Tombo das Bolsas de NY foi causado por razões técnicas – Valor

SÃO PAULO  –  A onda vendedora na bolsa dos Estados Unidos ontem e o intenso ajuste global que se seguiu foram impulsionados pelo crescimento da volatilidade. 

Segundo uma fonte de um grande banco de investimento, o movimento foi essencialmente técnico e não ligado a fundamentos econômicos. Com o avanço do VIX, índice que mede a volatilidade, fundos “vendidos” em volatilidade começaram a registrar perdas. O movimento, então, foi de retroalimentação: conforme a volatilidade crescia, mais esses fundos registravam perdas e desmontavam posições. O VIX é conhecido como termômetro do medo em Wall Street.

“Esse movimento foi puxando um ajuste tão forte que os investidores decidiram se proteger. O movimento sequencial causou o tombo de ontem, mas isso não muda a leitura positiva sobre a nossa bolsa”, disse uma fonte.

Segundo o diretor de investimentos da Western Asset, Paulo Clini, a recuperação que se vê hoje confirma a leitura de que foram razões técnicas, e não de fundamentos, o que derrubou as bolsas americanas. “Os fundamentos não se deterioraram, o cenário-base sobre o qual os mercados operavam há uma semana é o mesmo”, afirma.

Ele acrescentou que, após anos de juro muito baixo, o mercado desenvolveu instrumentos financeiros que ampliam a exposição a risco. Um deles são notas estruturadas, por meio das quais o mercado apostava na manutenção do índice VIX em níveis baixos. À medida que a volatilidade subia, esses investidores zeravam posições, gerando uma espécie de espiral negativa.

Em meio a essa turbulência, a bolsa local mostrou uma boa dose de resiliência. Nas duas sessões em que o S&P recuou 6,5%, o Ibovespa caiu 4,25%. “Ainda que investidores tenham ficado cautelosos, a nossa bolsa tem uma história que justifica ainda manter posições”, diz. 

Segundo Fábio Carvalho, head de equities da CM Capital Markets, o consenso de mercado ainda aponta para um Ibovespa em pelo menos 87 mil pontos até o fim do ano. 

James Gulbrandsen, diretor de investimentos para a América Latina da gestora americana NCH, também compartilha da opinião de que as apostas em uma estrutura de volatilidade muito baixa potencializaram a queda das bolsas americanas na segunda-feira. Ele afirmou que muitos investidores institucionais se posicionaram no último ano e meio “vendidos” no índice VIX que se manteve perto das mínimas históricas ao longo do ano passado. Na segunda-feira, porém, o indicador de volatilidade do S&P 500 subiu em uma única sessão 115,6% para 45,05 pontos.

“Ontem o lado fundamentalista [de preocupações com a inflação] iniciou a correção, mas foi o fator técnico que impulsionou a queda violenta” quando o VIX registrou a maior alta percentual diária de sua história, diz.

“Ninguém deveria ter ficado surpreso com o movimento de segunda-feira. Há algum tempo que ficou óbvio que a estrutura de volatilidade [tão baixa] não era sustentável”, pondera Gulbrandsen.

 

 

Fonte Oficial: Valor.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!