Fases A e B de Candiota não serão religadas – Jornal do Comércio

Desligadas em 2017, as usinas a carvão Fases A e B, que fazem parte do complexo termelétrico Presidente Médici, em Candiota, não deverão mais gerar energia para o sistema elétrico brasileiro. Conforme a assessoria de imprensa da Eletrobras (controladora da CGTEE, companhia que é responsável pelos empreendimentos), não há perspectiva de retorno à operação dessas plantas ou de serem substituídas.

A Fase B foi desativada em 28 de fevereiro de 2017, em atendimento a Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado com o Ibama e outras instituições. A unidade apresentava baixa eficiência operacional, alto custo e não satisfazia aos padrões de emissões exigidos pelo órgão ambiental. Já as atividades da Fase A foram interrompidas apenas em 31 de dezembro do ano passado. Com isso, a usina Fase C do complexo de Candiota é a única térmica a carvão em operação no Estado, com capacidade para até 350 MW.

A Fase A, apesar de apresentar as mesmas dificuldades da Fase B, conseguiu uma sobrevida. A CGTEE alegou para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que a caldeira da Fase A era fundamental para a produção auxiliar de vapor aproveitado em sistemas da partida da usina Fase C. A unidade seria necessária até a entrada em atividade de uma caldeira auxiliar, prevista justamente para dezembro de 2017. A Fase A, que possui dois equipamentos com capacidade para gerar até 63 MW cada um, foi inaugurada em 1974. Já a Fase B, com duas unidades de 160 MW cada, iniciou as operações em 1986. O total de potência das estruturas somadas, 446 MW, corresponde a aproximadamente 11% da demanda média de energia elétrica do Rio Grande do Sul.

O presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral (ABCM), Fernando Zancan, comenta que, apesar de ser esperado que as Fases A e B não fossem reativadas, a situação não deixa de preocupar. Mesmo que, no começo de 2019, esteja prevista para entrar em operação a termelétrica Pampa Sul, da empresa Engie, também localizada em Candiota, o dirigente destaca que o Rio Grande do Sul vem perdendo volume de energia firme a carvão, que não oscila com as condições climáticas como a eólica.

A Pampa Sul terá uma capacidade de 340 MW, em contrapartida, além dos 446 MW das Fases A e B, também foram retirados recentemente do sistema elétrico 72 MW de uma térmica em Charqueadas e 20 MW de uma usina de São Jerônimo. O presidente da ABCM defende que é preciso que o governo federal estabeleça um programa de modernização do parque termelétrico a carvão do País.

Zancan considera este ano como crucial para que isso ocorra e adverte que o destino das Fases A e B pode ser seguido mais adiante por unidades do complexo termelétrico catarinense Jorge Lacerda. Assim como daria mais segurança ao sistema elétrico nacional, o dirigente enfatiza que uma iniciativa de atualização do parque térmico valorizaria a própria Eletrobras em um processo de privatização da estatal. 

A norte-americana New Fortress Energy, que está adquirindo da gaúcha Bolognesi o projeto integrado de uma termelétrica e de um terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL) a serem instalados em Rio Grande, busca um parceiro para ir adiante com o empreendimento. O diretor da Gas Energy Marco Tavares, que representa os norte-americanos, antecipa que a procura é por um grupo internacional que já tenha experiência em atuar no Brasil.

O conhecimento sobre o mercado brasileiro pode ser um diferencial e uma forma de tranquilizar a New Fortress Energy, já que a conclusão do projeto ainda é incerta. No ano passado, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) alegou dificuldades por parte dos empreendedores em cumprir o cronograma da usina e revogou a outorga de autorização da térmica. Os investidores entraram com recurso no órgão regulador para tentar reverter a decisão. Tavares acredita que a Aneel deverá deliberar sobre o tema no mês de março.

A usina é planejada para uma capacidade instalada de 1.238 MW – o que corresponde em torno de um terço da demanda elétrica do Rio Grande do Sul. O complexo prevê ainda a implantação de um terminal de GNL. Somadas, as estruturas absorveriam um investimento de mais de R$ 3 bilhões.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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