FMI eleva estimativa de crescimento do Brasil – Jornal do Comércio

O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou as projeções de crescimento do Brasil entre 2017 e 2019, como destaca a atualização periódica do documento Perspectiva Econômica Mundial em janeiro, divulgado nesta segunda-feira. Segundo o FMI, o Produto Interno Bruto (PIB) do País deve ter subido 1,1% no ano passado, 0,4 ponto percentual acima do 0,7% informado pelo relatório em outubro. Para este ano, a projeção também avançou 0,4 ponto percentual e aumentou de 1,5% para 1,9%. Em relação a 2019, a variação foi menor e passou de 2,0% para 2,1%.

Num contexto de retomada do nível de atividade e da demanda agregada, após o Brasil ter passado por uma das piores recessões de todos os tempos, o fundo estima que o PIB atingiu uma alta de 2,5% no quarto trimestre de 2017 em relação aos mesmos três meses de 2016, em termos anualizados. Na mesma base de comparação, prevê que o crescimento deverá atingir 2,2% no último trimestre de 2018 e 2,0% entre outubro e dezembro de 2019.

O fundo aponta que a “recuperação econômica mais firme” do Brasil colabora para fortalecer o desempenho da América Latina, especialmente para 2019. Segundo o organismo, a região deve crescer 1,9% neste ano, como projetado em outubro, e registrar uma expansão de 2,6% no próximo ano, acima dos 2,4% estimados anteriormente pela instituição multilateral.

Esta perspectiva mais favorável para a América Latina está relacionada com “demanda mais forte dos EUA”, o que favorece diretamente o México, preços mais favoráveis de commodities e condições financeiras positivas para alguns países da região exportadores destes produtos com cotações internacionais.

Por outro lado, o FMI ressalta que Brasil, Colômbia, México e Itália estão sujeitos a “incertezas políticas” com eleições de novos governos no curto prazo e que podem impor “riscos à adoção de reformas.”

A continuidade da recuperação mundial e a adoção de uma reforma tributária nos EUA, que deve estimular investimentos de empresas no país, foram os dois principais fatores que levaram o FMI a aumentar as projeções para o crescimento global em 2018 e 2019 realizadas em outubro pelo relatório Perspectiva Econômica Mundial.

Na atualização, divulgada nesta segunda, o FMI passou a estimar que a expansão global neste ano passou de 3,7% para 3,9% e também subiu de 3,7% para 3,9% em 2019. Em relação a 2017, a manutenção da força do nível de atividade global fez com que o fundo elevasse a previsão de alta do crescimento do planeta de 3,6% para 3,7%.

“Cerca de 120 países, que respondem por três quartos do PIB mundial, registraram uma elevação do crescimento em termos anuais em 2017, a mais ampla expansão global sincronizada desde 2010”, aponta o FMI. No ano passado, um destaque foi a expansão pouco acima da esperada de Europa e Ásia, e o bom desempenho registrado por economias avançadas, entre elas os EUA, e países emergentes.

Segundo o Fundo Monetário Internacional, a força da retomada da economia mundial deve continuar em 2018 e 2019, sobretudo com perspectivas mais favoráveis para as economias avançadas. As previsões de expansão para os países desenvolvidos subiram de 2,0% para 2,3% para este ano, e de 1,8% para 2,2% em 2019. “Estas previsões refletem as expectativas de que as condições financeiras globais favoráveis e o forte sentimento (de consumidores e empresas) ajudarão a manter a recente aceleração na demanda, especialmente em investimentos com um notável impacto no crescimento de economias que são grandes exportadoras.”

A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, afirmou, em seu discurso de abertura no Fórum Econômico Mundial, que o crescimento global, que tem se acelerado desde meados de 2016, deve ganhar ainda mais força neste ano e nos seguintes. “Todos os sinais apontam para um reforço ainda maior em 2018 e adiante”, disse.

Para Lagarde, “há, também, incerteza significativa no próximo ano”. Ela lembra que o longo período de baixas taxas de juros levou a um acúmulo de vulnerabilidades no setor financeiro que podem ser “potencialmente sérias”. A diretora do FMI disse, ainda, que “estamos vendo um aumento preocupante da dívida em muitos países e precisamos permanecer vigilantes”.

 

A taxa de desemprego global deve ficar em 5,5% neste ano, mostrando estabilidade em relação a 2017, quando o percentual ficou em 5,6%, divulgou a Organização Internacional do Trabalho (OIT) nesta segunda-feira. Apesar da estabilidade da taxa, o número de desempregados deve crescer em 1,3 milhão, compensado pelo aumento do total de pessoas na força de trabalho.

A organização também projeta que o número de empregos vulneráveis (categoria que engloba trabalhadores por conta própria e aqueles que auxiliam a família) deve crescer nos próximos anos em todo o mundo. “Globalmente, o progresso significativo conquistado no passado em reduzir o emprego vulnerável estagnou em 2012”, avalia a OIT. Atualmente, cerca de 42% dos trabalhadores (ou 1,4 bilhão) estão ocupados em algum tipo de relação de emprego vulnerável em todo o mundo.

Nos países em desenvolvimento e emergentes, esse percentual sobe para 76% e 46%, respectivamente. Esse número tende a piorar nos próximos anos, com a estimativa de aumento de 17 milhões ao ano de trabalhadores nessas condições em 2018 e 2019.

Por outro lado, a taxa de desemprego nos países desenvolvidos deve seguir em queda, caindo para 5,5% em 2018 – o menor percentual desde 2007, véspera da crise global de 2008. A melhora, contudo, esconde um aumento da chamada subutilização da força de trabalho – contratos de jornada parcial que empregam pessoas que gostariam de trabalhar em tempo integral, por exemplo.

A desaceleração do crescimento da força de trabalho acende um sinal de alerta nos sistemas previdenciários, uma vez que o crescente número de aposentados tende a colocar pressão sobre a população economicamente ativa.

A OIT estima que em 2030 existirão quase 5 pessoas com 65 anos de idade ou mais para cada grupo de 10 pessoas ativas na força de trabalho.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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