Bolsa sobe 3,3% em ajuste pós-Carnaval – Jornal do Comércio

A bolsa brasileira fechou em forte alta ontem, em ajuste após duas sessões sem operações devido ao Carnaval e acompanhando a melhora no humor no exterior, apesar de dado de inflação nos EUA que reforça a preocupação com aumentos adicionais de juros no país.

O Ibovespa, índice das ações mais negociadas, subiu 3,27%, para 83.542 pontos. O volume financeiro foi de R$ 11,3 bilhões – a média de fevereiro está em R$ 12,2 bilhões. O dia foi de vencimento de opções sobre o índice, o que contribui para inflar o giro financeiro.

Nesta sessão, os investidores avaliaram a divulgação do dado de inflação nos Estados Unidos, que apontou alta de 0,5% em janeiro, acima do esperado pelo mercado. Em dezembro, o avanço tinha sido de 0,2%, segundo o Departamento do Trabalho americano.

Em base anual, a inflação se manteve em 2,1%. Mas o impacto do indicador foi diluído pela divulgação das vendas no varejo no país, que caíram 0,3% em janeiro, a maior queda desde fevereiro do ano passado. O dado de inflação era aguardado após as fortes turbulências que atingiram os mercados acionários na última semana.

Os índices americanos Dow Jones e S&P 500 tiveram a pior semana em dois anos, em meio a temores de que a recuperação do mercado de trabalho e dos salários nos EUA pudesse pressionar a inflação, o que levaria a aumentos adicionais de juros nos Estados Unidos – o banco central norte-americano indica três altas.

A alta elevaria a rentabilidade dos títulos de dívida emitidos pelo governo americano, considerados de baixíssimo risco, o que enxugaria parte do dinheiro que, hoje, está aplicado em bolsa ou na renda variável.

Das 64 ações do Ibovespa, 58 subiram e seis fecharam em baixa. A maior alta do índice foi registrada pelas ações da CSN, que dispararam 8,7%. A Bradespar se valorizou 6,9% e a Gerdau avançou 6,63%. Na ponta contrária, os papéis da Marfrig caíram 2,34%. A CCR recuou 1,63%, e a Cosan fechou em baixa de 0,85%.

As ações da mineradora Vale dispararam 5,98%, para R$ 44,51. Os papéis da Petrobras também subiram, em dia de alta do petróleo depois de os estoques de petróleo dos Estados Unidos subirem menos que o esperado e de o ministro de Energia saudita, Khalid al-Falih, dizer que os principais produtores prefeririam mercados mais apertados do que encerrar os cortes de produção precocemente. As ações mais negociadas da Petrobras subiram 2,56%, para R$ 19,25. Os papéis ordinários avançaram 1,44%, para R$ 20,38.

No setor financeiro, os papéis de bancos fecharam em forte alta. O Itaú Unibanco se valorizou 4,32%. As ações preferenciais do Bradesco subiram 3,65%, e as ordinárias avançaram 3%. O Banco do Brasil teve valorização de 3,60%, e as units – conjunto de ações – do Santander Brasil tiveram alta de 3,54%.

O dólar teve ontem a maior queda percentual em um único dia desde 19 de maio de 2017, ao fechar cotado a R$ 3,2208, com baixa de 2,26%. A baixa foi atribuída essencialmente a ajustes de posições no pós-feriado e ao fluxo positivo, com ingresso de recursos externos para o mercado de ações. A alta dos preços do petróleo e o indicador de vendas no varejo dos EUA mais fraco que o esperado também foram apontados como fatores de enfraquecimento da divisa.

Na última semana, o dólar havia subido 2,46% ante o real, em meio à forte volatilidade dos mercados internacionais e à cautela do investidor antes do feriado de carnaval no Brasil. A reação positiva dos ativos ontem, portanto, já era esperada como um ajuste natural, uma vez que o cenário externo não apresentou grandes sobressaltos. Outros fatores, como os dados dos EUA e o petróleo em alta, fortaleceram o movimento do dia.

A possibilidade de novos aumentos de juros nos EUA também foi desconsiderada no mercado cambial. O dólar perdeu força ante 30 das 31 principais moedas do mundo.

Nesta sessão, o Banco Central não fez rolagem de contratos de swaps cambiais (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro) que vencem em março. Mas continuará a rolagem na quinta-feira – o total de contratos é de US$ 6,154 bilhões.

O CDS (credit default swap, termômetro de risco-país) do Brasil recuou 3,19%, para 164,7 pontos. No mercado de juros futuros, os contratos mais negociados tiveram queda. O contrato com vencimento em abril de 2018 recuou de 6,625% para 6,622%. Já o contrato para janeiro de 2019 caiu de 6,725% para 6,685%.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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