ser pautada após as eleições gerais de outubro. A avaliação é de que há uma perspectiva de que uma janela se abra em novembro, em função do fim do mandato de deputados e senadores que não conseguiram ser reeleitos e, assim, não temerão mais um julgamento popular, já que a pauta é considerada negativa pela maior parte da população, que não quer perder direitos.

Parlamentares da base aliada admitem, nos bastidores, que o governo está longe de ter os 308 votos mínimos necessários para aprovar a reforma no plenário da Câmara. Mas avaliam que o governo erra ao começar a admitir que a votação poderá ficar para novembro. A avaliação é de que esse discurso cria um clima pessimista, o que tem forte potencial para influenciar negativamente o voto dos parlamentares em um cenário que já é desfavorável.


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Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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