Juro do cartão de crédito vai a 233,8% a cliente regular, aponta BC – Valor

BRASÍLIA  –  (Atualizada às 12h06) A taxa de juros do cartão de crédito rotativo para o chamado cliente regular, que quita a fatura dentro do prazo de vencimento ou ao menos paga o mínimo de 15%, subiu de 218,3% em novembro para 233,8% em dezembro de 2017, uma alta de 15,5 pontos percentuais de acordo com o Banco Central (BC).

Segundo o chefe do departamento de Estatísticas da autoridade monetária, Fernando Rocha, o aumento do juro no cartão de crédito regular reflete questões de composição, refletindo a entrada de novos participantes, como financeiras, que trabalham com juros mais elevados, com efeito no conjunto das taxas.

Em março, antes das novas regras para o segmento entrarem em vigor, essa taxa estava em 431% ao ano. O rotativo é a linha de crédito pré-aprovada no cartão e inclui também saques feitos na função crédito do meio de pagamento. No ano, a taxa caiu 231,8 pontos.

Desde abril de 2017, no caso de inadimplência do cliente, o banco deverá parcelar o saldo devedor ou oferecer outra forma para quitar a dívida em condições mais vantajosas dentro de 30 dias, prazo limite para essa linha agora.

Já a taxa do parcelado do cartão foi de 169,2%, ante 168,5% em novembro. Para o cliente não regular, que não fez nem o pagamento mínimo, a taxa foi 401,4% no mês passado, ante 410,4% em novembro.

Assim, a taxa de juros total do rotativo do cartão de crédito caiu de 335,6% em novembro para 334,6% ao ano em dezembro, queda de 1 ponto percentual.

O saldo total do cartão de crédito subiu 8,8% em 2017, somando R$ 201,148 bilhões. O cartão à vista somou R$ 151,811 bilhões, com alta de 11,8% no ano.

As concessões totais do rotativo de cartão de crédito somaram R$ 91,960 bilhões em dezembro, alta de 0,5% sobre novembro e 9,6% no ano. Na categoria regular, o volume de concessões foi de R$ 6,967 bilhões, com baixa de 7,4%, e na não regular foi de R$ 9,099 bilhões, recuo de 8,2%. Dentro do parcelado, a concessão caiu 5,2%, para R$ 3,134 bilhões.

Já a inadimplência na modalidade rotativo foi de 37,6% no último mês de 2017, recuando de 36,5% em novembro. No parcelado, a inadimplência foi de 1,7%, ante 1,6% em novembro. A taxa média de calote do mercado com recursos livres foi de 4,9% em dezembro de 2017.

No cheque especial, a taxa de juros cobrada ficou em 323% ao ano, vindo de 323,7% ao ano em novembro. Em dezembro de 2016, a taxa era de 328,6%. O BC trabalha com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) em iniciativas para redução dessa taxa.

A inadimplência no cheque especial ficou em 16,3% no mês final de 2017, após 14,2% em novembro.

Antecipação de faturas

A antecipação de faturas de cartão de crédito no crédito livre para as empresas cresceu 555,7% em 2017, para R$ 25,460 bilhões. Segundo o chefe do departamento de Estatísticas do Banco Central (BC), Fernando Rocha, nessa modalidade houve uma revisão de séries, com reclassificação de operações que estavam em “outros”. O trabalho começou em março, quando o saldo pulou de R$ 3,5 bilhões para R$ 11 bilhões.

Ainda de acordo com Rocha, foi feito um trabalho com outros bancos para melhorar a informação de dados ao BC ao longo do ano. Então não há uma série suficientemente longa para tirar uma conclusão.

Fonte Oficial: Valor.

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