Dólar sobe pelo 3º pregão seguido, mas fecha longe da máxima – Valor

SÃO PAULO  –  O dólar subiu nesta terça-feira (30) pelo terceiro pregão consecutivo, mas arrefeceu as altas ao longo da tarde. No fechamento, a moeda negociada no mercado de balcão avançou 0,50%, a R$ 3,1798, longe da máxima do dia (R$ 3,1948, valorização de 0,97%).

O patamar mais próximo de R$ 3,20, considerado uma resistência, chamou vendas, que só não foram mais intensas porque o dólar continuou em alta frente a várias divisas emergentes. O movimento no mercado global de moedas foi ditado por novo dia de elevação nos juros dos Treasuries, com o “sell-off” na renda espiralando para o mercado acionário em Nova York.

Por ora, analistas associam a pressão no câmbio doméstico aos eventos externos. E lembram que o real está entre as moedas que mais se valorizaram nos últimos dias e no acumulado do ano, em meio à demanda por investimentos de risco e aos desdobramentos políticos locais. No campo global, o grande risco ao sentimento positivo para com as moedas é uma surpresa com a inflação americana, que poderia dar argumentos para o Federal Reserve (Fed, BC americano) subir os juros mais do que o previsto.

Para esta quarta-feira (31), a probabilidade de vaivém nos preços do câmbio se mantém, já que o Fed divulgará sua decisão de política monetária – para a qual se espera estabilidade do juro entre 1,25% ao ano e 1,50% ao ano. Na sexta-feira (2), serão divulgados os dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos, cuja força também contribui para um cenário de inflação mais alta por lá.

Aqui, os riscos ao câmbio seguem relacionados aos desdobramentos eleitorais. Dada a condenação do ex-presidente Lula em julgamento na semana passada, alguns analistas consideram que a preocupação com a corrida eleitoral diminuiu consideravelmente.

O Morgan Stanley, por exemplo, se mantém “positivo” com o real. Para estrategistas do banco, a performance mais fraca da moeda brasileira em relação a seus pares deve ser revertida à medida que ocorrer esperada queda dos prêmios de risco.

“As preocupações com o ambiente político cederam, ultimamente, conforme os mercados não esperam a implementação de reformas significativas antes das eleições presidenciais e a incerteza sobre as eleições diminui”, dizem profissionais em nota. O Morgan projeta dólar de R$ 3,20 ao fim deste trimestre, e de R$ 3,25, ao término de 2018.

Um pouco mais cauteloso, o BofA diz estar “neutro” na moeda brasileira, mas tampouco prevê forte alta do dólar no curto prazo. O banco americano projeta taxa de R$ 3,26 ao fim de março e de R$ 3,30 no fechamento de 2018. Mas Ben Randol e Claudio Piron, estrategistas do BofA, ressalvam que a moeda brasileira está com excesso de valorização quando comparada à taxa de equilíbrio de longo prazo.

Num sinal negativo ao Brasil, o BofA diz que dados de fluxo de portfólio indicam saída líquida do país de US$ 600 milhões no acumulado de 2018. O Brasil se junta, assim, à África do Sul, que contabiliza fluxo negativo de US$ 300 milhões, e está do lado oposto de Indonésia (+US$ 3,2 bilhões de entradas líquidas) e Índia (+US$ 900 milhões).

“A linha divisória parece estar desenhada sobre as curvas da incerteza política que aflige Brasil e África do Sul, enquanto as agendas de reformas de Índia e Indonésia se provam mais atraentes”, afirmam.

Fonte Oficial: Valor.

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