Previ deve voltar ao equilíbrio até março, promete presidente do fundo – Valor

RIO  –  A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, retomará o equilíbrio ainda no primeiro trimestre, segundo informou nesta sexta-feira (2) o presidente Gueitiro Genso. Já livre do déficit, o passo seguinte será a redução da meta atuarial no próximo ano, na esteira da redução da taxa Selic. Ainda assim, a tomada de maior risco ainda se faz necessária e o executivo acenou a possibilidade de novos aportes em Fundos de Investimento em Participações (FIPs), mas apenas em 2019.

“Trazer a meta atuarial para um nível estrutural de longo prazo fará com que a gente possa pilotar a estratégia de desinvestimento com muito mais segurança. É um segundo movimento. Depois de chegar ao equilíbrio, vou utilizar os possíveis superávits para reduzir [a meta]. E num momento bom”, afirmou o executivo, durante o seminário “Desafios e perspectivas para os FIPs no Brasil”, no Rio.

Atualmente, a taxa atuarial da Previ é de 5% mais INPC. O objetivo de reduzir a meta é tornar o plano mais sustentável no longo prazo, diz Gueitiro. Com a redução dos juros e consequente menor atratividade dos títulos públicos, restam poucas alternativas com rendimento acima do objetivo. A Previ vai começar a desenhar esta estratégia ao longo de 2018 para poder no final de ano de fato baixar a taxa.

O tamanho do corte vai depender de como os ativos irão se comportar depois que a fundação atingir o equilíbrio. “Olhando no futuro, o mínimo que queremos chegar será em função de qual era a taxa de longo prazo futura da economia brasileira que deixaria o plano sustentável”, disse. “4%, no longo prazo, talvez seja um número mínimo”.

Em 2017 até novembro, os rendimentos do Plano 1, de benefício definido, são de 10,46%, e no Previ Futuro, de contribuição definida, os ganhos foram de 12,51%. Para ambos, o objetivo é de 6,46%.

Em 2015, a Previ teve um déficit de R$ 15 bilhões e o resultado positivo de 2016, de R$ 2,2 bilhões não foi suficiente para retomar o equilíbrio, o que deve acontecer até março.

Além da Previ, participaram do evento para discutir sobre os fundos de investimentos em participações (FIPs) a Petros (Petrobras) e a Funcef (Caixa Econômica Federal). Na indústria como um todo, este tipo de investimento foi responsável por maus resultados na fundações, sendo alguns, inclusive, alvo de investigações pelos próprios fundos de pensão ou até do Ministério Público Federal (MPF), caso do FIP ETB, que fez investimentos na Nova Bolsa. Esse fundo recebeu investimento do Postalis (Correios) e foi alvo da Operação Pausare, deflagrada ontem (1º) pela Polícia Federal.

O maior fundo de pensão do Brasil quer se preparar para quando, de fato, o mercado de FIPs aquecer. Hoje, a política de investimentos veta o aumento da participação no setor. Novos aportes no segmento devem ocorrer em 2019. “Olhando para o cenário que está acontecendo, é bem provável”, afirmou. O FIP, avalia Gueitiro, é um grande ativo. “O instrumento acabou sendo demonizado por má utilização pontual”, disse.

Entretanto, ainda há questões a serem solucionadas. No passado, a criação da figura de um comitê de investimentos, que permite que as fundações aprovem os aportes realizados pelos gestores dos FIPs, hoje não é visto mais como necessário. O executivo diz que o mecanismo tirou a agilidade dos gestores e trouxe para as fundações um comprometimento desnecessário. “O gestor fala: se deu errado é porque vocês [fundações] aprovaram o investimento”, afirmou.

Outra questão apontada por Gueitiro é que, ao comprar uma cota de um FIP, a responsabilidade da fundação deve se limitar ao valor da cota. Ainda há incertezas de que as fundações tenham de assumir riscos de investimentos que não deram certo, caso do FIP Sondas.

Estratégias

A política de investimentos da Previ tem como objetivo dar mais liquidez ao Plano 1, de benefício definido. “Temos olhado o mercado. O mercado andou muito em janeiro. Muito do nosso desinvestimento é em bolsa. Não temos uma meta específica de uma companhia”, afirmou Gueitiro.

Trimestralmente, a Previ avalia as ações de sua carteira e o patamar de valorização que já considera adequado. “Aí já começamos a pilotar a venda, com muito cuidado por causa dos volumes que a Previ tem. Qualquer venda nossa mexe com o mercado. A gente tem um bom volume para fazer, mas com muito cuidado”, acrescentou, sem revelar números.

De acordo com a atual política de investimentos, entre sete e dez anos, objetivo é sair de 48% do patrimônio do Plano 1 em renda variável para 30%.

“Esses 30% não serão os mesmos de hoje. Além de desinvestir em renda variável, estamos reinvestindo em outras companhias. Entramos em BR Distribuidora e este é um exemplo clássico. Começamos a ver o processo de outros IPOS que virão, entraremos em outras companhias”, disse. A Previ vai tomar como base para a decisão de investimento questões como governança e liquidez. Em março, o fundo de pensão vai anunciar os critérios de seu “rating de governança”.

Além disso, o porte da companhia também é importante para a Previ. “Só vamos entrar numa empresa e num IPO [oferta pública inicial de ações] que têm um certo porte. Se a Previ vai investir R$ 200 milhões e o IPO for de R$ 500 milhões, vai ser metade. Se for R$ 1 bilhão, será 20%. Entramos em BR Distribuidora com R$ 500 milhões, cerca de 2% da companhia. Queremos ser minoritários”, diz.

Fonte Oficial: Valor.

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