RGE e RGE Sul devem elevar tarifas neste ano – Jornal do Comércio

O reajuste médio de cerca de 30% concedido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em novembro para a CEEE-D deixou a empresa com a conta de luz mais cara entre as maiores distribuidoras do Rio Grande do Sul. No entanto a perspectiva é de que as próximas revisões tarifárias da RGE Sul e da RGE, que serão aplicadas respectivamente em abril e junho, façam com que as tarifas dessas companhias aproximem-se à da estatal.

De acordo com dados da Aneel, a CEEE-D apresenta hoje um custo de R$ 0,505 o kWh para o consumidor residencial (tarifa B1). O número a coloca como a 38ª distribuidora com a conta de luz mais cara no País para esse segmento de consumo, dentro de um ranking de 96 empresas. A RGE Sul está na 73ª posição (R$ 0,452 o kWh) e a RGE, na 80ª (R$ 0,434 o kWh). A média nacional é de R$ 0,49 o kWh, e a companhia com valor mais elevado é a Cernhe, de São Paulo, com R$ 0,712 o kWh, e o menor é o da Coopera, de Santa Catarina, com R$ 0,309 o kWh.

Apesar da diferença de valores, o diretor da Siclo Consultoria em Energia Plinio Milano adianta que a tendência é que as revisões da RGE Sul e da RGE fiquem bastante acima da inflação, o que fará com que as contas de luz dessas distribuidoras fiquem semelhantes à atual tarifa da CEEE-D. O consultor prefere não estimar um percentual e recorda que a questão dependerá de fatores como a inflação e o comportamento do dólar (que influi no preço da energia da usina de Itaipu), além dos volumes dos reservatórios das hidrelétricas.

Milano destaca que há diferenças entre os processos de revisão e reajuste tarifários. A revisão é feita a cada quatro ou cinco anos e leva em conta uma avaliação mais complexa quanto ao equilíbrio econômico-financeiro das concessionárias. Já o reajuste abrange, entre outros pontos, a variação inflacionária e o custo da energia sendo feito anualmente, com exceção dos anos em que ocorre a revisão.

O sócio-diretor da TR Soluções Paulo Steele aponta que a perspectiva é que as tarifas dos consumidores da RGE e da RGE Sul tenham altas em torno de 11% neste ano. A projeção não leva em conta o comportamento das bandeiras tarifárias (mecanismo que, conforme as condições climáticas e os reservatórios das hidrelétricas, encarece ou não as tarifas). Steele comenta que a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE – um encargo do setor elétrico) e o custo da energia – pressionado pelo risco hidrológico – devem ser os principais fatores por trás das variações das tarifas em 2018. Quanto às distribuidoras que passam por revisão tarifária, como é o caso da RGE e RGE Sul, também deve pesar o repasse aos consumidores da remuneração dos ativos de distribuição.

Agência reguladora elabora audiência pública para revisão tarifária da RGE Sul

Hoje, durante sua reunião de diretoria, a Aneel abordará a proposta de abertura de audiência pública para colher subsídios e informações adicionais para o aprimoramento da sugestão referente à quarta revisão tarifária periódica da RGE Sul, a vigorar a partir de 19 de abril. O presidente do Conselho de Consumidores da concessionária, Gustavo Flores da Cunha Thompson Flores, e o vice-coordenador do Fórum de Infraestrutura da Agenda 2020, Paulo Menzel, adiantam que, segundo informações oriundas da própria distribuidora, o índice original de aumento das tarifas que será colocado em discussão deverá girar na casa de 20%.

Thompson Flores frisa que, se essa previsão for confirmada, haverá questionamentos por parte do Conselho de Consumidores da RGE Sul quanto à proposta de revisão apresentada. O dirigente reforça que um incremento relevante na conta de luz afeta os consumidores como um todo, mas em particular o setor industrial, que tem dificuldade de repassar aumentos. Outro segmento que sofre reflexos diretos é o arrozeiro, pois a irrigação demanda muita eletricidade. Thompson Flores recorda que vários municípios sob a concessão da RGE Sul possuem esse tipo de produção agrícola.

O vice-coordenador do Fórum de Infraestrutura da Agenda 2020 reforça que elevados custos com energia interferem na renda da população e na competitividade das empresas, e faz com que cresçam os índices de inadimplência. Menzel destaca ainda que os impactos dos reajustes e revisões vêm em uma parcela só, o que torna mais difícil a absorção. Além da revisão tarifária da RGE Sul, a audiência pública tratará da definição dos limites dos indicadores de qualidade do fornecimento de energia, que são a Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (DEC) e a Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (FEC), para o período de 2019 a 2023. A RGE Sul atende 1,3 milhão de clientes em 118 municípios gaúchos, tem 100 mil quilômetros quadrados de área de abrangência e 65 mil quilômetros de rede de distribuição.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!