EUA colocaram gasolina no fogo e mercados assustaram, diz Itaú – Exame

“Nesse ambiente, o melhor é não mudar o comando do banco central, mas não foi o que o governo americano fez”, disse Mário Mesquita, economista-chefe do Itaú

access_time 20 fev 2018, 16h05

São Paulo – O cenário internacional positivo continua, apesar da volatilidade recente dos mercados financeiros.

Em reunião com jornalistas, a equipe econômica do Itaú Unibanco apresentou revisões para cima das projeções de crescimento das principais economias mundiais.

A expansão é forte e “sincronizada”, segundo Mário Mesquita, economista-chefe do banco. O termo é cada vez mais usado nos meios econômicos para classificar o momento.

A exceção entre as principais economias é o Reino Unido, que desacelera diante das incertezas causadas pelo processo de sair da União Europeia, o chamado Brexit.

Estados Unidos

O ponto de atenção dos mercados é os Estados Unidos. A boa notícia é que a alavancagem esta abaixo da média histórica, o que pode estar relacionado com os esforços de regulação pós-crise financeira.

Mas o país está crescendo acima do potencial e ainda aprovou um pacote fiscal de corte de impostos que “coloca gasolina no fogo”, na definição de Mesquita.

E quando a economia está superaquecida e o desemprego cai, a inflação de salários tende a subir.

A relação é conhecida como “Curva de Phillips” e parecia dormente há um tempo, mas os últimos números mostraram que ela não está morta, daí o medo.

“Nesse ambiente, o melhor é não mudar o comando do banco central, obrigando ele a reafirmar sua credibilidade, mas não foi o que o governo americano fez”, disse Mário.

O comando do Federal Reserve foi assumido recentemente por Jerome Powell, indicação de Donald Trump, que quebrou a tradição de manter o indicado anterior (Janet Yellen) para mais um mandato.

Mesquista diz que “o problema inflacionário não é iminente ou intenso” porque a previsão é que o Fed continue mantendo as expectativas ancoradas.

Isso será feito reduzindo o balanço e apertando os juros, com 4 altas em 2018 e 2019 previstas por enquanto.

Juros mais altos (ainda que baixos em termos históricos) tornam títulos e ações menos atrativos em termos relativos, o que contribuiu para a queda das ações.

Outra preocupação, mais de longo prazo, é que a expansão americana já é bastante duradoura em termos históricos.

Se algo der errado, o país já gastou muitos dos cartuchos de política monetária e fiscal que seriam úteis para reverter a entrada de ciclo negativo.

Europa e China

Enquanto isso, a Europa vive seu melhor momento de crescimento em uma década, com destaque especial para o setor industrial da Alemanha.

O risco de deflação está por ora afastado e a previsão é que seja interrompida a expansão do balanço do Banco Central Europeu neste ano, com início da normalização da política monetária em 2019.

Já a China segue melhor do que o esperado. O cenário global ajuda nas suas exportações e o consumo ganha espaço em relação ao investimento, o que era um dos objetivos de política econômica.

“O rebalanceamento da economia chinesa parece ter avançado muito nos últimos anos”, diz Mesquita.

América Latina

Mesquita classifica o crescimento latino-americano como “incipiente e nada exuberante”, mas menos frágil e também auxiliado pelo bom cenário global.

Commodities em alta e menores déficits em conta corrente ajudam as moedas dos países da região sem causar pressão inflacionária.

“Mas a maioria das economias da região vai crescer menos do que o PIB mundial. A região vai perder relevância no cenário mundial”, diz Mesquita.

Fonte Oficial: Exame.

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