Temer e Meirelles afinam discurso sobre PIB – Jornal do Comércio

Conjuntura


Notícia da edição impressa de 24/01/2018.
Alterada em 23/01 às 22h38min

Temer e Meirelles afinam discurso sobre PIB

Michel Temer diz que julgamento de Lula é sinal de estabilidade

/SERGIO LIMA/AFP/JC

Ao chegar à Suíça para participar do Fórum Econômico Mundial, o presidente Michel Temer afirmou, nesta terça-feira, que a economia brasileira deve crescer em torno de 3% em 2018. Ele também disse que o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um sinal de estabilidade no Brasil e não causa mal-estar em sua participação no encontro de Davos.

“É complicado dizer desde já. De 2,5% para frente, não há dúvida. Alguns falam até em 3,5%. Vamos ficar em 3%”, disse Temer sobre o crescimento da economia brasileira, na chegada a Zurique, em rápida conversa com jornalistas.

Segundo ele, o momento é oportuno para vender o Brasil em Davos, sede do Fórum Econômico Mundial. Temer participa hoje dos trabalhos, e vai apresentar oportunidades de investimentos no Brasil valor de R$ 130 bilhões, principalmente em concessões na área de infraestrutura.

“Tentarei mostrar o novo Brasil no meu discurso”, afirmou o presidente. Ele disse que preferiu privilegiar encontros com grandes empresários na agenda desta quarta-feira. “A nossa esperança é que os investidores se interessem cada vez mais pelo País.”

A participação de Temer no Fórum de Davos será no mesmo dia do julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Porto Alegre, mas ele descartou qualquer impacto negativo. “Não vai causar mal-estar nenhum”, afirmou Temer, ao ser questionado por jornalistas. “Não creio (que haverá constrangimento). É um sinal de estabilidade.”

No momento do discurso de Temer, nesta quarta-feira, previsto para 10h25min (7h25 em Brasília), o julgamento não terá começado. Mas a sentença poderá sair antes ou durante o jantar a ser oferecido pelo fórum ao atual presidente brasileiro. “Isso significa que as instituições brasileiras estão funcionando, funcionando com muita tranquilidade, o que dá segurança aos investimentos.”

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, também presente em Davos, fez coro ao discurso de Temer sobre crescimento, cravando os mesmo 3% para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. Para ele, é possível que a expansão da atividade doméstica supere os 3% neste ano, embora a estimativa oficial ainda não seja esta.

Meirelles falou com os jornalistas logo após fazer uma palestra para investidores durante um almoço promovido pelo Banco Itaú, um evento que ocorre todos os anos e que já contou com a participação do ministro na edição anterior. “O grupo (de investidores) está bastante interessado no Brasil. Não só no sentido de estar contemplando oportunidades de investimento, mas também entusiasmado e confiante com as mudanças que estão acontecendo. A diferença em relação ao ano passado é muito grande”, comparou.

Para ele, em 2017, existia um interesse pelo País, que começava a dar sinais de melhora. Agora, no entanto, houve uma consolidação da trajetória de recuperação de crescimento, conforme o ministro. Ele salientou que 2017 terminou num ritmo forte de crescimento.

Brasil fará gestões durante o Fórum Econômico para ingressar na OCDE

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, levará como tema para a reunião com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, na quinta-feira, em Davos, a entrada do Brasil na Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE). “Este será o principal assunto, do meu ponto de vista”, disse Meirelles sobre um encontro bilateral que os dois terão no Fórum Econômico Mundial. Também no evento, o ministro se encontrará com o presidente da entidade, José Ángel Gurría.

O Brasil espera que os membros da OCDE deem o aval para que o País se torne candidato a filiação à organização depois de ter formalizado o pedido no meio do ano passado. Em agosto se esperava uma apreciação do tema, assim como em setembro. Mas nada foi definido até agora. Além de Brasil, também aguardam uma resposta Argentina, Peru, Romênia, Bulgária e Croácia.

O Brasil acredita que tem mais chances de integrar a OCDE porque já adota políticas em linha com a organização. Atualmente, o Brasil já é considerado um parceiro-chave pela entidade.

Bancos já podem emprestar mais neste ano, diz Trabuco

O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, afirmou que os bancos estão preparados para ampliar os financiamentos no País. “Como a recessão acabou, estamos com o dedo no gatilho para emprestar”, disse, por telefone, de Davos, onde participará do Fórum Econômico Mundial.

A perspectiva do Bradesco para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018 é de 2,8%. “Com uma taxa ao redor de 3%, é fácil prever que o crédito possa crescer 5%, o que torna 2018 um ano excepcionalmente bom”, previu. Assim como há capacidade ociosa na indústria doméstica, como no caso da automobilística, também há capacidade ociosa no setor financeiro, disse Trabuco.

O momento, para o executivo, é de retomada, depois de três anos de recuo no volume de contratos de crédito. “A fatia do crédito saiu de quase 55% do PIB para 46% por vários motivos: falências, quebras, reestruturação, recessão. Sua retomada depende quase que basicamente do PIB agora”, disse.

Em relação ao pequeno impacto no mercado doméstico do rebaixamento da nota de crédito brasileira pela agência S&P, Trabuco disse que, apesar de os fundamentos fiscais do Brasil serem piores que os de seus pares, os fundamentos externos locais (conta-corrente, fluxo de investimento direto) são melhores. “O mercado levou em consideração isso, e o mercado brasileiro não está desconectado de um ambiente global favorável.”

Sobre reforma da Previdência, o presidente do Bradesco afirmou que o Brasil está atrasado em relação ao viés que domina os debates sobre o tema. “No fórum, o tema é tratado sob o foco da demografia, do envelhecimento e, no Brasil, o assunto é tratado em função da necessidade fiscal. Nem discutimos o impacto do envelhecimento do sistema de proteção, e por isso estamos um pouco atrás.”


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Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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