Com exterior, juros de longo prazo sobem – Valor

SÃO PAULO  –  As taxas de juros futuros de prazos mais longos voltaram a sentir o peso da aversão a risco no exterior e subiram nesta quinta-feira (8). Com isso, contrariam expectativa de analistas, que, na noite quarta-feira (7), previam a diminuição da inclinação da curva de DI na esteira da sinalização do Banco Central de fim do ciclo de afrouxamento monetário.

Da mesma forma, os juros curtos – mais sensíveis às apostas para as decisões da Selic dos próximos meses – também desafiaram os “trades” previstos ontem e caíram. O motivo foi o IPCA de janeiro, que veio mais baixo que o esperado, renovando o fôlego dos que veem Selic de 6,5% em março.

Enquanto o debate sobre o rumo da Selic em março segue em aberto -apesar da indicação do Copom de término do ciclo de queda dos juros -, o que parece mais consenso entre analistas é a maior chance de o juro básico não subir ao longo do ano. Na curva de DI, a Selic projetada para o fim do ano caía, hoje, a 7,84%, contra 7,96% ontem e 8,2% recentemente.

“Ainda há prêmio de risco, mas ele está diminuindo”, diz Pedro Barbosa, estrategista de renda fixa da Renascença. Isso explica a firme queda do DI janeiro/2019, cuja oscilação desta quinta é expressiva para um contrato de curto prazo. Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro/2019 caía a 6,735% ao ano (6,805% no ajuste anterior).

Segundo o profissional, os contratos de cupom de IPCA negociados na B3 – que medem a diferença entre a taxa DI e a variação do IPCA no período – embutem nesta quinta-feira inflação entre 3,5% e 3,6% para 2018. Ontem, os derivativos projetavam IPCA de 3,78%. As taxas já se encontram abaixo do centro da meta de inflação para este ano, de 4,5%.

Alguns analistas, no entanto, mostram ceticismo sobre a probabilidade de novo declínio do juro em março. “Não é um IPCA ou dois que vai mudar a política monetária. Esse BC não age de reunião a reunião”, afirma uma fonte de uma asset com patrimônio líquido acima de R$ 2 bilhões.

Além da incerteza sobre um cenário de inflação baixa ao ponto de levar a novo corte de juros, o profissional da gestora acredita que o BC não contemplou integralmente os efeitos da recente piora nos mercados financeiros internacionais.

“O exterior piorou por quatro dias até a quarta-feira. Então acho que por ora não pesou tanto no cenário do BC. Mas a questão pode pesar mais se os mercados lá fora continuarem mais voláteis.”

Nesta quinta, os mercados de ações em Wall Street voltaram a sofrer com onda de vendas, enquanto os juros dos Treasuries se mantêm pressionados e ativos considerados seguros – como iene, ouro e franco suíço – mostram firmes altas.

Às 16h, o DI janeiro/2020 recuava a 7,990% (8,05% no ajuste anterior). O DI janeiro/2021 tinha taxa de 8,860% (8,87% no ajuste anterior). Puxado pelo exterior mais arisco, o DI janeiro/2023 subia a 9,610% (9,57% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

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