Na semana, dólar tem maior alta desde maio de 2017 – Valor

SÃO PAULO  –  A onda de vendas de ativos de risco no exterior levou o dólar no Brasil a registrar a maior alta diária em dois meses. Nesta sexta-feira (2), a cotação subiu 1,46%, a R$ 3,2149. O patamar é o mais alto desde o último dia 23, véspera do julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

Na semana, o dólar saltou 2,42%, o que deixa o real com o pior desempenho para o período, considerando 33 pares da moeda americana. A alta de 2,42% para uma semana é a maior desde o período terminado em 19 de maio, quando houve valorização de 4,25% na sequência das delações da JBS.

Em dois pregões de fevereiro, a apreciação é de 1,10%, o que reduz a 2,98% a queda no acumulado de 2018.

O real já apagou quase 80% dos ganhos conquistados após o dia 23 de janeiro, véspera do julgamento em que Lula foi condenado e teve pena elevada para 12 anos e 1 mês de prisão. Desde o dia 26, a moeda brasileira tem ficado consistentemente atrás de seus pares emergentes, movimento que marcou o ano de 2017.

Nesta sexta, um vasto conjunto de moedas sofreu intensas perdas, com o dólar se fortalecendo globalmente após dados americanos elevarem temores de que o Federal Reserve (Fed, BC americano) possa estar “atrás” da curva. Na prática, isso quer dizer que investidores não descartam as chances de o BC dos Estados Unidos precisar elevar os juros mais rapidamente para conter eventuais pressões inflacionárias.

O impacto desse raciocínio afetou os mercados de forma geral. O WisdomTree Emerging Currency Strategy – ETF que mede os retornos de investimentos em moedas emergentes – chegou a cair, hoje, 0,90%, maior baixa desde maio do ano passado. O ETF está no menor patamar desde o último dia 23.

Enquanto isso, o “yield” do Treasury de dez anos superou a marca de 2,8%, maior nível em quatro anos. A escalada leva o S&P 500 a afundar 1,70%, a caminho do maior tombo desde maio do ano passado. O índice VIX – termômetro do “medo” de Wall Street – disparou mais de 20%, deixando para trás a marca de 16, nos maiores níveis desde agosto.

Pela primeira vez desde 2013, um indicador do BofA passou a recomendar “venda” de ativos de risco. Em todas as vezes em que esse sinal foi ativado, os mercados ingressaram em rota descendente, segundo o BofA.

O próprio BofA, contudo, ainda traça cenário benigno para o real, especialmente com estratégias que “fogem” do dólar. O banco americano recomenda posição comprada em real frente ao peso mexicano, citando que o cenário para a moeda do México ainda é “negativo” em meio às incertezas com a política do governo de Donald Trump em relação a seu vizinho latino.

Fonte Oficial: Valor.

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