Juros futuros fecham em queda, com expectativas sobre Selic – Valor

SÃO PAULO  –  As taxas de juros fecham a semana com forte queda, reflexo da descompressão dos prêmios de risco diante de um ambiente internacional ainda muito benigno e após o fortalecimento da expectativa de que o ex-presidente Lula não concorra às eleições presidenciais de outubro.

Os spreads entre juros longos e curtos caíram a mínimas não vistas desde o fim de outubro/início de novembro do ano passado. As inclinações cederam em média 20 pontos-base na semana, baixa mais forte desde a primeira semana de janeiro e em magnitude que lembra o ajuste ocorrido nas semanas seguintes à deflagração da crise após as delações da JBS, em maio do ano passado.

No plano local, o entendimento do mercado é que a condenação de Lula por unanimidade e em segunda instância reduz substancialmente o “risco de cauda”, representado pela possibilidade de o petista concorrer – e vencer – no pleito de outubro.

A forte queda dos DIs se deu porque o mercado vinha, nos dias anteriores, construindo “hedge” para se defender de um cenário inesperado – condenação por placar dividido ou absolvição. Como essas alternativas não se confirmaram, o mercado precisou reverter o movimento.

A queda do dólar a mínimas em quatro meses, o declínio dos prêmios de risco e o cenário externo ainda bastante saudável ressuscitaram o debate sobre novo corte da Selic em março, além da redução de 0,25 ponto percentual já contratada para fevereiro.

No começo desta semana, os contratos de DI embutiam chance zero de corte em março. Mas, nesta sexta-feira (26), a probabilidade já estava em 28%. Ao mesmo tempo, a Selic projetada pela curva de DI para o fim deste ano cedeu de 8,23%, na segunda-feira passada para 7,94%, nesta sexta.

A mudança de precificação para março, segundo analistas, reflete mais posições táticas do mercado, que visam lucrar com oscilações e spreads de preços. O que vai definir a extensão do alívio monetário para o fim do trimestre é a continuidade do cenário benigno para a inflação, sobretudo a de serviços. Dado o quadro tranquilo para os preços, uma boa parte dos agentes não descarta a possibilidade de uma Selic a 6,5% no fim do terceiro trimestre – corte de 0,25 ponto em fevereiro e março.

Por outro lado, a redução do prêmio de risco associado à eleição abre caminho para o Banco Central evitar altas da Selic por mais tempo. Isso ajuda a explicar a queda mais visível da taxa de juros projetada na curva a termo da B3 para o fim deste ano.

Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro/2019 caía para 6,790% ao ano (6,83% no ajuste anterior), o DI janeiro/2020 cedia a 7,940% (7,99% no ajuste anterior), o DI janeiro/2021 recuava a 8,740% (8,84% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2023 tinha baixa para 9,470% (9,62% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

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