BC não descarta novo corte de juro, traz ata – Valor

BRASÍLIA  –  (Atualizada às 9h26) Os integrantes do Comitê de Política Monetária (Copom) ficaram divididos no encontro realizado na semana passada sobre sinalizar um possível fim do ciclo de distensão monetária. “Nesse contexto, os membros do Comitê debateram o grau de liberdade a ser mantido na comunicação sobre o próximo passo da política monetária”, traz a ata divulgada nesta quinta-feira da última reunião do colegiado, realizada na semana passada. Naquela ocasião, a taxa básica de juro foi reduzida em 0,25 ponto percentual, para 6,75% ao ano.

Segundo o documento, “alguns membros manifestaram preferência por elevado grau de liberdade, favorecendo comunicação mais simétrica sobre o próximo passo”, ou seja, a possibilidade de atribuir pesos iguais tanto a uma parada no ciclo de cortes quanto em fazer uma baixa moderada adicional.

Mas a ata informa que havia um grupo com outra visão no BC. “Outros propuseram sinalizar mais fortemente a possível interrupção do ciclo de flexibilização monetária e manter liberdade de ação, mas em menor grau.”

No fim, o grupo decidiu uma comunicação intermediária, que sinaliza tanto o fim do ciclo quanto a possibilidade de mais uma baixa.

Os participantes do Copom concluíram, então, fazer uma comunicação notando “ser apropriado sinalizar que, caso a conjuntura evolua conforme o cenário básico, a interrupção do processo de flexibilização monetária parece adequada sob a perspectiva atual”. “Mas avaliaram que cabia comunicar que essa visão para a próxima reunião pode se alterar e levar a uma flexibilização monetária moderada adicional, caso haja mudanças na evolução do cenário básico e do balanço de riscos.”

O colegiado voltou a reforçar, no entanto, que “os próximos passos na condução da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação”.

Conjuntura

As circunstâncias que poderiam fazer com que os juros caíssem mais em março ou que poderiam interromper o processo de flexibilização monetária foram tratadas no encontro da semana passada.

O Copom cita, na ata, três circunstâncias que poderiam levá-lo a interromper o ciclo de redução do custo do dinheiro. “A evolução da conjuntura em linha com o cenário básico do Copom, a recuperação mais consistente da economia e uma piora no cenário internacional favoreceriam a interrupção do processo de flexibilização.”

De outro lado, “a continuidade do ambiente com inflação subjacente em níveis confortáveis ou baixos, com intensificação do risco de sua propagação, abriria espaço para flexibilização adicional”. “O mesmo ocorreria no caso de alterações no balanço de riscos que resultem em menor probabilidade de aumento de prêmios de risco e consequente elevação da trajetória prospectiva da inflação”, afirma o colegiado.

Para o Copom, o cenário externo tem se mostrado favorável, na medida em que a atividade econômica cresce globalmente. E que tal quadro tem contribuído até o momento para manter o apetite ao risco em relação a economias emergentes, apesar da volatilidade recente das condições financeiras nas economias avançadas.

O texto traz ainda que já surgem sinais de que as condições no mercado de trabalho começam a elevar os salários em algumas economias centrais e que há também perspectiva de retorno das taxas de inflação nessas economias para patamares mais próximos de suas metas.

“Isso reforça o cenário de continuidade do processo de normalização da política monetária nos países centrais, o que deve ocorrer de maneira gradual, no cenário básico. Mas a trajetória prospectiva da inflação de preços e salários pode tornar esse processo mais volátil e produzir algum aperto das condições financeiras globais”, diz o documento.

O colegiado voltou a destacar a capacidade que a economia brasileira apresenta de absorver eventual revés no cenário internacional. E cita a situação robusta do balanço de pagamentos, o ambiente com inflação baixa, expectativas ancoradas e perspectiva de recuperação econômica.

“Todos os membros do Comitê voltaram a enfatizar que a aprovação e implementação das reformas, notadamente as de natureza fiscal, e de ajustes na economia brasileira são fundamentais para a sustentabilidade do ambiente com inflação baixa e estável, para o funcionamento pleno da política monetária e para a redução da taxa de juros estrutural da economia, com amplos benefícios para a sociedade”, diz o documento, repetindo o que vinha afirmando nas comunicações anteriores.

“Por fim, os membros do Copom destacaram a importância de outras iniciativas que visam aumento de produtividade, ganhos de eficiência, maior flexibilidade da economia e melhoria do ambiente de negócios. Esses esforços são fundamentais para a retomada da atividade econômica e da trajetória de desenvolvimento da economia brasileira.”

Ainda assim, os participantes do colegiado voltaram a ponderar sobre o risco para a economia brasileira de um revés nesse cenário internacional benigno num contexto de frustração das expectativas sobre as reformas e ajustes necessários. Esse é um dos pontos do balanço de riscos para a inflação apresentado pelo Copom.

 

Fonte Oficial: Valor.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!