Ibovespa cai quase 2% seguindo mercados globais; dólar bate R$ 3,21 – Valor

SÃO PAULO  –  A forte correção que se vê nas bolsas americanas empurra para baixo o Ibovespa nesta manhã. O índice chegou a perder momentaneamente o piso dos 84 mil pontos, logo após a divulgação dos dados de emprego dos Estados Unidos, mais fortes do que o esperado. Às 13h20, o Ibovespa caía 1,93% para 83.842 pontos.

Segundo dados divulgados nesta manhã, foram geradas 200 mil vagas em janeiro, acima da expectativa de 177 mil novos postos de trabalho. Os ganhos de renda salarial cresceram 2,9% na base anual, a melhor leitura desde junho de 2009.

Com essas informações, os futuros dos Fed Funds passaram a projetar quatro altas de juros neste ano, movimento que gera um amplo ajuste dos preços de ativos, inclusive das bolsas.

Para o presidente da Canepa, Alexandre Póvoa, a preocupação sobre como as economias desenvolvidas irão sair no estágio do juro zero é um tema recorrente e legítimo. “Está havendo a transição no Fed, teremos novo presidente e isso gera insegurança”, afirma. Isso se reflete na alta dos juros dos Treasuries, que chegaram perto de 2,80%. “O receio é que caminhem rápido para perto de 3% ao ano, o que afetaria os ativos de risco”, explica.

O relatório de payroll mais forte hoje, com alguma pressão maior que o esperado nos salários corrobora esse receio. “Além disso, a valuation das ações de tecnologia, cujos preços subiram muito ultimamente, começam a ser questionados.”

Ainda assim, para o especialista, trata-se de um movimento de curto prazo, porque ainda não há sinais de pressões inflacionárias nos EUA, Europa, Japão e China que pudessem levar os respectivos BCs a implementar políticas monetárias contracionistas. “Tudo tende a ser muito gradual. O problema é que está todo mundo surfando essa onda da alta liquidez há quase dez anos e qualquer ameaça de reversão balança a árvore e um monte de gente sem muita convicção cai, provocando essas turbulências de curto prazo”, explica. “Portanto, não achamos que seja uma reversão de tendência das bolsas, mas ajustes de curto prazo. Mas cabe total atenção.”

Dólar

O dólar caminha para a maior alta semanal desde meados de maio. Nesta sexta-feira, a moeda americana volta a operar acima de R$ 3,21, apenas cinco sessões depois de tocar R$ 3,13 quando aumentava a confiança com o quadro eleitoral doméstico. Desta vez, é o exterior que dita o movimento sob reajuste de expectativas em torno do aperto monetário dos Estados Unidos.

Por volta das 13h20, o dólar comercial subia 1,56%, a R$ R$ 3,2180. Na semana, acumula alta de 2,10% e, se mantida até o fim do dia, será mais acentuada desde a disparada de 4,25% com a divulgação das conversas entre Joesley Batista e Michel Temer. Além disso, o avanço interrompe a sequência de cinco semanas seguidas de baixa.

Na máxima do dia, a divisa chegou a ser negociada em R$ 3,2185, renovando os maiores níveis intradia desde 24 de janeiro, isto é, horas antes do julgamento do ex-presidente Lula. No momento de pico, a alta foi de 1,57%, a mais acentuada desde o começo de dezembro de 2017.

Para o economista Silvio Campos Neto, da Tendências, o dólar já pode ter superado seu “piso” de curto prazo e dificilmente será negociado abaixo de R$ 3,15, como ocorreu na semana passada. A exceção seria a aprovação da reforma da Previdência, que conta, cada vez menos, com apostas no mercado. “Um fator de grande temor no mercado foi minimizado, mas tem muita incerteza pela frente”, afirma.

Em paralelo, os agentes financeiros voltam a se prontificar para o aperto monetário nos EUA. A movimentação mais forte desta sexta-feira veio após o relatório de empregos dos EUA apontar que, em janeiro, o ganho salarial médio por hora trabalhada subiu ao ritmo mais rápido desde 2009, sinalizando aumento da pressão inflacionária.

O indicador reforçou as apostas de que o Federal Reserve elevará juros em quatro ocasiões ao longo de 2018. No mercado americano de renda fixa, esta trajetória é precificada agora com 23,5% de chances, ante 18,7% na última sexta-feira. Além dos números do “payroll”, a aposta é amparada pelo discurso um pouco otimista no banco central americano sobre a conjuntura econômica, o que indica respaldo para o aperto monetário.

O ambiente externo ainda é considerado positivo para ativos de risco, como os brasileiros, até porque o aperto monetário esperado ainda é gradual. No entanto, a elevação de juros nos Estados Unidos deve tornar os investidores mais seletivos, com risco de um menor fluxo de investimentos para emergentes. Diante deste alerta, as moedas emergentes operam nesta sexta-feira com as maiores desvalorizações dentre as principais divisas globais.

O WisdomTree Emerging Currency Strategy (CEW) – fundo de índice que mede os retornos de aplicações em moedas emergentes – recua 0,37% nos primeiros negócios da sessão. A baixa se amplia para 0,55% no acumulado da semana, sendo esta a primeira perda no intervalo de cinco sessões desde o começo de dezembro.

Juros

Os juros futuros operam em alta firme nesta sexta-feira. Pressionados pelo exterior, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) sofrem a pior sessão desde a terça-feira quando prevaleciam as operações defensivas antes do julgamento do ex-presidente Lula.

As taxas locais acabam sendo tomadas pela reprecificação global da conjuntura econômica americana, que conta com apostas de um aperto monetário mais duro nos Estados Unidos. Os sinais de aumento da pressão inflacionária nos EUA reforçam um movimento de alta do dólar e dos yields globais.

Evidência desse efeito por aqui, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2021 sobe para 8,890%, ante 8,810% no ajuste anterior. Na máxima, subiu para 8,910% quando o avanço era de 8 pontos-base, igualando a alta de 23 de janeiro.

O aumento da inclinação de juros também remota ao ambiente pré-julgamento de Lula. A diferença entre o DI janeiro de 2023 e o DI janeiro de 2019 sobe 9 pontos-base, para 276,0 pontos. A variação só é superada pelo avanço de 11,5 pontos há pouco mais de uma semana.

Fonte Oficial: Valor.

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