Dólar tem pior janeiro em seis anos – Valor

SÃO PAULO  –  O dólar fechou janeiro com a maior queda para o mês em seis anos, num desempenho construído sobretudo nos dias 24 e 25, quando a moeda cedeu mais de 3%, após o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De forma geral, a desvalorização no mês refletiu tanto o exterior benigno quanto as expectativas do lado político doméstico, após o petista ter reduzidas suas chances de concorrer às eleições.

Para fevereiro, o cenário-base ainda contempla taxa de câmbio relativamente comportada, diante da crença de que o ambiente internacional continuará em ampla liquidez. Além disso, o mercado segue com a ideia de que, com Lula possivelmente fora da corrida presidencial, haverá espaço para o fortalecimento de um candidato reformista.

Um ponto de atenção é a votação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, prevista para fevereiro. No mercado, é baixa a expectativa de aprovação, o que, se confirmado, não seria argumento para pressão exacerbada no câmbio. Mas analistas não descartam momentos de maior instabilidade caso se confirme o temor de que o governo não tenha votos suficientes para aprovar o projeto e enfrente mais resistência mesmo a medidas micro.

Enquanto isso, o resultado do julgamento de Lula no TRF-4, na semana passada, até gerou euforia no mercado nos dias seguintes, mas não garante um cenário de maior clareza para o quadro eleitoral. Evidência disso, pesquisa Datafolha com intenção de votos a presidenciáveis, divulgada nesta quarta-feira, não chegou a corroborar o melhor dos cenários para o mercado. A sondagem mostra que, no caso de o ex-presidente Lula não concorrer às eleições, a disputa no segundo turno fica mais acirrada, com quatro candidatos disputando votos com Jair Bolsonaro (PSC).

“Se alguém achava que a ausência de Lula fortaleceria uma candidatura pró-mercado, se enganou”, diz Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos. “O fato é que você tem um grande ponto de interrogação para os próximos meses”, considera.

Ao fim de um agitado janeiro, o dólar comercial caiu 4,03%. É a maior queda mensal desde julho do ano passado (-5,92%). Para meses de janeiro, a desvalorização é a mais intensa desde 2012 (-6,53%).

Fazendo a conta inversa, a valorização de 4,20% do real no mês deixa a moeda brasileira com a sétima melhor colocação entre 33 pares do dólar.

Nesta quarta-feira, a taxa de câmbio ficou praticamente estável, valendo R$ 3,1800 – na terça (30), a moeda americana fechou cotada a R$ 3,1798.

Capturando os efeitos da sinalização do Federal Reserve (Fed, BC americano), o dólar para março subia 0,22%, a R$ 3,2005. No comunicado de sua decisão de política monetária desta quarta, o Fed, apesar de manter a meta da taxa de juros estável, melhorou seus cenários para inflação, levando o mercado a elevar as apostas de altas adicionais de juros neste ano.

Fonte Oficial: Valor.

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