Cai número de agências para turistas chineses – Jornal do Comércio

Turismo


Notícia da edição impressa de 05/02/2018.
Alterada em 04/02 às 19h59min

Cai número de agências para turistas chineses

Brasil recebeu apenas 50 mil visitantes chineses em 2017, diz Mtur

/ZO GUIMARÃES/FOLHAPRESS/JC

Adriana Lampert

Apesar de ser o principal destino de chineses na América Latina, o Brasil recebe um volume baixo de visitantes daquele país. Em 2016, foram 57,8 mil – pouco mais que os 53 mil de 2015. E, no ano passado, dos mais de 130 milhões de chineses que viajaram pelo mundo, somente 50 mil desembarcaram em solo brasileiro. Isso talvez explique a queda do número de agências credenciadas para receber os visitantes asiáticos: em 2017, eram 336 e, em 2018, não passam de 83 empresas receptivas. Destas, seis estão na Região Sul do País e apenas uma (Laguna Sul Turismo) está localizada no Rio Grande do Sul. Há dois anos, 18 agências gaúchas contavam com a credencial.

Para se ter uma ideia de como ainda é baixo o número de turistas chineses no País, basta comparar com o de visitantes oriundos da Argentina (2,29 milhões em 2017), dos EUA (570 mil) e do Chile (311 mil). Meta estabelecida pelo Ministério do Turismo (MTur) desde sua criação, em 2003, a atração dos asiáticos tem sido um dos desafios constantes da pasta. O credenciamento de agências é uma exigência da China, firmada em memorando com o governo federal há 14 anos. Durante a primeira década, a média de empresas habilitadas girou em torno de 23 agências.

Em 2016, a disponibilidade de um cadastro digital, via Cadastur (sistema de cadastro de pessoas físicas e jurídicas que atuam no setor do turismo), possibilitou um salto que resultou em 304 empresas credenciadas, e, no ano seguinte, o número foi ainda maior. “Não saberia explicar por que a demanda para 2018 foi menor”, comenta o assessor de Relações Internacionais do MTur, Rafael Luisi. Entre as exigências, as empresas precisam ter sistema regularizado no Cadastur e possuir guias para cada grupo de visitantes asiáticos.

Grupos do país asiático são muito convencionais

De acordo com o Coordenador de Pesquisa e Análise do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), Túlio Cariello, o suporte aos chineses é importante pelo fato de os habitantes do país asiático ainda serem “pouco experientes em viagens”, uma vez que é bastante recente (final da década de 1990) a flexibilização que o governo da China concedeu à população para viajar para o exterior.

“Eles procuram muito as agências para saber dos atrativos do Brasil, e, em geral, optam por (turismo) de aventura e cultural”, comenta Rafael Luisi. Entretanto, de acordo com o assessor do MTur, os chineses ainda são bastante convencionais na escolha dos destinos, preferindo as cidades do Rio de Janeiro e de Foz do Iguaçu, onde é possível unir a contemplação de belezas naturais com saídas vorazes para as compras, uma das características mais marcantes deste perfil de turista. Segundo informações do Mtur, em 2016, o tíquete médio de cada visitante chinês que vinha ao Brasil girava em torno de US$ 1 mil em um período de 10 dias.

“Teremos que implantar uma central de atendimento dedicada e com atendentes fluentes em inglês, assim como nossos guias para os grupos vindos da China; e os folders terão que ser traduzidos para a língua inglesa”, destaca o proprietário da Laguna Sul Turismo, Alex Sandro Souza. O empresário observa que a recepção dos primeiros grupos de chineses atendidos pela Laguna Sul pode demorar um pouco. “Ainda aguardamos alguns treinamentos, que serão feitos pela Embaixada da China – mas, como eles estão em recesso, acredito que só a partir de março para termos qualquer novidade”, comenta.

Segundo Souza, a agência gaúcha – localizada no município de São José do Norte, na Zona Sul do Estado – tem uma série de produtos que podem atender à demanda desses turistas. “Temos pacote com passeios pela Laguna dos Patos, com observação de leões e lobos marinhos; pelas dunas das praias do Mar Grosso e do Barranco; e um roteiro histórico, que passa pelo Farol da Barra, pela antiga Torre de Observação Atalaia, pela Igreja da Nossa Senhora da Boa Viagem e pelos Moles da Barra”, destaca o empresário.

Parcerias devem ampliar a oferta de destinos gaúchos

Agência de pequeno porte, com dois anos de mercado, a Laguna Sul, credenciada para o receptivo de chineses em 2018, integra o Projeto de Turismo Costa Doce Natureza do Sebrae-RS. Segundo o proprietário, Alex Sandro Souza, a agência deverá ampliar a oferta de destinos através de parcerias com outras empresas do Estado. “O objetivo é atender bem esses clientes, e certamente iremos precisar de receptivo em outras cidades e regiões do Rio Grande do Sul.”

De acordo com a gestora do projeto Costa Doce Natureza do Sebrae-RS, Jussara Cruz Argoud, a iniciativa de Souza em se credenciar para o receptivo aos chineses para a Região Sul do Brasil é de extrema importância. “É uma grande oportunidade, e estamos aqui para auxiliar no que for necessário”, afirma, ressaltando que, até pouco tempo atrás, a região da Costa Doce não era considerada “turística”.

O incentivo da vinda do turista chinês para o Brasil é uma importante oportunidade para atrair divisas e investimentos no turismo nacional, observa o assessor de Relações Internacionais do MTur, Rafael Luisi.

O Ministério das Relações Exteriores instalou, em 2016, três centros de processamentos de vistos na China (chamados Visa Center) – em Pequim, Xangai e Cantão – para facilitar o trabalho dos consulados brasileiras. Com isso, estão sendo adotados procedimentos para acelerar a concessão do visto aos chineses, e o documento é entregue em 10 dias. Outros cinco centros de processamentos devem ser abertos ainda neste ano, prevê o assessor do MTur.


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Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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