Efeito Lula e exterior levam Ibovespa aos 85 mil pontos; dólar sobe – Valor

SÃO PAULO  –  Na volta do feriado paulista, o Ibovespa mantém fôlego e já renovou diversas máximas históricas intradia. Há pouco, chegou a testar os 85 mil pontos, num movimento amparado pelo exterior, mas ainda bastante relacionado à leitura positiva que se fez do julgamento do ex-presidente Lula.

Às 13h45, subia 1,92%, aos 85.287 pontos.

A alta segue bastante espalhada entre diferentes setores, o que demonstra que há um claro movimento de “comprar bolsa”. Mas alguns papéis se destacam, como as estatais e também os bancos, que renovam máximas históricas ao longo da sessão. Há pouco, Itaú tinha alta de 4,33%, para R$ 52,88, Bradesco ON subia 3,30% para R$ 39,45, Bradesco PN avançava 2,54% para R$ 40,82, Banco do Brasil tinha alta de 2,24% e Santander subia 2,30%.

Petrobras, que também retomou na quarta-feira o nível mais alto desde maio de 2008, continua avançando. A ação ON avançava 2,91% e a PN, 1,34%.

Quem cede à pressão de realização de lucros é Vale ON, que tem queda de 1,96%, aos R$ 40,95.

A forte presença do investidor estrangeiro tem sustentado os ganhos da bolsa. Todos os dias de janeiro houve ingresso líquido de capital externo, mesmo nos dias em que a bolsa caiu. No acumulado de janeiro, a participação dos não residentes em bolsa já totaliza R$ 6,5 bilhões, resultado de R$ 72,2 bilhões em compras de ações e de R$ 65,7 bilhões em vendas. Em todo o ano de 2017, os ingressos de recursos estrangeiros somaram R$ 13,3 bilhões.

Dólar

Depois de recuar 3,5% em menos de três dias, a queda do dólar toma uma pausa antes de retomar a tendência de baixa. A moeda americana chegou a tocar R$ 3,12 na manhã desta sexta-feira, no menor nível desde setembro. E embora os profissionais de mercado ainda enxerguem espaço adicional para baixa, o abrupto movimento desde a condenação do ex-presidente Lula já exigiu algum ajuste.

Por volta das 13h40, o dólar comercial era negociado R$ 3,1435, numa alta de 0,3854%. Descontando os níveis de ontem, quando o mercado foi afetado pela baixa liquidez típica de feriados em São Paulo, a moeda angaria baixa de 0,28% ante o fechamento de terça-feira.

A queda nos últimos dias se deu com a redução das chances de a candidatura de Lula ser mantida até a eleição, dependendo de recursos jurídicos que, na visão de especialistas, não devem ser favoráveis para o ex-presidente. “A direção agora é de queda do dólar, pode até ocorrer um movimento de ‘compra no boato e vende no fato’, mas é só um ajuste”, diz um operador.

Quando observado um período um pouco mais extenso, o real ainda está atrás de outros emergentes. Em 2018, o ganho do mercado brasileiro fica aquém do peso colombiano e da moeda do México, por exemplo.

“O real ainda está atrás do movimento dos pares e pode testar R$ 3,10 se o ambiente externo continuar positivo”, diz José Faria Junior, diretor na Wagner Investimentos. A princípio, o nível de R$ 3,12 é um ponto de recuperação técnica, na avaliação do especialista, e os próximos pontos de suporte são de R$ 3,10 e R$ 3,05.

A tendência de baixa do dólar autoriza, sem solavancos no mercado, que o Banco Central reduza o estoque de swap cambial. O próximo vencimento dos contratos, que servem de hedge para o mercado, ocorreu em março, no montante de US$ 6,154 bilhões. “Com esse quadro, o BC tem espaço para deixar vencer todo o lote ou fazer uma rolagem parcial de até 50% dos papéis”, acrescenta o diretor da Wagner Investimentos. “No curto prazo, a busca por hedge é menor”, acrescenta.

Juros

Os investidores voltam a reduzir o prêmio embutido ao longo da curva de juros. As taxas projetadas pelos contratos de DI operam em baixa em todos os vencimentos. No entanto, a variação é mais acentuada em trechos intermediários que refletem as expectativas em torno da cena política de médio prazo que envolve as eleições.

O contrato de DI janeiro de 2021 – mais negociado do dia – tinha taxa de 8,70%, ante 8,840% no ajuste anterior. Na mínima, tocou o nível de 8,690%, o menor desde meados de setembro. Só neste vencimento até início da tarde, o giro de negócios já havia superado os 240 mil contratos, num dos dias com maior liquidez do ano, aproximando-se dos 364 mil contratos da última quarta-feira.

Fonte Oficial: Valor.

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